A padronização do ensino nas escolas vem sendo questionada por educadores, já que a maioria das instituições começaram a priorizar um programa de disciplinas direcionadas para o vestibular, esquecendo a educação física, artes e a religião, por exemplo. Desta forma, a educação voltada para a cidadania e consequentemente a vida em sociedade não tem sido aplicada entre professores e alunos.
Neste contexto, para a formação de pessoas que participem da vida coletiva de forma consciente é necessário que a escola esteja voltada também para a construção de valores educativos e morais, o que segundo a pedagoga Denise Trindade já se transformou em um desafio.
Para ela, a educação precisa oferecer um leque de oportunidades para que o aluno assimile conceitos que serão importantes para as necessidades da sociedade. A pedagoga afirmou que o vestibular é uma seleção com um número restrito de vagas e como nem todos os estudantes passam isso mostra um descompasso no ensino.
“Esse assunto é muito polêmico porque é preciso formar cidadãos que também tenham consciência do seu papel. O vestibular foi pensando para oferecer poucas vagas, não é uma avaliação e sim, uma seleção onde nem sempre os mais capacitados são aprovados. Há estudantes com mais facilidade para determinadas disciplinas, por isso vemos uma desistência enorme nas faculdades”, afirmou.
De acordo com Denise esse modelo de educação começou a ser utilizado porque a continuação dos estudos se tornou uma regra para boa parte da população, além das exigências do mercado de trabalho. Para ela, o ensino passou a atender uma demanda que se espelha na possibilidade de conseguir sucesso profissional, por meio de um curso superior.
“Já há uma exigência pela graduação, não só pela questão financeira. Os pais querem ver os filhos cursando o nível superior e as escolas por sua vez, aderem a conteúdos dessa natureza. É uma briga contra essa lógica e não contra o vestibular. Algumas instituições fazem jogos internos, para estimular o esporte, também tão importante na formação. Mas quando não estão estudando os adolescentes ficam na internet ou vão a festas e bares. É difícil concorrer com esse tipo de coisa”, destacou.
Ela lembrou que a formação do cidadão está cada vez mais sob responsabilidade dos pais, sendo necessária uma família estruturada. “Não existe uma receita, mas deve haver um planejamento, não um controle de natalidade. Os pais devem saber se vão ter condições de dar ao filho uma boa educação. Isso é visto na classe média, porque entre as pessoas mais pobres as crianças vão nascendo e ás vezes freqüentam as aulas por causa do lanche. A escola é vista como uma esperança, mas está mecanizada”, lamentou.