O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Carlos Ayres Britto, espera que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vete dois pontos da proposta de reforma eleitoral aprovada no Congresso. Ele quer derrubar os pontos da reforma que permitem o voto em trânsito e que determina a impressão de parte dos votos dados nas urnas eletrônicas.

O ministro Nelson Jobim (Defesa) também disse que pediria a Lula que vetasse esses dois pontos. Jobim classificou de "injustificável" a decisão da Câmara de retomar a impressão dos votos e a possibilidade dos eleitores fora dos seus domicílios eleitorais votarem para presidente da República.

Ayres Britto conversou com o ministro da Justiça, Tarso Genro, para manifestar a sua expectativa do veto presidencial.

"Conversei com o ministro Tarso Genro dando ciência da preocupação da Justiça Eleitoral com esses dois específicos temas que reputamos prejudiciais ao bom funcionamento do sistema eleitoral brasileiro. Manifestei expectativa de que o presidente da República, estudando os temas, venha a vetá-los. São esses dois pontos do projeto de lei que mais nos trazem dificuldades operacionais irremovíveis", disse o presidente do TSE.

Pelas regras aprovadas, 2% das urnas devem ter um dispositivo para permitir a impressão do voto e garantir uma futura auditoria da Justiça Eleitoral a partir da eleição de 2014.

Para Ayres Britto, o voto impresso é um retrocesso para o processo eleitoral, uma vez que a checagem pode ser feita por meio eletrônico sem o gasto da impressão.

Ele disse que o voto impresso não tem sentido, considerando que já foi testado nas eleições de 2002 e resultou em atraso na votação e travamento das máquinas impressoras.

Voto em trânsito

A reforma permite o voto em trânsito para Presidente da República. Para Ayres Britto, essa medida é de difícil aplicação, pois exigiria o prévio cadastramento do eleitor --que deveria informar com antecedência se estaria viajando nas eleições.