Um policial militar a paisano sacou dinheiro na Loja Lotérica na Praça Deodoro. Tranqüilo, acendeu um cigarro e saiu na direção da Rua Dias Cabral e, antes de chegar ao Teatro Deodoro foi abordado por uma pessoa de terno e gravata, com a Bíblia na mão, que messianicamente o repreendeu por estar fumando.

- Não faça isso! Não estrague sua vida! Jesus de ama! Largue esse cigarro!

O policial, que é um jovem recém incorporado à PM, parou e riu. O evangélico – não sei se falso evangélico ou não – se aproveitou e deitou falação. Reproduziu textos bíblicos; citou passagens bíblicas e lhe fez a proposta de trocar o cigarro por uma bala (confeito) – que o policial educadamente aceitou. Jogou a guimba fora e saboreou a bala – que parecia de hortelã.

O evangélico prosseguiu na falação bíblica e insistia que Jesus o amava e que ele era um iluminado por ter aceitado Jesus de bom coração. Enquanto o evangélico falava esse policial militar, a paisano, começou a se sentir mal. Os lábios enrijeceram, a língua travou e a vista ficou turva.

Imediatamente, o evangélico chamou um táxi aos gritos:

- Meu irmão está passando mal. Táxi! Táxi! Leve meu irmão para o hospital.

Disse isso e também entrou no táxi, sem levantar nenhuma suspeita. Foram para o Hospital Geral do Estado. Lá, o policial foi medicado e, enquanto estava sendo atendido pelos médicos, o evangélico fingiu atender uma chamada no telefone celular. Aí, dirigindo-se ao taxista, explicou que teria de prestar outro socorro porque uma irmã estava passando mal. Pagou a corrida e sumiu.

Quando o policial foi liberado do atendimento, só aí percebeu que estava sem o dinheiro que havia sacado na Casa Loteria e sem o celular.

Gente: cuidado porque o Diabo também lê a Bíblia.
 

PS - Não revelo o nome do policial porque não fui autorizado. Mas, quem quiser comprovar é só ir ao HGE e pegar o registro da ocorrência.