A ministra dinamarquesa de Meio Ambiente Connie Hedegaard renunciou à presidência da COP 15 (a conferência do clima das Nações Unidas) nesta quarta-feira (15), segundo a Organização das Nações Unidas. Ela será substituída por Lars Lokke Rasmussen, primeiro-ministro da Dinamarca.
"Com a chegada de tantos líderes de Estado e de governo, é apropriado que o primeiro-ministro da Dinamarca presida (a Conferência)", afirmou Connie. "Porém, o primeiro-ministro me apontou como representante especial e eu vou, portanto, continuar a negociar um resultado final com meus colegas", ela disse.
A ministra explicou que a substituição foi meramente "procedimental". Mas Connie foi criticada por nações africanas por favorecer nações ricas nas negociações.
Semana passado, o jornal britânico "The Guardian" informou que o vazamento de um “esboço dinamarquês” para um acordo que poderia ser celebrado na COP enfureceu representantes das nações em desenvolvimento.
O texto demonstraria a intenção de grandes potências de assinar um acordo que concede mais poder às nações ricas e confere à ONU um papel secundário na luta contra o aquecimento global. Ainda segundo o jornal, a intenção das delegações de países desenvolvidos seria assegurar um limite maior de emissões de dióxido de carbono (CO2) per capita do que os fixados para nações em desenvolvimento.
A Conferência sobre Mudanças Climáticas acaba oficialmente nesta sexta-feira (18). Deve entrar pela madrugada de sábado (19), como já ocorreu diversas vezes nas COPs anteriores. Com pouco tempo para aparar muitíssimas arestas, cresce o nervosismo entre das delegações de quase 200 países reunidas no Bella Center, o complexo de convenções onde ocorrem os debates.
O temor é que a COP 15, a despeito de já ser a reunião internacional que atraiu mais gente, leve também o título de maior fiasco diplomático das últimas décadas. O histórico das COPs, infelizmente, não é muito animador.
Pouco após o início de uma passeata, na manhã desta quarta-feira, a polícia disse ter prendido cerca de cem pessoas, após supostas ameaças de ativistas de que o grupo tentaria furar um bloqueio policial.
Na abertura da fase atual das negociações, entre ministros, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu claramente que os líderes fechassem um acordo. "A hora é de fazer concessões", disse o sul-coreano.
Líderes de quase 120 países chegaram nesta quarta-feira a Copenhague, entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participa de encontros fechados.