O futebol é apaixonante porque é o esporte mais difícil – que se assemelha ao jogo-de-guerra. Não são coincidências os termos tiro de meta, artilharia, ataque, defesa, arremesso, ponteiro, tática e tiro livre utilizados no linguajar futebolístico.

É o esporte que exige do praticante raciocínio rápido para a utilização das três partes do corpo; a habilidade do jogador de futebol depende do que ele pode fazer com a cabeça, o tronco e os membros numa decisão tão rápida quanto à velocidade da luz.

É difícil porque nem todos sabem praticá-lo; o jogador de futebol já nasce feito – ninguém ensina a jogar futebol. Este é outro ponto que alimenta a paixão, porque é um dom que Deus reservou para alguns. O fundamental, agora, é que esse dom divino que era manipulado para o sexo masculino rompeu a barreira do machismo; a Marta joga tão bem quanto qualquer jogador famoso do sexo oposto.

Há muitas mulheres boas de bola, iguais a Marta. Mas, fico com a Marta como representante de todas elas porque desejo homenagear neste momento o Sertão – esta região sofrida, para quem dedico verdadeira adoração. Marta é sertaneja de Dois Riachos e representa o sexo feminino alagoano na Seleção Brasileira.

E sendo dom de Deus, a aptidão para o futebol beneficiou Alagoas nos dois sexos; Cleyton Xavier, sertanejo de São José da Tapera, é o representante do sexo masculino alagoano na Seleção Brasileira.

São dois sertanejos, dois sobreviventes das tragédias alagoanas patrocinadas pelos desgovernos. Um herói e uma heroína sobreviventes da tragédia da desnutrição – que fez de São José da Tapera o município com o maior índice de mortalidade infantil do País; que faz de Dois Riachos um município paupérrimo e onde também se morre de fome.

Marta e Cleyton são os exemplos da frase eternizada por Euclides da Cunha, e da qual a memória nacional é farta em repetir apenas uma linha. Euclides da Cunha, no livro Os Sertões, cunhou muito mais que a frase o sertanejo é antes de tudo um forte. Ele disse, além disso, que o sertanejo era forte porque não se comparavam aos neurastênicos do Litoral.

Ah, ia esquecendo: e se o Arapiraca for campeão?