Fontes da União Europeia (UE) informaram nesta terça-feira que o grupo aprovará ainda nesta semana novas sanções contra a Junta Militar que governa Mianmar (ex-Birmânia), por causa da condenação da Nobel da Paz e líder da oposição pró-democrata do país, Aung San Suu Kyi, 64, à prisão. Inicialmente, o veredicto foi de três anos de prisão e trabalhos forçados --pena que acabou reduzida para 18 meses de prisão domiciliar.

Fontes da UE disseram à agência de notícias Efe que está previsto que os 27 países do bloco aprovem as novas medidas na próxima quinta-feira (13) ou, no máximo, a próxima sexta-feira (14), por meio de um procedimento escrito. Esse novo conjunto de sanções que se juntará às atuais, que foram aprovadas em 1996 e são atualizadas regularmente.

Essas sanções foram revisadas pela última vez em abril passado, quando ficou decidido que centenas de empresas e pessoas vinculadas ao regime sofreriam diversas restrições, desde a concessão de vistos até as possibilidades comerciais e de investimento.

Com as novas sanções, a UE pretende responder à sentença contra a Nobel da Paz que a Suécia --atualmente presidente do bloco-- considera consequência de um processo judicial "injustificado". A UE "responde com medidas adicionais contra responsáveis do veredicto", afirmou a presidência sueca.

Na mesma linha, o presidente da Comissão Europeia (órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso, chamou a sentença de "injustificada e inaceitável". Barroso afirmou, em nota, que manter a prisão domiciliar com "motivos fabricados" representa uma violação dos direitos humanos e não ajuda nos interesses nacionais de Mianmar.

Condenação

Suu Kyi passou 14 dos últimos 20 anos presa e, com a nova condenação, está impedida de participar nas eleições nacionais que a Junta Militar promete realizar em 2010. Inicialmente, ela foi condenada pela Junta Militar que governa o país a três anos de prisão e trabalhos forçados por ter violado os termos da prisão domiciliar --depois, a pena foi reduzida para novos 18 meses em prisão domiciliar.[


No anúncio da sentença, nesta terça-feira, o ministro do Interior do país, general Maung Oo, disse que a pena de Suu Kyi foi reduzida com o objetivo de manter a "paz e a estabilidade" e por ela ser filha do general Aung San, o herói da independência do país, que foi assassinado em 1947.

Com um tradicional vestido birmanês de cor rosa e cinza, Suu Kyi, que permaneceu por todo o tempo com um semblante sério perante os juízes, conforme diplomatas presentes na sala, se despediu do tribunal com um "obrigada pelo veredicto".

Suu Kyi foi presa no último dia 14 de maio, ao lado de duas empregadas, depois de ter recebido, por dois dias, o americano John William Yettaw, 53, que chegou à casa depois de atravessar a nado o lago Inye, em Yangun, a despeito da vigilância dos policiais que guardavam a prisão domiciliar.

Diante do juiz, Yettaw disse que, durante um sonho, teve uma visão de que a ativista ia ser assassinada. Ele disse que foi à casa para adverti-la sobre o perigo. Yettaw tem epilepsia e outros problemas de saúde e, durante o processo, foi internado várias vezes para receber tratamento para diabetes e insuficiência cardíaca. Nesta segunda-feira (10), ele teve alta depois de passar uma semana internado.

O americano foi condenado a sete anos de prisão e trabalhos forçados por ter infringido as leis de segurança; mais três anos por ter violado leis de imigração; e um ano por ter nadado ilegalmente em um lago municipal de Yangun.

Mãe e filha que trabalham para Suu Kyi receberam a mesma pena da opositora, ou seja, 18 meses de prisão domiciliar.