O ex-governador Ronaldo Lessa disse estar ansioso para o julgamento do acusado da morte de seu irmão, o delegado Ricardo Lessa. A sentença contra o ex-cabo da Polícia Militar de Alagoas, Everaldo Pereira da Silva, acusado de ser integrante da Gangue Fardada e indiciado como o autor do crime, que ocorreu em 1991, deverá ser anunciada amanhã, durante o mutirão da justiça, em Maceió.

O julgamento será presidido pelo juiz titular da 9ª Vara Criminal da Capital, Geraldo Amorim e devido à reforma do Código Penal pode ser realizado, mesmo sem o réu estar preso.

Lessa afirmou que apesar do crime ter ocorrido há dezoito anos, a condenação ainda é esperada com expectativa e que mesmo faltando apenas dois anos para a prescrição e independente do acusado não ter sido localizado, a morte do irmão não ficará impune, já que marcou as investigações e a dissolução da Gangue Fardada no Estado.

“Lamento pelo Everaldo ter fugido, porque a polícia alagoana avisou as autoridades de São Paulo. A fuga foi muito estanha, mas o julgamento tem que ser feito, assim como aconteceu com os outros envolvidos no grupo. A morte do Ricardo foi simbólica, apesar disso, nem o governo Bulhões nem o Suruagy teve interesse em esclarecer os fatos. A bomba só estourou em 1998, mesmo assim foi feito de tudo para absolver os responsáveis, porque eles tinham comando, não agiam de forma isolada e eram um grupo criminoso”, afirmou Lessa.

O ex-governador ressaltou que a impunidade gera a violência e que o irmão foi corajoso ao enfrentar uma organização criminosa. “Ele cometeu erros, ás vezes se excedia no exercício policial com movimentos sociais. Porém, era incorruptível, um homem sério. Espero que a morte do Ricardo não tenha sido em vão, por sua história de trabalho, dedicada à sociedade alagoana”.

Sobre a declaração do ex-cabo Everaldo, de que era um arquivo vivo e por isso temia se entregar, sendo aconselhado por seus advogados a deixar o crime prescrever, Lessa destacou que mais coisas seriam reveladas, caso ele fosse preso. “O sofrimento dele com a filha trouxe à tona outras questões. Ele e o genro, Lindemberg eram suspeitos de crimes em São Paulo, mas a polícia deixou pra lá, se calou. A condenação pode ajudar a descobrir fatos novos e se ele se declara uma prova viva é porque sabe de muita coisa, que envolve pessoas influentes”, disse o ex-governador.