No dia seguinte ao julgamento que livrou o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci de responder processo criminal pela quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, por 5 votos contra 4, o ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello avaliou que "a corda acabou estourando do lado mais fraco". A reportagem de Felipe Seligman está disponível para assinantes da Folha e do UOL.
Marco Aurélio foi um dos quatro ministros que votaram pela abertura da ação para investigar Palocci. Assim como Cármen Lúcia, Ayres Britto e Celso de Mello, ele entendeu que havia indícios suficientes para transformá-lo em réu.
"Se você perguntar a qualquer um do povo se ele acha que Palocci mandou quebrar o sigilo, verá que a sensação é de que ele tinha interesse nisso. Ele é o único beneficiado. Isso é de uma clareza solar. A corda acabou estourando do lado mais fraco, como sempre."
Os ministros vencidos argumentam que a denúncia continha todos os requisitos exigidos pelo Código do Processo Penal -a exposição do crime e os indícios contra os acusados.
Julgamento moral
Nesta sexta-feira (28), o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, disse que a Corte não fez um "julgamento moral", e sim "um julgamento técnico", do caso da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.
"Temos que estar atentos que o julgamento penal é um julgamento técnico. Não se trata de um julgamento de caráter moral", afirmou Mendes, para quem a absolvição de Palocci não pode ser encarada como um confronto entre pessoas simples e poderosas.
"As pessoas começam a colocar como se tivesse havido uma absolvição ou que o tribunal tivesse feito uma opção entre o poderoso e o caseiro. Não é nada disso", disse. "Parece que o crime só existiria se praticado pelo então ministro da Fazenda", afirmou.