A dona oficial da empresa Cordeiro Lopes & Cia. Ltda., que recebeu R$ 64,8 milhões do Detran para emplacar carros, Vilma Pereira Araújo, é suspeita de ser laranja da fraude de emplacamentos que gerou um prejuízo de cerca de R$ 40 milhões ao órgão.
Ao depor em 5 de novembro na Corregedoria da Polícia Civil para o delegado Luiz Antônio Rebello, Vilma negou que a empresa fraudasse as prestações de contas de serviços enviadas ao Detran.
Disse que "nenhuma cobrança efetuada pela Cordeiro Lopes, hoje tida como a mais, foi feita sem a ciência do Detran, mais precisamente de seus diretores, doutores Ivaney e Ruy".
Vilma se refere aos delegados Ivaney Cayres de Souza, diretor do órgão de 2005 a 2007, e Ruy Estanislau Silveira Mello, diretor de 2007 a outubro de 2009 - Mello diz que isso nunca ocorreu em sua gestão nem na de Cayres. O que a dona oficial da empresa contou revelaria não uma fraude, mas um descontrole administrativo gigantesco no Detran.
Vilma confirmou conhecer o empresário Humberto Verre, dono da Casa Verre, que é investigada desde 1997 pelo MPE (Ministério Público Estadual) porque era contratada para fazer placas para o Detran sem licitação e por meio de emergência.
"Mandei apurar"
O delegado Ruy Estanislau Silveira Mello disse que nenhum dos pagamentos feitos à Cordeiro Lopes passaram por suas mãos. Mello disse que não foi o responsável pela licitação e assinatura dos contratos. Isso foi feito em 2006 na gestão do delegado Ivaney Cayres de Souza. A reportagem procurou Cayres, mas ele não se manifestou. Segundo sua assessoria, os contratos foram aprovados pelo Tribunal de Contas do Estado e tiveram parecer jurídico favorável da Procuradoria do Estado. Mello prorrogou duas vezes os contratos.
- Mandei apurar as denúncias que chegaram ao meu conhecimento. Informei tudo aos meus superiores, mas não podia rescindir os contratos enquanto a apuração não terminasse.
Ele disse que uma nova licitação estava pronta para ser feita quando saiu do Detran em outubro.
- Entreguei o cargo ao secretário (Antônio Ferreira Pinto). Não aguentava mais. Ele me ofereceu outro departamento. Recusei.