Se a polícia militarizada não consegue dar conta da segurança pública, imagine a polícia sem disciplina. A entrevista do cabo Simas, presidente da Associação dos Cabos e Soldados, ao Bom Dia Alagoas desta quarta-feira deixa claro o objetivo da campanha pela desmilitarização da polícia.
Eles querem um palanque para fazer política no serviço público, sem o risco de punição. Ah, bom. Mas, falta honestidade para reconhecer isto.
O cabo Simas, que não na verdade quer ser vereador ou deputado, é um político fardado em plena campanha. Disse ele que não fez concurso para o Exército ou a Marinha, mas para a Polícia. O cabo faltou com a verdade ou esqueceu de dizer que ao prestar o concurso para a polícia sabia que seria regido por um Regulamento e não por Estatuto.
E qual a diferença entre Regulamento e Estatuto? É simples: o Estatuto é igual ao mantegueiro de hotel – todo mundo passa a mão. O Regulamento é preciso, ágil e justo; o Estatuto contém subterfúgios que protegem os faltosos e dificultam as punições.
O Regulamento proíbe a politicagem nos quartéis; o Estatuto transforma o quartel num palanque. O Regulamento proíbe a greve de militares; o Estatuto transforma o policial num bedel com direito à greve e piquetes.
Beleza!
Beleza para quem quer ameaçar a sociedade, no lugar de protegê-la. Beleza para eles que não querem ser mais regidos pelo Regulamento Militar, mas não abrem mão de continuarem recebendo soldos – que é diferente de salário e vencimento. Não querem ser mais regidos pelo Regulamento Militar, mas não abrem mão do direito às promoções que aumentam os soldos a cada divisa incorporada à farda.
Trocando em miúdos: soldado quer usar guarda-chuva. A desmilitarização da polícia encarregada do policiamento ostensivo é uma gravíssima ameaça à sociedade.