Vilela diz: “Confio que o Brasil conhecerá Alckmin”. Eu afirmo: “Ex-governador, com todo respeito, eu aposto que o Brasil já conhece Alckmin”.

Arquivo 2356a9b4 b726 49bb 8819 76ac921cdd24 Ex-governador e ex-senador Teotônio Vilela Filho

A sensação possível – ao se ler as mais recentes palavras do ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) – é e que “ninho tucano” observa outra realidade, em outro tempo, enquanto o bonde do Brasil, que se faz no aqui e a agora, passa.

De forma bucólica, no trem dos acontecimentos, a janela pela qual o PSDB observa é de que tudo será resolvido e os tucanos terão o destaque que já tiveram. Não é levado em conta que as decisões políticas recentes acabaram por enfraquecer a legenda no cenário local e nacional. Em Alagoas, isso tornou a oposição firmada ao seu redor em uma “mãe” para a situação comandada pelo governador Renan Filho (MDB).

No campo nacional, só um exemplo: um esqueleto chamado senador Aécio Neves é colocado dentro de um armário cujas portas estão arrombadas pela realidade.

Voltando a Alagoas, sem muitas alternativas, Vilela nega o óbvio: a existência de desentendimentos na oposição formada por Democratas, PROS, PP e o próprio PSDB. Esses desentendimentos existiram. Agora, que se aparam arestas em nome das sobrevivências.

Logo de cara, por exemplo, o PR do deputado federal Maurício Quintella Lessa saltou do barco e foi se abraçar com Renan Filho para não naufragar.

Se atualmente esses partidos se unem – como já confirmaram o deputado estadual Bruno Toledo (PROS) e o deputado federal Arthur Lira (PP) – é uma questão de sobrevivência que foca muito mais nas eleições proporcionais. As duas majoritárias, ao Senado Federal, já são candidaturas distintas com Rodrigo Cunha (PSDB) e Benedito de Lira (PP). Muito dificilmente terão sentimento de grupo.

O PSDB já vai à terceira alternativa para compor a cabeça do que sobrou do grupo: a candidatura do vereador Kelmann Vieira (PSDB) ao governo do Estado. Vale salientar: ainda não há resposta dada por Kelmann. Se disser sim, ele pode reunir os partidos, pois o interesse destes há, já que se forma uma frente para eleger estaduais e federais. Se disser não, qualquer candidato-tampão cumprirá essa função, como cumpriu o prefeito de Palmeira dos Índios, Júlio Cézar (PSB) – guardando as diferenças das situações – em 2014, quando disputou o Executivo pelo “ninho tucano”.

A prefeitura de Arapiraca - de Rogério Teólifo (PSDB) – que poderia ser uma referência passa por graves problemas na gestão. O prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), na presidência do partido, se mostrou inábil e não concretizou o plano esperado. Tudo isso são baques dentro do tucanato e não podem ser ignorados.

Achar que está tudo bem, tranquilo, e que o PSDB continua tendo protagonismo no processo é tapar o sol com a peneira. Vilela, que tem um temperamento que o aproxima de uma esfinge, demonstrando um silêncio profundo em todas as circunstâncias, sabe muito bem disso em seu íntimo. Fora do pleito, participa de forma indireta. É natural que busque vender a versão de que a construção de um palanque majoritário de oposição vai bem.

Mas, a cada novo passo do PSDB, as chances de êxito diminuem. O relógio se encontra contra os tucanos.

Se possuem um candidato ao Senado – que é o deputado estadual Rodrigo Cunha – com densidade eleitoral, não se deve ao PSDB, mas única e exclusivamente à biografia de Cunha, que será, naturalmente, uma opção oposta a todos aqueles que possuem processos e investigações nas costas, o que inclui não apenas o senador Renan Calheiros (MDB).

Rodrigo Cunha na majoritária, por vezes, lembra muito mais um “estranho no ninho” e merece – até aqui – os elogios feitos por Vilela. Estão corretos. Mesmo que se discorde de algumas pautas que Cunha apoiou o levanta, não se pode dizer absolutamente nada de ruim de sua vida pública.

Aliás, o próprio Vilela também merece elogios. Eu sempre disse que sua gestão no governo – com várias falhas – teve pontos positivos.   

Vilela ainda fala da disputa presidencial enaltecendo o tucano e ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Aquele que teve preguiça (ou por motivos outros) de fazer oposição real ao ex-presidente condenado Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula (PT), quando este foi candidato à presidência da República.

Os debates presidenciais entre os dois foram pífios, demonstrando muito bem em que espectro político o PSDB sempre esteve: o da esquerda mais vegetariana, mas ainda assim à esquerda...

Alckmin é do PSDB que esconde o nefasto Foro de São Paulo, que se esquiva de pautas morais sérias ao país, que no cerne se aproxima daquilo que finge combater, sendo favorável à ideologia de gênero, ao desarmamento civil, ao agigantamento estatal e ao próprio estamento burocrático que toma conta do país.

Não por acaso se encontra onde se encontra nas recentes pesquisas eleitorais. Pode mudar? Claro! A pesquisa é um retrato de momento. Mas, acho muito difícil.

Não há nada de novo a oferecer em Geraldo Alckmin. Mais uma vez – no campo nacional – o PSDB se afasta dos problemas centrais do país. A briga do PSDB com o PT e demais esquerdas é uma luta de capoeira. Parecem golpes, mas é uma dança e ninguém se toca. Não por acaso ganhou o apelido de “estratégia das tesouras”. É que a tesoura tem duas lâminas, mas só corta em uma mesma direção.

Vilela diz: “Confio que o Brasil conhecerá Alckmin”. Eu afirmo: “Ex-governador, com todo respeito, eu aposto que o Brasil já conhece Alckmin”.

Estou no twitter: @lulavilar

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Um debate na ALE que merece atenção: diplomas universitários fraudulentos. Sugestão de CPI foi levantada!

Ascom ALE 13aff69c b866 4d85 bb74 87d7efdc3f9d Deputado Bruno Toledo

No dia de ontem, 15, o parlamento estadual conseguiu travar uma discussão que merece de fato atenção de órgãos fiscalizadores, incluindo o Ministério da Educação. Que o assunto levantado pelo deputado estadual Bruno Toledo (PROS) não morra ali e tenha sequência, pois de fato vários estudantes – sobretudo do interior do Estado – podem estar sendo prejudicados.

Toledo, ainda que sem citar as instituições de ensino, pois se trata de uma discussão preliminar – destacou que estudantes podem estar sendo ludibriados pelos “fast-foods” universitários que, mesmo constituídos de forma legal, não possuem autorização do MEC para atuarem em todas as unidades da federação. Com isso, oferecem cursos e, ao final destes, possuem dificuldades para a emissão dos diplomas legais.

Podemos estar diante de “fábricas” de emissão fraudulenta de diplomas de nível superior para alunos do interior do Estado de Alagoas. O parlamentar do PROS cobrou a realização de uma audiência pública como o primeiro passo para entrar de forma séria nessa discussão, já que o parlamento também possui prerrogativas de órgão fiscalizador.

O tema – conforme o deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB) – já foi alvo de uma proposição do tucano para que a discussão ocorresse, mas não avançou. Que Cunha e Toledo possam unir forças nesse sentido e encontrar apoio em outros parlamentares, em especial na Comissão de Educação da Casa de Tavares Bastos.

Outro deputado que se mostrou sensível à questão foi Inácio Loiola (PDT). O pedetista chamou atenção para o fato de ser uma prática que ocorre em todo o país. Classificou o assunto como “grave denúncia” que de fato merece atenção do poder público. De acordo com ele, em muitos momentos os cursos à distância são utilizados nesse sentido.

Toldo salientou que “a imprensa tem noticiado e tenho acompanhado denúncias sobre fraudes contra pessoas que cursam universidades à distância e estão sendo ludibriadas por falsas instituições. Trouxe esse assunto porque é missão desta Casa também entrar nesta questão. São alagoanos que estão sendo enganados”.

O deputado contou que, em conversa com o representante do movimento Diploma Legal, João Catunda, lhe foi relatado que o problema tem sido motivo de pânico nas famílias lesadas. “Há o investimento de tempo e de recursos financeiros e, depois de um longo período de estudos, voltam à estaca zero”, contou Bruno Toledo, acrescentando que em outros estados, a exemplo de Pernambuco, os estudantes lesados conseguiram que o Poder Legislativo abrisse uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso.

“Em Pernambuco, os estudantes foram prejudicados, tiveram os diplomas cassados. Alagoas está tentando agir na contramão dessa alternativa, tentando resolver o problema sem que as pessoas sejam prejudicadas”, informou Toledo.

(Com informações da Assessoria da Assembleia Legislativa)

Estou no twitter: @lulavilar

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

O PSDB é a "Terezinha" caída: o primeiro foi o prefeito, o segundo o deputado, o vereador ai dar a mão?

Foto: Vanessa Alencar/CM 7be445b3 d0a3 4ee1 9720 1ce44ee2c655 Kelmann Vieira

O tempo passa e o PSDB já vai à terceira opção na busca por um candidato ao governo do Estado. A primeira se foi com a desistência do prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), que preferiu, de forma legítima, seguir no mandato.

A segunda foi o deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB), que agora é candidato ao Senado Federal.

O terceiro é o vereador e presidente da Câmara Municipal de Maceió, Kelmann Vieira (PSDB), que – conforme informações de bastidores – “vai pensar para decidir”.

O PSDB, para 2018, faz uma paródia invertida da canção folclórica Terezinha de Jesus. Afinal, quem cai é o partido que busca quem lhe dê a mão. O sonolento partido tenta improvisar uma canção de Ninar que o acorde...

E segue assim:

“O PSDB de Alagoas

Da desistência do prefeito foi ao chão

Não acudiu Rodrigo Cunha

Que preferiu ter o Senado à mão

 

O primeiro foi prefeito

O segundo deputado, então

O terceiro é o vereador

Será que disputará a eleição?”

 

Kelmann Vieira sabe que é uma missão árdua. Como não será candidato a nada neste ano, pode assumir o posto sem tantos ônus. Já que ele vem como um “tampão” na tentativa de reagrupar um bloco que, a cada erro dos tucanos, se dissolve e vai cada um para o seu lado, poderia ser uma solução.

O PP do senador Benedito de Lira e do deputado federal Arthur Lira, por exemplo, já faz contas de forma solitária e dialoga com o PROS do deputado estadual Bruno Toledo sobre outros caminhos, outras possibilidades.

Vieira teria algo a ganhar se dissesse sim? Claro! Toda missão tem um preço. Como terceira opção sabe que já entra no processo eleitoral desgastado, ainda mais diante do favoritismo consolidado de Renan Filho (MDB). Assim, se unir em torno de si um grupo, Kelmann Vieira pode arrancar compromissos em médio prazo, como a disputa pela Prefeitura de Maceió em 2020.

É o que provavelmente foi oferecido – como efeito colateral – ao deputado estadual Rodrigo Cunha também.

O vereador pode ainda ampliar espaços dentro da administração municipal de Rui Palmeira, sem correr risco em relação ao mandato que ocupa hoje, já que segue sendo vereador por mais dois anos.

A opção Vieira pode ser interessante para Vieira. Semelhante ao ano de 2014, quando a opção “Júlio Cezar candidato ao governo pelo PSDB” se transformou na realidade “Júlio Cezar prefeito de Palmeira dos Índios anos depois”.

Não comparo as situações, mas digo sem medo de errar: o atual prefeito de Palmeira, mesmo sendo posto como o “só tem tu, então vai tu mesmo”, acabou lucrando com a empreitada.

Assim, Kelmann Vieira – amigo de Rui Palmeira – pode acabar ajudando ao prefeito a não ser tão coveiro de partido político assim! Agora, amigos são amigos, mas eleições são compromissos outros e que visam o futuro...

A Terezinha tucana que caiu aqui foi o ninho tucano pela inabilidade de Rui Palmeira, que fez o partido que desabar antes mesmo da eleição...

Estou no twitter: @lulavilar

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Valéria Monteiro: uma entrevista de uma “centro-humanista”, seja lá o que significa isso...

70dacd70 9ec2 40ba ad96 297d92f41c63

Os pré-candidatos à presidência da República deste país estão percorrendo o Brasil. É legítimo. Em Alagoas, dois deles passam por aqui por esses dias: Valéria Monteiro (PMN) – que sequer é citada em pesquisas, mas existe – e Guilherme Boulos (PSOL), que figura lá pela lanterna em qualquer que seja o cenário.

De passagem pela Terra dos Marechais, Valéria Monteiro concedeu uma longa entrevista à jornalista Vanessa Alencar. A jornalista tocou em pontos que considero vitais na discussão da disputa pelo comando da República (se é que no Brasil ainda merece esse nome...). As respostas de Valéria Monteiro é que são desastrosas, supérfluas, genéricas, em que pese alguns acertos.

Primeiro: tenta fugir do rótulo ao bancar uma postura mais isenta do “nem azul, em vermelho”, mas – no final das contas – abraça as principais pautas alinhadas à esquerda ao deslizar pela geléia do marxismo cultural sem precisar fazer esforço. Se de forma pensada ou mais uma consequência do momento, não sei...

Mas, vejamos:

Valéria Monteiro viaja pelo país no que denominou – conforme a entrevista – de “Caravana da Coragem”.  Um ponto positivo: segundo ela, tudo está saindo do próprio bolso: carro, gasolina, estrutura de pré-campanha etc. A pré-candidata diz que a decisão da pré-candidatura surge do direito de dar voz ao povo negligenciado e decepcionado com as opções da política tradicional.

O problema é que ao querer dar voz a esta parcela da população, a candidata vai contra o que pensa uma maioria dos eleitores, levando-se em consideração pesquisas de opinião.

Na questão do Estatuto do Desarmamento, por exemplo.

A maioria da população quer ter o direito – dentro de critérios objetivos e previstos em lei – ao acesso às armas de fogo, para que não sejam estas armas monopólios do Estado ou de bandidos. Ela é contra a derrubada do Estatuto. Ainda tenta fazer disso um maniqueísmo bobo, achando que quando é atacada por sua posição, são “haters” do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) que o fazem.

É uma questão de pura lógica entender o seguinte: na maioria das pesquisas de opinião, mas de 80% da população é favorável à derrubada do Estatuto do Desarmamento. Bolsonaro não possui essa capilaridade eleitoral. Simples assim.

Atribuir a discordância à simpatia ou defesa de um candidato é tudo, menos a realidade. É ainda desconsiderar que houve referendo cujo resultado foi desrespeitado pelo governo, fraudando assim a democracia que permite hoje que Valéria Monteiro lute para ser candidata. E há até mesmo estudos sérios como dos especialistas em segurança pública Bene Barbosa e Fabrício Rebelo que são anteriores a Bolsonaro.

Valéria Monteiro – que não quer ser de esquerda, nem de direita, se diz “centro-humanista”...seja lá o que isso for... – ainda se mostra favorável ao aborto ao assumir um discurso feminista. Fala da “questão de saúde pública” pouco importando que se trate de um feto com vida própria. Ela faz novamente o maniqueísmo como se do outro lado estivessem os insensíveis que não entendem o drama da mulher.

A questão não é essa. A questão é: Valéria Monteiro tem coragem de dizer que o feto não é uma vida humana e que pode ser descartado com a mesma facilidade que um amontoado de células qualquer? Em que momento começaria a vida para Monteiro?

A candidata fica na linha de isenção com posturas de esquerda. Valéria Monteiro “tucanou” a esquerda.

Em relação ao quesito da economia, a candidata mais parecia um “Boulos da vida” ao reclama dos 95% de riquezas acumulados por 3% da população. Quase acreditei que ela defenderia a revolução proletária marxista-leninista para mudar o quadro. Porém, mudou o tom no final da resposta.

O problema do Brasil é agigantamento do Estado e ausência de empreendedorismo, valorização do setor produtivo de forma ampla e sem conchavos, para que se gere emprego e renda.

O problema não é uma pequena parcela ser muito rica, pois riqueza gera emprego e melhora a vida de muita gente em gradações visíveis no corpo social. O problema é uma imensa parcela ser muito pobre, massacrada pelos impostos, sem vislumbrar alternativa a não ser depender do Estado que subtrai de todos com alta carga tributária e devolve migalhas aos mais pobres, incentivando uma subsistência ao invés de empreendedorismo.

A saída é pelo enxugamento do Estado, fomento do setor produtivo, competitividade, enfim... tudo aquilo que faz parte da compreensão do “livre-mercado” que é odiado pelos ideólogos brasileiros de plantão.

Mas, pelo menos, Monteiro toca em dois pontos que estão corretos: desburocratização e fomento do empreendedorismo. Nisso ela acerta, apesar das premissas equivocadas. Poderia ter acatado no quanto do PIB é gasto só para manter a estrutura de governo, no pacto federativo centralizador que temos e tantos outros pontos que são fraturas expostas.

Valéria Monteiro parece ter garra e saber o que quer, pois o partido não quer deixar que ela seja candidata. Respeito a coragem. Afinal, o PMN é mais uma dessas siglas nanicas de acordos e conchavos. Ela luta para consolidar sua posição até o próximo mês. É legítimo. Agora, se Valéria Monteiro quer ser a voz de uma multidão precisa entender aquilo que grande parcela desse país rejeita...e refletir mais sobre suas respostas!

Estou no twitter: @lulavilar

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Rodrigo Cunha redesenha o cenário para o Senado; oposição fica a ver navios

Ascom ALE/Arquivo 45ce22e4 13a0 49ca b146 4b9f381268a7 Deputado Rodrigo Cunha

Em sua decisão de concorrer ao Senado Federal, Rodrigo Cunha (PSDB) provoca uma reconfiguração na disputa pelas duas “nobres” cadeiras do Congresso Nacional. Cunha – queira ele ou não – entra como uma figura isolada no jogo e dificilmente fará uma dobradinha com algum nome, incluindo o aliado do prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), que é o senador Benedito de Lira (PP).

Seu discurso será outro. Será o homem isolado a combater as “forças que aí já estão”.

Rodrigo Cunha – portanto - é o adversário de todos. Sendo assim, não é o nome que agregaria a oposição. Só faria isso se fosse candidato ao governo do Estado de Alagoas, pois seria a cabeça de uma estrutura que teria o senador Benedito de Lira na disputa pela reeleição e outro nome qualquer a ser indicado para a segunda vaga da chapa.

É inegável que Cunha tem densidade eleitoral. Isto ficou provado em 2014, quando se candidato a deputado estadual pelo PSDB. Se esta densidade se ampliará e irá para além dos locais onde seu nome já é conhecido, como Maceió e Arapiraca, é outra história. O tucano disputa o chamado voto de opinião.

Com isto, deve entrar (acredito que as próximas pesquisas confirmem isso) no rol dos que disputam efetivamente a cadeira de senador, sendo um incomodo para Renan Calheiros (MDB), Maurício Quintella Lessa (PR), Benedito de Lira e Marx Beltrão (PSD). Rodrigo Cunha deve buscar um discurso que polarize com o senador Renan Calheiros (MDB). Nas redes sociais, após o anúncio de sua candidatura, este já foi um dos pontos levantados por muito de seus apoiadores.

Mas, se realmente investir nessa oposição será de forma solitária e não dentro de um sentimento de grupo. É aguardar. O fato é que Cunha é o que se chama na política de “nome leve”. Ainda guarda a imagem de um outsider no processo político, apesar de já ter comandado o Procon estadual e ser parlamentar na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, sem máculas como processos por corrupção.

Agora, com a decisão tomada, uma pergunta que cai no colo dos tucanos: o que o PSDB fará daqui para frente? É que se os aliados ainda aguardavam o tempo de Rodrigo Cunha para tomar uma posição, não precisam mais fazer isto. O PP do senador Benedito de Lira, por exemplo, pensa no caminho melhor para eleger Arthur Lira deputado federal e o próprio Benedito. Aliar-se ao PSDB pode não mais ser o melhor caminho.

As demais siglas estão focadas em suas candidaturas proporcionais. O PROS, por exemplo, tem pré-candidatos a estadual (sendo o mais forte o já deputado Bruno Toledo) e a federal. O Democratas tem a candidatura de José Thomaz Nonô à Câmara de Deputados como prioridade, mas também aposta no ex-secretário municipal Davi Maia para ocupar uma das cadeiras do Legislativo.  

O PSDB também tem seus interesses além de Rodrigo Cunha, como a eleição de Cibele Moura – filha do parceirão de Rui Palmeira, Abraão Moura – a deputada estadual e a disputa de Pedro Vilela ao cargo de parlamentar em Brasília (DF). Vilela buscará a reeleição. São interesses a serem conjugados dentro de uma oposição que não tem “cabeça”. Se ninguém que una esses partidos, começarão cada um a fazer cálculos por si mesmos. Pode nascer até uma via proporcional que não se importe mais com um nome a governo.

O PSDB ainda insistirá em ter candidato?

Rodrigo Cunha passa a ser o nome de maior evidência entre os tucanos. Porém, é um estranho no ninho. Não é segredo que optou pelo caminho, por exemplo, que os tucanos menos queriam. Tanto é assim que o PSDB trabalhou por todas as condições para que Cunha fosse ao Executivo. Até em um possível cenário de derrota, o deputado estadual seria abrigado como secretário de alguma pasta na administração de Palmeira e poderia trabalhar o caminho para se candidatar a prefeito da capital em 2020.

Cunha não quis. Optou por fazer ele mesmo sua biografia de maneira independente. Por sinal, o vocábulo “independente” aparece no vídeo em que anuncia sua pré-candidatura ao Senado Federal.

Em outras palavras, mesmo com Cunha candidato ao Senado Federal, o PSDB se esfacela e não consegue apresentar uma alternativa. E isto ocorre dentro de um partido que até pouco tempo atrás era o principal rival do MDB do governador Renan Filho e do senador Renan Calheiros.

E anotem isso para o futuro: um eventual êxito de Rodrigo Cunha não é sinônimo de vitória do PSDB.

Estou no twitter: @lulavilar

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Sales critica aumento do VLT. Ele está correto. Mas o vereador poderia lembrar do passado...

Assessoria/Arquivo 78cf20dc 39d9 40bb 8fa3 ae4c6de86761 Vereador Francisco Sales

Leio no blog da jornalista Vanessa Alencar que o vereador Francisco Sales (PPL) criticou – e com razão! – o aumento de 100% do valor da passagem do VLT em Maceió. A tarifa sai de R$ 0,50 para R$ 1,00. O vereador está correto ao chamar a atenção para o assunto, pois tem um peso significativo para o trabalhador, que passará a gastar por mês o dobro do que gastaria antes.

Para quem já recebe tão pouco e é sufocado por impostos nesse país, eis um peso absurdo na renda familiar. Sales faz uso da tribuna para reclamar de algo de extrema relevância. Ele ainda classifica o presidente Michel Temer (MDB) como um “miserável”. Temer é parte desse estamento burocrático que tomou conta do país e merece a alcunha só por isso.

Lembrando que miserável aí não é aquele que possui poucos recursos financeiros. Entre malas e aposentadoria, Temer vai muito bem nesse quesito. O miserável aqui é uma referência ao espírito. É a miséria moral mesmo!

Mas, Sales poderia ir mais fundo na questão, ao invés de ficar na superfície. Da forma como coloca, parece que só há problema agora e que o custo final da passagem já não é subsidiado desde sempre. Porém, acontece que no desarranjo das contas públicas ainda nos governos petistas, muitos órgãos já vinham perdendo recursos e muitas estatais estavam sendo carcomidas pela corrupção, pelos desmandos e pela incompetência.

Há governos petistas miseráveis, não é Francisco Sales? O senhor lembrou deles?

O resultado disso? Quem mais sofre é convidado a pagar a conta com o tempo, pois todo populismo deixa marcas. Então, vereador Francisco Sales, não é culpa apenas do presidente Michel Temer, mas desse estamento burocrático medonho que tomou conta do país e vendia uma ilha da fantasia nos programas eleitorais ao mesmo tempo em que escondia o que andava quebrando.

E nem escondia tanto assim. Em outubro de 2015, quando Dilma Rousseff ainda era presidente (já que ela só foi afastada em 2016), Marco Fireman – na condição de presidente nacional da CBTU - esteve em Alagoas para visitar as obras de expansão do sistema ferroviário e declarou que o órgão não tinha mais como arcar o subsídio. Isto, conforme Fireman, iria provocar o aumento de 100% no valor da tarifa, incluindo aí os trens mais antigos ainda utilizados no transporte.

Lembra disso, Francisco Sales?

Eis o que Fireman colocava: “oferecemos um serviço de qualidade com o preço baixo e que não paga todos os nossos custos. Há projetos e discussões para aumentar a passagem”. Era ou não era já um governo – a levar em consideração o critério usado por Sales – “miserável”? Fireman só salientou que o custo não aumentaria naquele ano. Em outras palavras, já era um projeto desde o governo anterior.

Ele ainda frisou prejuízos.

Em alguns locais do país, a Prefeitura assumiu o subsídio. Ocorreu no Rio de Janeiro, por exemplo.

Segundo os dados de 2015, em Alagoas 95% da passagem era subsidiada pelo governo federal e os investimentos a serem feitos não estavam dentro desse subsídio.

Há uma sequência de fatos a ser explorada em relação a este assunto. Seria interessante que Francisco Sales – já que levou o fato à tribuna da Casa de Mário Guimarães – solicitasse as informações quanto ao subsídio em relação aos últimos anos, que convocasse a CBTU e a Prefeitura Municipal para discutir o assunto. Será que não há espaço para um subsídio municipal ou outras soluções?

Uma audiência pública é válida para saber a razão pela qual o reajuste chegou agora e se há alternativas.

Entender o processo é muito importante, pois nos detalhes pode estar a solução para que o trabalhador que precisa do transporte realmente não sofra. Afinal, desde antes essa bola era cantada, mas no Brasil tudo fica para quando a bomba estoura. E aí, o miserável da vez – não que deixe de ser miserável por conta disso – é quem acaba sendo a personificação do único culpado.

Estou no twitter: @lulavilar

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Por que digo que Rui Palmeira é o coveiro do “ninho tucano”? Por ser metáfora cabível!

Lisa Gabriela/CadaMinuto 724cf91a b31e 474b 9759 bbde71d4b44a Rui Palmeira

Desde que o prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), resolveu não ser candidato usei de uma metáfora aqui: assumiu a presidência do partido para ser o coveiro do “ninho tucano”. É óbvio ululante – como diria Nelson Rodrigues – que é uma metáfora.

Não remeto ao funesto, mas sim ao fato de sepultar expectativas de aliados e ao mesmo tempo jogar uma bomba no colo dos tucanos em Alagoas que, em um primeiro momento, se viram sem alternativas.

Não digo com isso que Rui Palmeira deveria ser o candidato ou que só ele poderia assumir esta missão. Longe disso! Palmeira tem todo o direito de não disputar a governo estadual. Aliás, é até compreensível que opte por continuar sua administração para a qual foi eleito em 2016.

No entanto, ainda na campanha de 2016, seu nome já aparecia como um dos “players” de 2018. Desde então, dentro de uma reflexão legítima, Palmeira foi dúbio.

Criou-se, ao seu redor, um bloco oposicionista que esperava por sua posição. Era natural que o prefeito de Maceió tivesse um compromisso para com esse. Mas, ao desistir da candidatura fez esse gesto de forma estabanada, açodada – em que pese o tempo que passou pensando – sem preparar o próprio grupo que o seguia.

Perdeu, logo de cara, o aliado Maurício Quintella Lessa (PR), que era ministro dos Transportes e voltou ao cargo de deputado federal.

Na época de indecisão, já havia perdido o PDT.

Rui Palmeira se mostrou inábil politicamente.

Agora, ao fim do mandato, corre o risco de um ostracismo. Isto já foi dito até por um dirigente tucano: Claudionor Araújo. Comentei sobre isso no blog. Palmeira poderia ter preparado o terreno entre os aliados e assim, o grupo já poderia estar unido em torno de uma segunda opção, que poderia já ser – por exemplo – o deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB). Aposto que o nome de Cunha uniria o grupo.

Os partidos aliados ficaram como baratas tontas a fazer cálculos ao mesmo tempo em que sofriam pressão do governador Renan Filho (MDB) para entrar na arca calheirista. Ou não? O PSDB foi ficando isolado e, somente agora, tenta reagrupar o que restou na dependência da decisão de Rodrigo Cunha. Este provavelmente concorrerá ao Senado Federal, o que é importante para o PSDB, mas não tão importante para o grupo quanto tê-lo candidato ao governo do Estado.

Isto tudo com a outra administração municipal tucana – a de Rogério Teófilo em Arapiraca – passando por problemas junto à opinião pública. É claro que Palmeira não tem culpa disso, mas em política todos os fatores são levados em conta já que uma candidatura majoritária nunca é uma candidatura de si mesmo, mas de um conjunto.

O PSDB repete o erro cometido pelo ex-governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB), em 2014, quando não conseguiu construir uma forte candidatura para lhe suceder.

As principais lideranças tucanas ficam fora do pleito de 2018. Rodrigo Cunha é o único nome com viabilidade para uma majoritária, mas está mais focado em seus projetos políticos que no partido. Isso é visível e legítimo por parte dele.

Não se trata – portanto – de uma acusação ou xingamento ao prefeito. O coveiro em questão é metafórico para representar que, ainda que sem querer, Rui Palmeira jogou terra no PSDB, enfraqueceu a legenda e abriu portas para que não houvesse uma oposição em Alagoas ao governador Renan Filho e ao senador Renan Calheiros (MDB).

Claro que há terceira via, mas nem ela se encontra plenamente estruturada, quiça com a capilaridade necessária nesse momento. Se vai crescer, aí é com a história e cada eleição tem a sua.

Ressaltar a importância de uma oposição em um processo democrático não é concordar com ela.  Mas entender que qualquer hegemonia é prejudicial ao processo democrático, pois se reduz a crítica e a situação se sente acomodada.

Um processo democrático sadio tem que ter correntes políticas que favoreçam opções, ainda que estas sejam quase iguais (como é o caso histórico de Alagoas). Quanto se tem uma só vertente, os males disto serão vistos no futuro, inclusive criando um parlamento estadual bem mais subserviente do que o que já é.

Repito: a decisão de Rui Palmeira é compreensível e legítima. É o que disse desde sempre. Mas a forma como ele conduziu o processo, ocupando o principal cargo do principal partido do bloco opositor, foi de uma falha política terrível. Pode-se acreditar em tudo, menos que Rui Palmeira é inexperiente.

De perfil tucano, é um sujeito reflexivo, uma esfinge. Esperava-se que daí surgisse também uma inteligência política capaz de articular o xadrez. Afinal, o próprio tucano disse que estaria no processo direta ou indiretamente. Até agora não está presente nem de um jeito nem de outro.

Estou no twitter: @lulavilar

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

A nota de Adeílson Bezerra tenta mostrar um PRTB coeso após as brigas internas

Foto: A Notícia Ea7e76c3 37ee 439a 985b 41fcd30bbbc7 Presidente do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), em Alagoas, Adeilson Bezerra

Como fui um dos primeiros a tratar do tema aqui neste blog, trago para o leitor a nota oficial do presidente estadual do PRTB, Adeílson Bezerra, em que ele comenta as insatisfações internas do partido e faço algumas considerações sobre o dito.

É que as conversas internas aqui reveladas caíram como uma bomba dentro da legenda!

Antes disso, destaco: a nota de Bezerra faz referência ao que foi mostrado por este blog, quando vazaram conversas de pré-candidatos a deputado estadual no grupo de whatsapp do PRTB.

Alguns pré-candidatos se sentem insatisfeito com a entrada de nomes da legenda que possuem maior potencial eleitoral que estes. Além disto, reclamam da possibilidade de coligações com partidos como MDB e PTB, por estes possuírem pré-candidatos já detentores de mandato.

Um dos causadores das insatisfações é o ex-prefeito de Marechal Deodoro, Cristiano Matheus, que acabou sendo “banido” do grupo por decisão sumária de Adeílson Bezerra. Matheus – entretanto – segue no partido.

Eis a nota. Tomei conhecimento dela no blog do Edvaldo Júnior (Gazetaweb). Lá, o jornalista diz que a nota é fruto de conversas vazadas que foram mostradas por um “blog local”. O blog local é este aqui. Leiam o que diz de Bezerra:

“A direção executiva do PRTB em Alagoas vem a público para reiterar que o partido segue coeso e atento a todo o processo preparatório das eleições de 2018.

As definições sobre a formação das chapas serão tomadas na convenção, que será realizada dentro do período estabelecido na legislação eleitoral.

No entanto, só serão aceitos como candidatos os filiados do PRTB que mantiverem disciplina partidária e respeitarem os compromissos preestabelecidos no ato de filiação. Aqueles filiados que preferem disseminar a discórdia, prejudicando o interesse coletivo do grupo, serão excluídos do processo.

A definição das chapas proporcionais continuará, como tem sido até o momento, sendo discutida em reuniões quinzenais com os pré-candidatos, que poderão opinar na formação da chapa ou coligação.

Maceió, 4 de maio de 2018

Adeilson Bezerra

Presidente da Comissão Executiva Estadual do PRTB em Alagoas”

Comento:

Adeílson Bezerra diz, na nota, que o PRTB segue coeso. Não é o que se observa nos discursos de filiados como Dudu Albuquerque e outros que se encontram preocupados com as negociações em andamento.

Existem sim diálogos com o MDB e com o PTB.

A “cauda” formada pelos votos do PRTB é algo atraente a outros partidos que pretendem disputar cargos proporcionais e que possuem pré-candidatos com densidade eleitoral. É o caso do PTB do deputado estadual Antônio Albuquerque.

Este fato já havia sido comentado e se tornou notório a partir das conversas internas do grupo de pré-candidatos que vazaram. É verdade, entretanto, que as coligações serão feitas apenas dentro do período que a legislação eleitoral permite. Todavia, os diálogos se iniciam antes e Bezerra sabe disso, tanto que conduz o processo neste sentido. E é justamente isso que gera as insatisfações.

Sobre fidelidade ao partido e aos compromissos firmados, eis que é aí justamente onde está a discussão aberta. Alguns membros do PRTB afirmam que o acordo de não ter gente com mandato disputando dentro desse bloco é que foi quebrado, provocando uma desunião para quem apostava em uma igualdade de condições na disputa pelo mandato. É isto que hoje o PRTB tem que equacionar. Será a grande tarefa de Adeílson Bezerra.

Se Bezerra fala que há filiados querendo causar discórdia, é válido também frisar: nos trechos da conversa o único filiado nesse perfil era Cristiano Matheus.

Por fim, a situação do PRTB mostra um retrato comum às legendas pequenas espalhadas por esse país: sem uma linha programática definida, sem convicções claras do ponto de vista ideológico e/ou de valores, acabam sendo apenas espaços que existem em função da mais pura matemática eleitoreira. As discussões se resumem a isso. Logo, não é segredo porque no Brasil há tantos partidos que não representam nada além de tempo de televisão, equação eleitoral e fundo partidário.

Estou no twitter: @lulavilar

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Candidatura de Cunha ao Senado não agrega oposição e pode trazer problemas para o PP

Ascom ALE/Arquivo 45ce22e4 13a0 49ca b146 4b9f381268a7 Deputado Rodrigo Cunha

A imprensa local já repercute a futura decisão a ser tomada pelo deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB) em relação ao cargo que vai disputar nas eleições de 2018. O parlamentar deixou vazar que já tomou uma posição: disputará uma candidatura majoritária. A dúvida agora é se será o Senado Federal ou o Governo do Estado.

Pelos bastidores, a informação é de que Cunha já optou por disputar o Senado Federal e aguarda o retorno do prefeito de Maceió e presidente do PSDB estadual, Rui Palmeira, para informar publicamente a sua decisão já com o apoio do ninho tucano.

Para Cunha, uma opção viável diante do quadro. É um nome que se soma ao jogo com capilaridade relevante e que – de fato – pode ameaçar projetos consolidados. Entre estes, o de Renan Calheiros (MDB), que busca sua reeleição. É um bom projeto pessoal e com chances.

Naturalmente, há de se construir um antagonismo entre Cunha e Calheiros.

Todavia, se Rodrigo Cunha for ao Senado Federal sua candidatura não agregaria a oposição que ainda resta como agregaria uma candidatura ao Executivo.

É que, por ser eleição majoritária, da mesma forma como Cunha seria rival de Renan Calheiros, seria do senador Benedito de Lira (PP), já que dificilmente o deputado estadual compraria o discurso de dobradinha com o PP. Este é um ponto a ser levando em conta. Lira é um dos aliados dos tucanos.

Outro dado é que Cunha na disputa pelo Executivo favoreceria a construção das chapas proporcionais unindo várias forças ao redor de um único grupo, que sairia mais fortalecido, recuperando espaços perdidos quando Rui Palmeira desistiu de disputar o governo contra Renan Filho (MDB).

Por isso tantas apostas – inclusive do dirigente tucano Claudionor Araújo – para que Cunha dispute a cadeira de Renan Filho.

Inclusive, a candidatura de Cunha ao governo mudaria as estratégias de candidatos proporcionais para disputarem as vagas da Câmara de Deputados. Logo, a candidatura do tucano ao Senado Federal não agrega a oposição.

Ele se torna mais um no barco contando apenas com sua própria biografia. É semelhante ao que seria na disputa pela cadeira de deputado federal.

Vale ressaltar: tudo isso ocorre pela inabilidade de Rui Palmeira ao anunciar sua saída do jogo sem preparar o xadrez político, dialogando com os aliados. Palmeira assumiu o comando do PSDB e acabou sendo um “coveiro” das estratégias que o partido poderia ter no pleito.

Estou no twitter: @lulavilar

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

"Print amigo" mostra insatisfações no PRTB e "problema" com Cristiano Matheus

Foto: CadaMinuto/Arquivo 69467a3d 5745 43fc bc07 14836d6e3835 Cristiano Matheus, prefeito de Marechal Deodoro

O pequeno PRTB de Alagoas – liderado pelo advogado Adeílson Bezerra – encontrou uma fórmula para fazer cadeiras nos legislativo estadual e federal a cada processo eleitoral: aglutinar pessoas de pretensas densidades eleitorais semelhantes e, a partir daí, que elas disputem entre si para ocupar os espaços nos parlamentos.

É essa ideia que Bezerra tem “vendido” aos que ingressam no partido. Porém, há insatisfeitos na legenda, o que tem gerado conflitos internos, uma vez que os que chegaram primeiro correm o risco de ficar de fora das negociações para a composição de coligações.

Além disso, alguns candidatos fazem contas e alegam que o dirigente partidário acabou descumprindo o prometido, pois nomes como o do ex-prefeito de Marechal Deodoro, Cristhiano Matheus seria forte do que alguns outros, tendo vantagem na corrida eleitoral e se aproveitando da densidade dos demais.

Esta discussão – externando insatisfações – se deu até no grupo de Whatsapp dos pré-candidatos do partido e envolveu o próprio Matheus. O ex-prefeito acabou sendo removido do grupo pelo próprio Adeílson Bezerra para não causar discórdias.

Por conta das confusões em uma casa cheia, há quem diga – nos bastidores – que alguns dos nomes que seriam apostas no PRTB podem acabar desistindo de suas candidaturas para não virarem escada para outros postulantes tidos como mais fortes.

No grupo, Matheus disse que “se elege quem tem voto” para responder as críticas e ainda defendeu candidaturas de Marcos Barbosa, Antônio Albuquerque e outros, seja por meio de coligações ou da própria legenda.

Os nomes citados acabaram por desagradar a turma.

Um dos membros se referiu a Adeílson Bezerra destacando o seguinte: “Não acredito que o presidente, mais uma vez, vai fazer às escuras mais alguma novidade. Primeiro foi a questão da filiação sem o grupo acatar e agora a coligação (com o MDB) seria um golpe baixo. Quero acreditar no presidente e dar uma chance a ele para mostrar que nosso partido é independente”.

Matheus defende um chapão com o MDB e outros partidos, por isso os nomes citados por ele. “Sou defensor do chapão”, colocou o ex-prefeito.

Outro nome responde: “Eu estava pensando que com os meus 10 mil votos, eu ficaria numa boa suplência, aí a Flávia, Breno, Bruno e mais uns dois virariam prefeitos, aí sobraria dois anos para o líder aqui. Com essa ideia do Cristiano, com meus 10 mil votos, vou ser o último suplente”.

Dudu Albuquerque também bate de frente com Cristiano Matheus na legenda. “Quem decide a coligação somos nós”, arrematou. “O clima entre a gente deve ser de ânimo de amigos, quem deve estar incomodado são os deputados com mandato porque nosso grupo ficou bom e não tem partido que dispute melhor que o nosso”, conclui Dudu Albuquerque.

Matheus ironiza ao afirmar que essa era a conversa e que inclusive não entraria no partido algumas figuras como ele, que acabaram entrando. Dudu Albuquerque diz que não aceita aliança com Marcos Barbosa e “nem coligação que tenha deputado com mandato”.

O ex-prefeito de Marechal Deodoro – na sequência – ainda revela que o grupo não queria a candidatura de Fátima Canuto e de Jairzinho Lira pelo PRTB. Com isso, conclui: “Se ficar p... é pior”.

Até o deputado estadual Bruno Loureiro se mete na história e faz críticas a Matheus.

O clima fez com que Adeílson Bezerra tivesse que remover Cristiano Matheus da conversa. “Senhores (as), esse grupo foi criado para fomentar a união entre todos e não provocar discórdia. Somos alvo de fogo amigo e inimigo a todo instante. Que fique claro: quem define coligação são vocês”. Segundo Bezerra, o partido pode eleger seis deputados estaduais e pelo menos um deputado federal. Ele chamou esse projeto de “cláusula pétrea” da legenda.

O fato é que há insatisfações com diversos nomes, como o de Matheus, o de Fátima Canuto, dentre outros. Isso pode acabar gerando desistências no PRTB, conforme fontes.

Estou no twitter: @lulavilar

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.
Comercial (82) 3313.6040 (82) 99812.2189 comercial@cadaminuto.com.br
Redação (82) 3313.2162 (82) 99664.2221 cadaminutoalagoas@hotmail.com