O ex-ativista italiano Cesare Battisti, que aguarda o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir entre o pedido de extradição feito pelo Estado italiano e o status de refugiado político concedido pelo governo brasileiro, disse que a Itália deveria adotar uma lei da anistia semelhante à do Brasil. As informações são da agência Ansa.

Condenado a prisão perpétua no país italiano por quatro homicídios cometidos na década de 70 e detido no Brasil desde 2007, Battisti respondeu às questões da Ansa por escrito, direto de sua cela no presídio da Papuda, em Brasília.

"A Itália que admira tanto o Brasil, que aprende tanto com o futebol de Kaká, Ronaldo e tantos outros, também poderia aprender com a experiência brasileira da anistia, que tanto contribuiu para a paz e a democratização do país", disse o ex-ativista.

Promulgada em 1979 pela ditadura, a Lei de Anistia brasileira beneficiou pessoas acusadas de cometerem crimes políticos entre setembro de 1961 e 15 de agosto de 79. Para a Justiça italiana, no entanto, o ex-membro da organização Proletários Armados pelo Comunismo (PAC) é um criminoso comum e não um perseguido político.

Foragido de seu país desde 1981, Battisti recebeu em janeiro deste ano o status de refugiado político do ministro da Justiça, Tarso Genro. Agora, aguarda o julgamento do STF, marcado para a próxima quarta-feira (9).

Sobre o julgamento, o italiano afirmou que está "disposto a tudo para fazer valer suas razões. Se o STF decidir que é necessária a minha presença no Plenário, eu irei".