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Blogueiro do Cada Minuto

Postado em 23/01/2017 às 14:18 0

Concurso no Tribunal de Contas do Estado virou “promessa” e motivo para pedir mais dinheiro


Por Lula Vilar

Crédito: Ascom TCE

Presidente do TCE, Rosa Albuquerque

A atual presidente do Tribunal de Contas do Estado de Alagoas, Rosa Albuquerque, concedeu uma longa entrevista ao jornal Tribuna Independente. Entre vários assuntos abordados, mais uma vez entrou em pauta a realização de um concurso público para o órgão. Só que diferente de Lessa, que havia prometido um, Rosa Albuquerque crava: é praticamente impossível.

Assim que o ex-presidente Otávio Lessa assumiu o cargo, concedeu uma entrevista a este blog. Na época, Lessa também falou sobre concurso público. Diferente de Rosa Albuquerque que disse que a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) é um empecilho para realização de um concurso público, Lessa assumiu o compromisso.

Eis o que Lessa disse na época: “Nós vamos fazer concurso público. A discussão agora é saber quantos funcionários nós poderemos colocar por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal”. Ou seja: LRF era, naquele momento, um elemento complicador que limitaria a quantidade de vagas, mas não um impeditivo por completo.

O fato é que muitos funcionários do TCE são oriundos de antes da Constituição de 1988. Por isto que Otávio Lessa dizia que o concurso era “necessário”. Eis outra fala dele naquele momento: “Para você ter ideia, no nosso departamento de engenharia, tem um engenheiro para o Estado inteiro. Como é que você pode fiscalizar obras com apenas um profissional fazendo auditorias? É impossível. Precisamos lançar o concurso”.

Otávio Lessa encerrou sua gestão, mas sem concretizar seu plano neste sentido. O fato é que agora Rosa Albuquerque já enxerga a Lei de Responsabilidade Fiscal como um impeditivo e já mandou o recado: vai precisar de mais dinheiro. Segundo ela, o atual duodécimo inviabiliza concurso público. Diz mais: “já recebemos informações que nossa situação está complicada e não devemos conseguir concluir o ano sem uma suplementação”.

Pela LOA, o Tribunal de Contas do Estado de Alagoas terá um duodécimo de R$ 89.807.892.

Parece quem em épocas de crise, todo mundo quer mais um pouco!

Rosa Albuquerque reconheceu deficiências que já haviam sido apontadas por Otávio Lessa na gestão passada: problemas com recursos humanos. Há segundo ela uma carência de pessoal diante do volume que está inatividade. O detalhe é que o Tribunal já passou por discussões passadas sobre a existência de “servidores fantasmas”. Lembram?

Mas Rosa Albuquerque – afirmando que levantamentos ainda estão sendo feitos – versa sobre o problema fiscal gerado pelo pagamento dos inativos que continuam fazendo parte da folha do Tribunal. “Estamos, em virtude disso, praticamente no limite da exigência da Lei de Responsabilidade Fiscal e isso nos impede de fazer concurso, de ter uma nova oxigenação”, disse ela em entrevista à Tribuna.

“O nosso servidor efetivo é quase que em sua totalidade remanescente de 1988, antes mesmo da Constituição e quem veio antes, já é mais tempo. Temos funcionários preocupados com as novas regras previdenciárias. Antes tinham aqueles que preferiam ficar e tinham a vantagem do abono permanente, pois só ficaria mais cinco anos”, explica ainda. .

Ela finaliza:“A nossa situação é um pouco delicada, se não tivermos uma atitude bastante urgente para resolver essa questão, vai ficar bem difícil pra gente tocar a atividade fim do Tribunal”. Para quem sonha com concurso no TCE ainda não é desta vez. De forma mais urgente, Rosa Albuquerque quer mais dinheiro para o órgão.

Estou no twitter: @lulavilar


Postado em 19/01/2017 às 11:51 0

Associar conservadorismo ao nazismo é ignorância pura! Critiquem as posturas pelo que elas realmente são, ora bolas!


Por Lula Vilar

Uma das obras citadas neste texto: Os Ditadores de Overy

Na mente do ignorante o que não é esquerda, dentro de um espectro político, torna-se automaticamente de extrema-direita. Tal sujeito sequer reflete que está dentro de uma guerra cultural definida nos termos de teóricos como Antonio Gramsci e Saul Alinsky (quem tiver dúvidas que os leia) que faz questão de colocar de um lado “os pulhas” e do outro o “monopólio das virtudes”.

O ignorante sequer nota que “extremos” estão presentes em todo lugar, formando uma “imaginação totalitária”, que foi muito bem definida pelo escritor e professor brasileiro Francisco Razzo, em sua obra A Imaginação Totalitária.

Lá, percebemos que esta imaginação se faz dentro daquele que acredita ter todas as soluções para os problemas do mundo que envolve a complexidade humana, sendo assim, tudo que discordar de sua visão deve ser combatido e exterminado de uma forma ou de outra, seja fisicamente – como fizeram os atrozes regimes revolucionários do século XX – ou por meio dos assassinatos de reputações.

O idiota útil é o soldado nesta marcha insana a propagar todo tipo de mentira sobre quem quer que seja. Uma destas mentiras é afirmar que toda posição de direita é um extremismo que resulta em mortes e perseguição.

Além de ser uma mentira, é uma completa inversão de realidade que cria uma paralaxe cognitiva (quando as ideias não se encaixam na realidade). Por isto o sujeito – inocente e/ou canalha – faz questão de esquecer-se do stalinismo e seus milhões de mortos, das perseguições com fuzilamentos do regime cubano (professado pelo próprio Che Guevara em reunião da ONU), o comunismo chinês, a situação Coréia do Norte e por aí vai...

O que estes regimes possuem em comum? O controle total do Estado sobre o indivíduo, exterminando as liberdades individuais, de expressão e até de professar um credo. Lá, todo inimigo é um contra-revolucionário. Sendo assim, um sistema totalmente opresso se apóia em uma causa que julga ser o “monopólio das virtudes”, cria um culto ao líder, e transforma toda e qualquer divergência em extremo perigo, que há de ser combatido com a morte destas pessoas. Qualquer semelhança com o nazismo não é mera coincidência.

Mas como o incauto, o ingênuo e o idiota útil não possuem conhecimento, mas arrota saber mandando os outros estudarem, desconhece isto e é incapaz de fazer comparações absurdas. O canalha faz tudo isso de propósito por ser canalha. Os primeiros são histriônicos frutos da mentalidade revolucionária. Os segundos são maquiavélicos por propagarem a mentira de forma consciente.

Por isto que ao ler a recente matéria do Terra que busca associar o nazismo ao conservadorismo não sei se é burrice, ingenuidade ou canalhice de quem escreveu. Diz o Terra que a Polícia de São Paulo identificou grupos neonazistas. Se forem neonazistas que respondam por isto, por fazerem apologia ao crime e defenderem uma ideologia nefasta. Nosso Código Penal trata do assunto, como também abre o leque para processar esquerdistas que xingam os outros de nazistas e fascistas atribuindo a estes crimes por conta de divergências. Sou favorável aos processos em ambos os casos. Lugar de nazista é na CADEIA!

Porém, a “reportagem” vai além. Por conta própria diz o texto: “Dentre as possíveis causas para essa tendência estão o cenário político no Brasil, o fortalecimento de partidos conservadores e de extrema direita no exterior e a situação de desemprego e instabilidade econômica, segundo policiais e especialistas ouvidos pela BBC Brasil”. Em momento algum as investigações policiais afirmam isto. A conclusão é toda do veículo de comunicação para fazer a associação absurda entre o nazismo e o conservadorismo, colocando este ainda como uma extrema-direita. Conta com a ajuda de uma antropóloga.

Primeiro ponto: um conservador – dentro do espectro político – jamais será de extrema-direita. Ele diverge da esquerda. Por qual razão diverge? Bem, quem se propuser a leitura de Edmund Burke, Russell Kirk, Roger Scruton, Michael Oakeshott e outros perceberá que o conservadorismo é uma postura filosófica antes de ser política.

Ele se apóia na crença de que a Filosofia – como pensadores feito Aristóteles – tem uma função contemplativa para se buscar a verdade e o entendimento do mundo, enxergando a complexidade humana por meio de questionamentos metafísicos, dando a este uma dimensão que o transcende na busca por um sentido.

Sendo assim, o conservador discorda da visão da esquerda em uma premissa básica: não acredita em utopias nem que um aspecto (a economia) venha a definir todo o humano. Não acredita que seja possível que por meio da razão articulada se possa ter fé demasiada que a política (feita por homens com defeitos e virtudes) possa resultar em um paraíso terrestre. Porém, reconhece: é a política um instrumento que pode garantir conquistas e mudanças positivas para a sociedade. Para se garantir isto é preciso respeitar as conquistas tidas no passado, uma escala de valores morais, ter prudência com as mudanças bruscas, desconfiar dos atos revolucionários e guardar certo ceticismo em relação aos “salvadores da pátria”. Quem é conservador de verdade pensa assim.

Portanto, conservador de verdade não cultua líder! Se o faz, precisa repensar seus atos.

Segundo ponto: a postura conservadora – ao avaliar as conquistas que garantiram as liberdades individuais – defende, como faz Bastiat em seu livro A Lei, que o espírito que rege a legislação seja o de garantir a igualdade de todos respeitando as diferenças individuais, reconhecendo que há uma tradição e uma cultura que rege uma comunidade, bem como valores, e que estes não podem ser atropelados por um “ser iluminado”, que acredita ter a fórmula do mundo melhor. Desta forma, uma das conquistas vislumbradas pelo conservador é o que permitiu a evolução do Ocidente, chegando ao Estado Democrático de Direito, o reconhecimento do direito à vida a todo e qualquer cidadão, o direito à propriedade, o respeito à lei e as convenções constituídas por meio de um norte moral.

Daí o conservador em sentido filosófico defender que o Estado não pode ter exageros em seu papel coercitivo ao ponto de se fazer presente em todos os aspectos da vida humana, decidindo inclusive quem podem viver ou morrer por conta de credo, etnia, sexo ou o quer que seja. Tanto é assim que foi Bastiat (autor elogiado entre conservadores) um dos primeiros a defender – dentro da democracia – o sufrágio universal. Tanto que isto faz com que conservadores defendam menos Estado e mais liberdade individual, reconhecendo os aspectos positivos do liberalismo econômico. Apenas há uma divergência com liberais no que diz respeito à visão de liberdade, pois conservadores não a enxergam como um princípio absoluto. Razão pela qual existem – graças a Deus – divergências sadias nos espectros que não são de esquerda e lá, nem tudo é extremo.

Assim como nem toda esquerda é extremista.

Se há dúvidas, leiam os autores que aqui cito. Como diz Groucho Marx, não acreditem em mim, mas nos seus olhos. Mas, o que faz o Terra não permite que o leitor discuta a postura conservadora. Porém, faz a associação imediata incabível. Por que incabível? Ora, quando se defende menos Estado e mais liberdades individuais o que se está defendendo é o completo oposto de qualquer regime totalitário, seja o comunismo, nazismo ou o fascismo. Pois, em todos estes, o Estado se colocava como o controlador de tudo e quem não concordasse era inimigo do Estado. Conservadores defendem justamente o contrário.

Se o cidadão que escreveu a matéria tivesse ao menos lido Terras de Sangue de Timothy Sidney veria um estudo profundo sobre as semelhanças entre as práticas da URSS de Stalin e a Alemanha de Hitler, com os campos de concentração e a condenação de crianças, inclusive. Esta, por sinal, é a parte mais chocante do livro. Mas este não é o único estudo. O historiador Robert Gelatelly também nos oferta o precioso estudo Era da Catástrofe Social em que se debruça sobre a semelhança dos regimes e seus extremismos na crença em estados totalitários.

Se for pouco para a “mente sábia” que associa conservadorismo e nazismo, aconselho Os Ditadores de Richard Overy, onde se mostra inclusive a semelhança entre as pessoas que estavam no comando destes regimes: ambos com Estado fortíssimo, desrespeito às liberdades individuais, desprezo pela vida humana, crença em utopias, controle de imprensa, perseguições, terror e medo. Ocorre isto justamente por terem abandonado princípios como o da prudência que é detalhado por Russell Kirk em A Política da Prudência. É só ler.

Acontece que, no Brasil, a única “direita” aceita é a social-democracia representada pelo PSDB. Porém, a social-democracia tem raízes nas ideologias de esquerda. Quem duvida disto leia o próprio Lênin em “Esquerdismo...”, depois completem a leitura com Gramsci e Robert Service. Deste último, o livro Camaradas mostra a construção destas ideias para a evolução da chamada esquerda democrática. Por isto que nem todo esquerdista é stalinista ou leninista. Com honestidade intelectual, reconheço isto. Pena que a honestidade não é recíproca em muitos casos.

Talvez Camaradas seja a obra mais completa sobre o assunto. A falta de estudo nos leva a escrever aberrações com amplo alcance, como é esta da matéria do Terra.

Mas, vamos a exemplos práticos: Viktor Frankl – que é um pensador caro aos conservadores em sentido filosófico – foi uma das vítimas do nazismo. Deixou como legado Em Busca de Sentido dentre outros relatos onde mostra a crueldade deste estado totalitário. Usa de sua experiência pessoal para ajudar milhões de pessoas a buscarem a voz interior, suas liberdades de consciência e um sentido, como se vê na teoria da Logoterapia e Análise Existencial. Vejam a qualidade dos homens nos quais conservadorismo se apóia. Não é o único! Não podemos esquecer a luta de Thomas Sowell pela clarificação do conceito de liberdade, respeito ao indivíduo, às comunidades e aos seus valores. Isto pode ser visto em Conflito de Visões e Os Intelectuais e A Sociedade.

Olhe que aqui nem citei a contribuição magnânima das obras de Theodore Dalrymple ao criticar o progressismo, como faz em A Vida Na Sarjeta. A leitura de todas estas obras mostrará o quão o Terra foi infeliz.

Mas, vamos deixar os conservadores falar por si mesmos:

Edmund Burke: “Para o triunfo do mal só é preciso que os bons homens não façam nada”.

Edmund Burke: “É um erro popular muito comum acreditar que aqueles que fazem mais barulho a lamentarem-se a favor do público sejam os mais preocupados com o seu bem-estar”.

Edmund Burke: “Todos os opressores atribuem a frustração dos seus desejos à falta de rigor suficiente. Por isso eles redobram os esforços da sua impotente crueldade”.

Roger Scruton: “O homem que diz que a verdade não existe está pedindo para que você não acredite nele. Então, não acredite”.

Roger Scruton: "O conservadorismo advém de um sentimento que toda pessoa madura compartilha com facilidade: a consciência de que as coisas admiráveis são facilmente destruídas, mas não são facilmente criadas. Isso é verdade, sobretudo, em relação às boas coisas que nos chegam como bens coletivos: paz, liberdade, lei, civilidade, espírito público, a segurança da propriedade e da vida familiar, tudo o que depende da cooperação com os demais, visto não termos meios de obtê-las isoladamente. Em relação a tais coisas, o trabalho de destruição é rápido, fácil e recreativo; o labor da criação é lento, árduo e maçante. Esta é uma das lições do século XX. Também é uma razão pela qual os conservadores sofrem desvantagem quando se trata da opinião pública. Sua posição é verdadeira, mas enfadonha; a de seus oponentes é excitante, mas falsa."

Roger Scruton: “Apenas uma pessoa tem direitos, deveres e obrigações; apenas uma pessoa age por razões além das causas; apenas uma pessoa merece nosso louvor”.

Russell Kirk: “Variedade e diversidade são as características de uma grande civilização”.

Russell Kirk: “Justiça significa que todo homem e toda mulher têm direito ao que lhes é próprio – às coisas que melhor se adaptam à sua própria natureza, às recompensas de sua capacidade e integridade, à sua propriedade e à sua personalidade”.

Estas são apenas algumas dentre tantas frases entre tantas obras. É claro que se pode criticar a postura conservadora. A liberdade é também a defesa de que alguém possa discordar do que o outro pensa e apresentar teses mais variadas, pois tal debate é sadio. Logo, toda postura filosófica ou política pode ser alvo de críticas. Todavia, a honestidade intelectual consiste em criticar algo pelo que ele realmente é. O que se faz na matéria do Terra é criar um espantalho. O pior é que a matéria ainda recorre a uma antropóloga que é tão superficial quanto quem escreve o texto. Por qual razão não buscaram um pensador conservador para também dar a sua visão?

Temos eles no Brasil, como o professor de Filosofia Rodrigo Jungmann, o escritor Aurélio Schommer, o médico estudioso Hélio Angotti, o escritor Fausto Zamboni, o autor aqui citado Francisco Razzo, o cientista político Bruno Garschagen, dentre outros. Muitos estão entre os mais vendidos com suas obras. Como então desconhecê-los?

O que temos é o cenário perfeito para se culpar uma postura sem sequer querer explicá-la. Desonestidade intelectual pura!

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Postado em 18/01/2017 às 12:16 0

Renan Filho veta projeto que permite que policiais exerçam atividade remunerada privada


Por Lula Vilar

foto: Cada Minuto

Renan Filho, governador de Alagoas (PMDB)

O governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB), vetou o projeto de lei de número 228/2016 que altera o dispositivo do Estatuto do Pessoal da Polícia Civil de Alagoas permitindo que policiais exercessem atividade remunerada privada.

De acordo com o chefe do Executivo Estadual (em mensagem encaminhada ao presidente da Assembleia Legislativa, Luiz Dantas (PMDB)), “a proposição que visa permitir que o policial civil exerça atividades remuneradas privadas, modificando o seu regime jurídico de dedicação de decisão exclusiva ao serviço público” padece de vício por inconstitucionalidade formal.

Renan Filho argumenta que o projeto afronta a Constituição Estadual, uma vez que são de iniciativa privada do governo do Estado às leis que disponham sobre o regime jurídico, provimento de cargos, estabilidade e aposentadoria de civis.

Além disto, na visão do governador, há uma violação aos princípios republicanos e da separação de poderes. “Essas, Senhor Presidente, são as razões que me levaram a vetar totalmente o Projeto de Lei nº 228/2016, por inconstitucionalidade formal, as quais submeto à apreciação dos Senhores Membros da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas”.

Este não é o único veto do governador. Ele também vetou “o projeto que institui habitação social, programa social de formação, qualificação e habilitação profissional de condutores de veículos automotores”.

A proposta do parlamento prevê isenção de taxas públicas referentes aos serviços prestados pelo Departamento de Trânsito de Alagoas (Detran/AL) relativos à obtenção, adição e mudanças de categorias das CNHs, bem como à aquisição de autorização para ciclomotores. Mais uma vez é argumentado a inconstitucionalidade e o impacto relevante nas contas do Estado de Alagoas.

Renan Filho afirma que, com isto, se “institui programas e projetos não incluídos na Lei Orçamentária Anual e Plano Plurianual”. Os vetos serão analisados pelo Legislativo.

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Postado em 18/01/2017 às 11:57 0

As denúncias que adormecem no STF: Collor será réu ou não?


Por Lula Vilar

foto: Repórter AL

senador Fernando Collor de Melo

Não raro tenho cobrado aqui a celeridade em relação aos inquéritos – oriundos da Operação Lava Jato – que envolvem o senador Renan Calheiros (PMDB). A impressão é que em alguns casos os inquéritos andam de Ferrari, em outros num fusquinha capenga.

Cobrar isto não é fazer prejulgamento, mas permitir que – em um Estado Democrático de Direitos – as coisas andem com a devida celeridade para que saibamos se tais figuras públicas cometeram ou não crimes, serão condenadas ou absolvidas. São culpadas ou inocentes diante das denúncias feitas e seus indícios.

Mas, é claro que não se trata apenas de Renan Calheiros.

Vejam só o caso do senador Fernando Collor de Mello (PTC). A coluna Radar – de Veja – lembrou muito bem lembrado que a denúncia contra Collor se encontra com Teori Zavascki desde 21 de agosto de 2015. Foi quando foram formalizadas as primeiras acusações.

Ainda não houve análise da denúncia que versa sobre o pagamento de R$ 30,9 milhões em propina. Collor alega inocência. Quem não se lembra das trocas de farpas com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot? Um embate que pareceu novela!

O inquérito original já foi até aditado. Afinal, que se decida se Collor será réu ou não. É o que vale também para o senador Renan Calheiros e todas as demais figuras públicas deste dramalhão que é o maior escândalo de corrupção da República.

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Postado em 18/01/2017 às 11:36 0

Idoso é assassinado quando entregava doações. É que nem todos são “Silas Malafaias”


Por Lula Vilar

Eis mais uma cena infeliz e corriqueira no nosso país: bandidos armados atacam pessoas que buscam fazer o bem completamente, mas se encontram desprotegidas; estejam estas onde estiverem! Desta vez, um idoso de 67 anos de idade foi assassinado por um criminoso quando fazia doações em uma creche, na cidade de Nossa Senhora do Socorro, em Sergipe. Aqui a notícia!

De acordo com as informações da policia local, a vítima (sim, ainda existe diferença entre vítima e bandido!), retirava as doações do veículo, quando o assaltante se aproximou e anunciou o assalto.

Primeiro, o senhor foi alvejado na perna. Como as reações humanas são inesperadas diante de situações como estas, a vítima ainda foi atrás do criminoso. Já dentro do carro roubado, o bandido atirou no tórax do homem. Ele foi socorrido, mas faleceu. Quer apostar quanto que a ação do cidadão que foi vítima será usada para reforçar o discurso: “Também, ele reagiu!”. O cara é vítima de quem estava disposto a matar e matou. Fim de papo. Só existe um lado errado nessa história: O BANDIDO!

Como se observa, o Estatuto do Desarmamento não desarmou o criminoso e ainda lhe garantiu a fácil ação, já que no local não havia seguranças (o que custa caro e nem todos podem ter. Nem todos são o pastor Silas Malafaia!), nem qualquer pessoa que pudesse reagir à altura. O Estado, por sua vez, não consegue garantir a segurança de todos o tempo todo.

Logo, como o criminoso não cumpre lei alguma mesmo, arma-se como quer e ataca como bem entende, já que estamos como cordeirinhos entregues. Não é segredo que o bandido busca agir diante do menor risco possível de ser pego ou morrer, mesmo estando pronto para tudo.

Os mais velhos lembrarão que – em épocas passadas – quando viajavam, pediam para um vizinho ou um amigo acender as luzes de sua casa durante a noite para parecer que havia gente ali. O bandido – por não saber se lá dentro existiam pessoas armadas ou não – pensava duas, três ou mais vezes antes de agir. Em estabelecimentos comerciais, a mesma dúvida imperava: terão armas? O intento criminoso será fácil?

Não digo que isto acaba com a criminalidade, pois bandido é bandido! Estou dizendo que criam barreiras. Porém, o que temos hoje em dia é a certeza da inexistência de qualquer obstáculo. No caso das residências, por exemplo, tanto melhor se existirem pessoas em casa, pois o bandido as obrigará a abrir cofres, mostrar onde guardam bens preciosos (como jóias) etc. Uma realidade que não é muito debatida.

O fato é que desde o Estatuto do Desarmamento a criminalidade e as mortes por arma de fogo só aumentam e vivenciamos uma realidade pior que a anterior. Não importa – na discussão pública – que existam estudos que mostrem que o armamento civil não tem correlação com o aumento do número de homicídios (no Brasil, mais de 60 mil por ano), pois o que importa é uma “inteligência” baseada no que o escritor Theodore Dalrymple afirmou ser o “sentimentalismo tóxico”.

Este “sentimentalismo” é o responsável pela inversão da lógica mesmo diante dos dados expostos. E ainda com mentiras das mais falaciosas, como: o sujeito que tem arma em casa fica mais refém dos bandidos e pode ainda ter sua arma roubada, indo esta parar na mão dos criminosos.

Pois bem, quais estatísticas sérias comprovam que a maioria dos homicídios no Brasil se dá por armas legais que foram roubadas em assaltos a residências? Acaso as pessoas andam estocando fuzis em casa? Afinal, o que vemos é uma bandidagem cada vez mais armadas com armas mais potentes que sequer são permitidas ao cidadão, diante das regras rígidas brasileiras. Algumas sequer são usadas pela polícia no combate diário à violência.

O senhor idoso entra para as estatísticas. E o que é pior: tais dados ainda serão usados para se afirmar, como se faz ano a ano, que a culpa é das armas de fogo e não do bandido. Reforçará o discurso de que “armas matam”, quando estas são também instrumentos de defesa. Quantas não são as ações criminosas que são evitadas porque alguém com uma arma legalizada estava no local? Todavia, estas são escondidas do discurso dominante, prevalecendo apenas aquelas em que as vítimas possam justificar o discurso desarmamentista fazendo das tragédias um mote para as falácias.

Estou no twiiter: @lulavilar


Postado em 17/01/2017 às 12:21 0

Entrevista com Bene Barbosa: “Quanto mais armas, mais crimes é uma mentira. É simplista, bocó”



Foto: Divulgação

Bene Barbosa

O colunista do CadaMinuto, Bene Barbosa, concedeu entrevista ao canal do músico Nando Moura. Ele toca em vários temas relacionados ao armamento civil. Com argumentos, dados e apoiado em vasta literatura, Bene Barbosa discute com profundidade o tema e relembra ainda o que o governo fez no passado ao desrespeitar o resultado do referendo e impor o desarmamento civil à população.

Vale muita a pena assistir. Não vou me alongar no texto. Os melhores argumentos estão no vídeo.


Postado em 16/01/2017 às 15:59 0

Calheiros afasta possibilidade de ser ministro, mas não ficará apenas como "mero" senador


Por Lula Vilar

Crédito: Vanessa Siqueira

Senador Renan Calheiros

Para bom entendedor meia-palavra basta. Então, as declarações do presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB) – em entrevista à imprensa alagoana, na manhã de hoje – mostram que ele não vai assumir ministério no governo Temer, mas ocupará posição estratégica no Senado Federal. Afinal, não pode perder poder.

Renan Calheiros disse que não foi sequer convidado pelo presidente Michel Temer (PMDB) para assumir o Ministério da Justiça.

O assunto circulava pelos bastidores. Porém, segundo Calheiros não passou de especulação.

Ele disse que não ocuparia o mesmo cargo duas vezes (ele já foi ministro da Justiça na época do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB)), com exceção – evidentemente! – do mandato de Senador e da presidência do Congresso Nacional. Tanto é assim que Renan Calheiros trabalha para a sua reeleição sabendo que terá uma árdua batalha pela frente, tanto no cenário nacional, quanto no local.

No campo nacional, Calheiros é alvo de inquéritos na Operação Lava Jato. Isto pode atrapalhar seus planos. Localmente, tem pela frente que costurar alianças que lhe garantam um cenário tranquilo diante da possibilidade de enfrentar tantos postulantes ao Senado. Um deles é oriundo de seu próprio partido: o ministro do Turismo, Marx Beltrão (PMDB).

Renan Calheiros também falou dos planos para depois do mandato de presidente da Casa. Não revela muita coisa, mas diz que não pretende ser mais um senador. Prepara-se para uma nova missão. Ao estilo Renan Calheiros dá a entender que o partido quem decidirá. Não é bem assim! O grande articulador disto é o próprio Renan Calheiros. Só não enxerga quem não quer.

De acordo com os bastidores, as possibilidades são a liderança do PMDB na Casa ou então a presidência da Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Mas eis a fala de Renan: “Faremos a eleição para a nova Mesa do Senado e vou aguardar o posicionamento da bancada para que me diga qual a missão que vou cumprir pelo parlamento nacional”, salientou. Calheiros se disse pronto para retomar os trabalhos “em benefício de Alagoas”.

O presidente do Senado também confirmou que já começaram as articulações que miram o ano de 2018. “Tenho conversado com os partidos”. A construção destas alianças passa também pela reeleição do governador Renan Filho (PMDB) e pela busca de enfraquecer o outro lado, que é capitaneado pelo PSDB do prefeito Rui Palmeira e do ex-governador Teotonio Vilela Filho. Do lado de lá, já existe uma parceria firmada com o senador Fernando Collor de Mello (PTC) e com o também senador Benedito de Lira (PP).

Além deles, Rui Palmeira – caso se candidate ao governo – terá como aliado o ministro Maurício Quintella Lessa (PR). A disputa será entre dois fortes grupos pelo que se desenha no cenário.

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Postado em 13/01/2017 às 11:47 0

Saída de Wyszomirska da pasta da Saúde volta a ser especulada


Por Lula Vilar

Foto: Vanessa Siqueira

Rosângela Wyszomirska

A insatisfação do governador Renan Filho (PMDB) com os rumos da pasta da Saúde já foi comentada várias vezes em diversos órgãos de imprensa. Nos bastidores, ela sempre circulou desde seu primeiro ano de mandato.

De acordo com os bastidores, o governo avalia que a secretaria não anda bem e caminha de forma lenta diante daquilo que o Executivo quer. Foi o calcanhar de Aquiles dos primeiros momentos da gestão, convivendo com desabastecimento de unidades, dentre outros problemas de cunho burocrático.

A atual secretária Rosângela Wyszomirska chegou até a trocar farpas com o ex-secretário da gestão do ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) por conta de informações sobre a pasta. Os rumos da pasta já foi debatido em audiência pública no parlamento estadual. A titular da pasta reclamou, desde que assumiu, de diversos problemas e lutou para resolver alguns.

O fato é que – conforme bastidores – a hora da mudança parece ter chegado. Alguém próximo a Renan Filho confidenciou que o chefe do Executivo estadual já pensou em mudanças, mas queria fazer uma substituição definitiva. Não queria um “tampão”. Entre os nomes, já foi posto na imprensa a possibilidade de Antonio Pinaud ocupar a cadeira.

Agora, segundo a Labafero, outro nome que surge é o de Helder Lima. Vale lembrar que as informações não são oficiais e Renan Filho nunca demonstrou a insatisfação publicamente. Mas, vale o ditado: onde há fumaça, há fogo.

No caso de Helder Lima, ele ocupa a Secretaria de Desenvolvimento e Turismo e atuou como adjunto da Fazenda até o ano de 2015. É uma pessoa de extrema confiança do governador. O fato é que a saída de Rosângela Wyszomirska sempre foi uma das mais especuladas.

Uma coisa é fato: o assunto foi tema de um recente almoço do governador no interior do Estado.

Estou no twitter: @lulavilar


Postado em 13/01/2017 às 11:20 0

Estadão se espanta com aumento de porte de armas, mas é ínfimo e não há ligação com crimes



A Coluna de Andrezza Matias e Marcelo de Moraes do Estadão se surpreende com o registro de um aumento de 19% em portes de armas concedidos em 2016. Dizem isto para dizer que apesar do Estatuto do Desarmamento, os portes continuam sendo emitidos. Não falam isso literalmente, mas o sentido é este.

Primeiro ponto: quem for à Polícia Federal para obter o porte vai se deparar com uma série de critérios (por sinal, critérios existem na proposta de lei de Rogério Peninha). Todavia, tais critérios ainda passam pelo crivo do artigo 6º da Lei 10.826/2003, que PROÍBE o porte em TODO território nacional, salvo em casos excepcionais. Sendo assim, o porte é exceção a ser decidida de forma discricionária.

Você pode se enquadrar em todos os critérios exigidos, mas se a PF – seja por que motivo for – entender que você não é um caso excepcional, não há o direito concedido. Pois, é preciso que você demonstre – pela lei que vigora hoje – que possui efetiva necessidade por exercício da atividade profissional de risco ou ameaça à sua integridade física. Entendeu? Além disto, atender as exigências postas pelo artigo 10º da Lei 10.826/2003.

Se há dúvida, eis o que diz o site da Polícia Federal: “O porte de arma de fogo tem natureza jurídica de autorização, sendo unilateral, precário e discricionário. Assim, não basta a apresentação dos documentos previstos em lei se o requerente não demonstrar sua necessidade por exercício de atividade profissional de risco ou de ameaça à sua integridade física”.

Fora disto há as condições – igualmente dificultadas – para o caso do caçador de subsistência.

Segundo ponto: É por isto que os 19% que parecem assustar os colunistas nada mais são que 1.641 portes concedidos no ano passado contra 1.378 no ano de 2015. Número que os autores da nota registram. Ora, se são estas armas que representam perigo, relacionem os crimes cometidos por pessoas que estão com elas. Mostrem, efetivamente, que se trata de assassinos, pessoas que cometeram latrocínio, assaltantes, estupradores e por aí vai.

Creio que estes 19% não se submeteriam a tal crivo se precisassem da arma para cometer crimes, pois o criminoso não segue qualquer lei.

Agora, vejam os Estados que lideraram os registros de arma de fogo: Rio Grande do Sul e São Paulo. No ano de 2015, o Rio Grande do Sul ocupava a 23º posição e São Paulo era o menos violento com 12,7 mortes por 100 mil habitantes. Lembrando, nem todos esses assassinatos se dão por arma de fogo. Dos que se dão por arma de fogo procurem saber quantos foram cometidos por quem tem porte e se encontra com a arma devidamente registrada.

Os números apresentados pelo Estadão, portanto, só confirmam que ter um porte de arma é privilégio concedido a poucos de forma discricionária. Que o número de emissões perto das pessoas que possuem condições de ter o porte é insignificante. Que os homicídios cometidos por arma de fogo são feitos por bandidos que não respeitam, nem nunca respeitarão, o Estatuto do Desarmamento.

Pois se vê claramente que bandidos não seguem a lei. Não é surpreendente esta descoberta? Enquanto isto, pessoas idôneas se submetem à legislação por mais que ela seja rígida para garantir seus direitos e andar conforme o que rege o Código. Andar em conformidade com a lei é o que faz quem não tem pretensão alguma de cometer crimes.

Sendo assim, se há algo de eficiente no Estatuto é desarmar o cidadão honesto e, ao mesmo tempo, garantir ao bandido o monopólio de armas que sequer a polícia tem acesso. Desconfio, inclusive (mas não posso afirmar!), que tais portes concedidos podem ser virtude dos “amigos do Rei” já que os critérios se tornam subjetivos pela margem de entendimento posta pelo vocábulo “discricionário”.

O susto dos colegas jornalistas com tal aumento é injustificado. Ou melhor, se justifica pelo “sentimentalismo tóxico” de quem ainda associa armas de fogo a crescimento da violência, quando existem muitos estudos que mostram que uma coisa não está ligada a outra. Pois, são vários fatores. Entre eles, a certeza de que o bandido terá terreno livre para o crime. Aconselho aos colunistas e a quem tem dúvidas um único livro: Mais Armas, Menos Crimes do estudioso no assunto John Lott.

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Postado em 13/01/2017 às 10:29 0

Um apelo: que o Executivo e o Legislativo reeditem a obra de Tavares Bastos! É importante para os dias de hoje.


Por Lula Vilar

Nunca escondi o quanto admiro a obra do alagoano Aureliano Tavares Bastos (1839-1875). Aposto que se tivesse nascido na Europa seria um dos homens a dialogar e a debater com intelectuais importantes como o irlandês Edmund Burke “em pé de igualdade”, por meio de suas obras. Digo mais: a oratória de Tavares Bastos, sua capacidade de escrita e argumentação ao falar sobre o perigo do Estado coercitivo e outros temas é algo no nível de um Bastiat, Thomas Paine, John Adams e por aí vai...prova de que, se valorizássemos tais pessoas, não ficaríamos devendo em nada aos importantes estrangeiros.  

A inteligência de Tavares Bastos é notória na simples observação de seu currículo. Viveu até os 36 anos de idade, mas produziu muito. Aos 20, já conquistava – com mérito – o doutorado nas ciências jurídicas. Duas obras de Bastos são importantíssimas e creio que, apesar de soarem datadas, possuem uma enorme importância aos dias atuais. São elas Cartas do Solitário e A Província. É possível perceber ali sua visão de futuro, quando argumentava pela prosperidade de um federalismo descentralizado. Tal discussão remete aos documentos clássicos dos federalistas e antifederalistas americanos: o debate que pautou a formação dos EUA.

Para os dias atuais, tal debate feito por Tavares Bastos serve de reflexão sobre as mazelas do nosso pacto federativo, que é o que muito municipalista não consegue discutir com competência.

Em A Província, Tavares Bastos – alagoano que me faz ter orgulho de meu Estado – argumenta que o que caracteriza o homem é “o livre-arbítrio e o sentimento de responsabilidade que lhe corresponde”.

Por esta razão, diz ele que ao suprimir o norte moral (que não deve ser imposto por um ente estatal, mas reconhecida a sua existência mediante as experiências da civilização), tudo tende a ruir por não mais haver distinções entre o certo e o errado, o herói e o tirano. Por isto, a nação perde – segundo ele – “todo o interesse” pelo que “aviventa a tragédia humana”. Deixam de transmitir “o sagrado depósito da civilização”.

Não era um conservador em sentido filosófico, como deixou claro em sua obra, pois assumia uma postura liberal, porém com desconfiança em relação aos processos revolucionários que tendiam, na visão posta por ele, ao totalitarismo ou à anarquia. Todavia, absorvia do conservadorismo a importância do norte moral e o respeito às conquistas civilizacionais.  

Tanto assim que via o progresso como o fruto da soma das realizações individuais, pois defendia a existência, no corpo social, de um ente real (pessoas) e um ente imaginário (Estado). Jamais achava que tal progresso benéfico poderia ser fruto de uma razão articulada ou de uma única mente iluminada.

Defendeu que a base moral dá sentido aos entes reais chamando-os à responsabilidade para com a comunidade da qual fazem parte. Segundo ele, quando o Estado toma a dianteira daquilo que é uma conquista civilizacional, ganha o poder de subverter a lógica para privilegiar quem se encontra no comando.

Concluiu que “nos dias nefastos em que o poder se encontra fortemente concentrado, move mecanicamente uma nação inteira” levando todos aos “estado social da inércia, do desalento”. É que desprovidos de responsabilidades e de ímpeto próprio, o cidadão aprende a esperar que o Estado lhe dê tudo e o trate como uma criança a espera de uma babá que lhe ensine o certo e o errado.

Por isto que Tavares Bastos classifica o poder centralizador e o totalitarismo como “estéreis e infelizes, negligentes e corrompidos”. Diz ainda que nesse quadro existirão aqueles que “contestam com incorrigível obstinação” os que lutam por liberdade. Estes serão alvos daqueles “cuja cegueira jamais deteve a marcha fatal das revoluções”. Eis que é necessário “limitar o poder, corrigi-lo, desarmando-o das faculdades hostis à liberdade”.

“Não! Nós não exageramos nem a deplorável situação moral criada pela centralização, nem a perversidade de suas técnicas políticas. Ela começa corrompendo e acaba anarquizando”, frisa. Na visão de Tavares Bastos, por este motivo o federalismo adotado nos EUA (ainda que não o cite literalmente) era exemplo, ao contrário do que ocorria na Europa. Tavares Bastos era um republicano, mas muito diferente daqueles que proclamaram a República deste país. Muito, mas muito diferente mesmo.

Aí, eu pergunto: o que aconteceu com os EUA um século depois de seus escritos? O que ocorreu com a Europa? Pois, ele escreveu antes de muitos acontecimentos históricos...e o que vem ocorrendo com os EUA ao se afastar da discussão que o fundou?

Por estas e outras, eu me indago a razão do nosso Executivo estadual – tendo gráfica própria – não encampar a reedição destas obras, trazendo para um português de nossa época e com as devidas notas de rodapé. Seria um projeto fantástico. Um resgate que faria justiça a Tavares Bastos, que hoje é lembrado apenas como o nome da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas. Aliás, o próprio Legislativo poderia encampar este projeto. Claro, se houve interesse da iniciativa privada por um projeto como este, melhor.  

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Postado em 12/01/2017 às 14:59 0

A coluna de Andreazza sobre Obama. Ou: quando é preciso ousadia para dizer o óbvio



Foto: AP

Obama

Em regra geral, a ignorância em um debate se torna algo assustador que pode passar despercebido aos incautos. Não raro, aquele que quase não possui informações adota uma postura de arrogância fingindo dominar o assunto.

É parte do jogo ridicularizar o oponente assumindo um ar de superioridade. O nome disto é “estratagema”. Como diria o filósofo Arthur Schopenhauer: o estratagema da arte de vencer um confronto de ideias sem ter razão.

Não raro, o ar de superioridade assumido pela ignorância é reforçado por informações mastigadas do mainstream. No caso em questão, o New York Times e outros similares. Falo aqui da mais recente coluna do editor da Record, Carlos Andreazza, na Rádio Jovem Pan.

Andreazza ousou desenhar o perfil do presidente Barack Obama. Acertadamente o colocou como a esquerda americana, mas isto feriu intelectuais e jornalistas mais sensíveis. Mas, queiram ou não, Andreazza está certo.

Ele ousou dizer uma verdade sustentada em inúmeras fontes primárias. A ousadia de dizer o óbvio se fez presente tal qual o axioma de Chesterton: chegará o dia em que teremos que dizer que a grama é verde.  

No Brasil dizer isso parece ser algo "ousado" diante do mainstream...quando deveria ser o natural, pois são inúmeros os fatos que sustentam o que Andreazza fala. Confesso que não sabia se ria ou se chorava da reação dos que ouviam aquilo como se tivesse sido dito a besteira do século. "Obama de esquerda? O quê? Que burrice afirmar isso?".

Bem, histerias podem nascer do desprezo pela História e pelas fontes primárias. Há quem desconheça algo e, justamente por desconhecer, finge que só existe o que é da sua esfera de saber. E há os que mesmo sabendo, ignoram de propósito em função de suas ideologias. Afinal, precisam posar de especialistas e a humildade não combina muito isso, não é mesmo?

Mas, vamos aos fatos: 1) Obama foi introduzido na política americana por movimento comunista; 2) Obama tem como teórico de cabeceira Saul Alinsky. É só pesquisar que vocês vão achar estas informações. Alinsky falava da infiltração cultural para atingir a hegemonia. E aqui nem analiso os rumos de seu governo com os populismos, aumento de dívida pública, gastos públicos etc.

Todavia, é possível ir além para entender determinadas linhas de raciocínio dentro do partido Democratas, o que não envolve apenas Obama.

Uma obra interessante para isto é Liberal Facism de Jonah Goldberg. Ele expõe as práticas, os métodos e o processo da construção da infiltração cultural em solo americano. Por sinal, em Camaradas, o historiador Robert Service também pincela o assunto mostrando as raízes disto. Data de antes da Guerra Fria.

Service mostra o seguinte: como a ala mais extremista não conseguiu êxito nos EUA, procurou-se dissolver este extremismo junto aos fabianos, aos social-democratas, na ocupação de espaço na mídia, sindicatos e universidades. Porém, sem nunca esquecer dos objetivos iniciais.

Por sinal, o reflexo disto é bem tratado pelo filósofo Roger Kimball na obra Radicais nas Universidades. Quem quiser que leia.

Tudo isto precede Obama, mas mostra o ambiente que gestou políticos como ele. Por sinal, em sua coluna na Jovem Pan, o editor da Record, Andreazza, explica isso de forma didática. Vale a pena ouvir.

Ele mostra o quanto Obama aumentou o Estado e ampliou os gastos públicos durante seu governo, abraçando o estatismo com os discursos de infiltração cultural oriundos no EUA antes mesmo de Alinsky, mas sendo reforçados com este.

Isto sem contar com o que ocorreu com a dívida pública americana que praticamente dobrou.

É bom lembrar: Alinsky está para os EUA como o italiano Antonio Gramsci está para o Brasil.

Mas, tudo isso, que são informações fáceis de encontrar, é completamente ignorado por aqueles que respondem tantos dados históricos e documentados com um "Quanta bobagem, vá estudar!".

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Postado em 11/01/2017 às 13:49 0

Silas Malafaia: “A hipocrisia é uma miséria!”. É verdade, pastor. Aprende com isso, então!


Por Lula Vilar

Que beleza é o discurso de Silas Malafaia ao falar de hipocrisia. Uma “auto-lição” ministrada! O pastor viu sua “categoria” ser alvo de um maluco que resolveu esfaquear o também pastor Valdemiro Santiago. Aqui, nem entro no mérito das figuras destes dois pastores. Santiago, para mim, explora a ingenuidade alheia e usa, da forma mais torpe, o santo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo em vão. Que ele encontre verdadeiramente Jesus e entenda o que faz. Eu mantenho distância dele ao mesmo tempo em que lamento a violência sofrida. Pois defendo a vida.

Quanto a Malafaia, já tive concordâncias e discordâncias com suas opiniões. Sobre suas mais recentes falas, uma só palavra define: HIPOCRISIA! O pastor Malafaia diz: “você sabia que Neemias contratou seguranças. Vai ler o livro de Neemias”. Nestas horas, o religioso lembra que a visão cristã versa sobre a autodefesa e os recursos disponíveis ao cidadão para que ele garanta o seu direito à vida diante do ataque de criminosos armados, não é mesmo?

O que o pastor não entende é que nem todos são Malafaias para andarem com seguranças armados para cima e para baixo, pagos – ainda que indiretamente – por cristãos desarmados. Justamente por isto que se defende a derrubada do Estatuto do Desarmamento, que é para que o cidadão idôneo (como bem lembra Bene Barbosa em seu artigo) possa pleitear o que é seu direito: o acesso às armas de fogo. Para isto, haverá critérios objetivos como mostra e deixa claro o projeto de lei do deputado federal Rogério Peninha.

O projeto que foi esculhambado por Malafaia por meio de falácias!

É que Malafaia prefere a hipocrisia – quando lhe é conveniente – para abraçar aquilo que Theodore Dalrymple classifica como “sentimentalismo tóxico”. E é um sentimentalismo tóxico que cria essa associação entre armamento civil e aumento da criminalidade, pois o que vemos é um país com 60 mil homicídios por ano, em que o Estatuto do Desarmamento não traz benefício algum. Muito pelo contrário, torna o cidadão indefeso, um cordeirinho a espera do bandido, que pode agir mais tranquilamente em arrastões, invasões a prédios públicos e privados, com o direito ainda ao discurso do “ele reagiu, então eu matei mesmo. Pois todo mundo sabe que não deve reagir”.

Este é o mundo onde apenas bandidos e policiais possuem acesso às armas. Lembrando que o acesso dos policiais possuem restrições previstas em lei. O dos bandidos não. O mundo do cidadão também terá restrições. O do bandido continuará sem.

Ora, quem está disposto a cometer o crime não será impedido de conseguir uma arma por conta de um desarmamento posto em lei. Só quem fica impedido é o cidadão que obedece a critérios para ter a sua arma. Fora isto, todas as falácias presentes no discurso dos desarmamentistas já foram muito bem desmascaradas por John Lott, Joyce Lee, Bene Barbosa, Fabrício Rebelo, dentre outros. Leiam estes estudos. Livrem-se do sentimentalismo tóxico denunciado por Dalrymple.

Este sentimento faz de vocês cordeirinhos a defenderem o carrasco acreditando que estão lutando pelo melhor para si mesmos. A ninguém é dado o direito de roubar os seus direitos e ainda mentir afirmando que é o melhor para você. Acordem!

Por isto também decidi escrever – com bem menos competência, é verdade! – sobre o tema que se faz presente na coluna de Bene Barbosa no dia de hoje, 11, aqui no CadaMinuto. É urgente prestar atenção nas distâncias entre discursos e práticas. Pois eu defendo que Silas Malafaia tenha direito à segurança pessoal ou até mesmo a ter uma arma de fogo, caso ele queira, para justamente se proteger de malucos. Só que é o Silas Malafaia que me nega este direito. Eu não posso contratar seguranças, mas poderia ter uma arma.

“Vai na fonte”, diz Malafaia em seu vídeo. É, pastor: vai à fonte! Por qual razão o senhor não segue o próprio conselho? Leia Lott, leia Lee, leia Bene Barbosa, leia Fabrício Rebelo, leia o estudo de Harvard...enfim. O que não falta é literatura. Aproveita e compare tais estudos com Neemias, pois eu também o li.

Por isto que Malafaia confirma que anda com seguranças armados. “Especialista no que faz”, lembra ainda ele.

Agora, comparem o Malafaia de agora com aquele que resolveu criticar o projeto de lei de Rogério Peninha. Lá, ele dizia: “Tem um projeto de lei que visa uma revisão do Estatuto do Desarmamento, que é um verdadeiro absurdo. Cada cidadão maior de 25 anos pode ter seis armas e cem munições por ano. Professor vai poder ir armado para escola. Isto é lobby da indústria de armas. Somos a favor que a polícia esteja muito bem preparada. Agora, há uma diferença entre a polícia está bem armada e armar o cidadão. Isto é uma loucura”.

Malafaia disse não ser possível que alguém que defenda a vida defenda armar o cidadão. É mesmo pastor? Então, abre mão dos teus seguranças e confia apenas na “polícia armada”, pois se o senhor tem seguranças deve ser justamente por compreender que o Estado não se faz presente o tempo todo para garantir a segurança do senhor, não é mesmo? Malafaia adota a falácia do “monopólio das virtudes” para dizer que pessoas como eu e Bene Barbosa não defendem a vida. Isto é ridículo.

“E eu quero saber de pastor evangélico votando nesta porcaria”, dizia ainda ele. É mesmo, pastor? E o senhor vai fazer o que se eles votarem favorável? Santa paciência! Ele chama os desarmamentistas do Legislativo de “deputados de bem”. Que lindo. Quantos corruptos não são desarmamentistas? São todos de bem! Quando é para ser raso em suas argumentações, Silas Malafaia sabe ser. Mas quando sua classe é atacada, ele recorre aos argumentos bíblicos para falar de recursos adotados em nome da defesa pessoal. É o famoso ditado da pimenta no olho alheio.

No vídeo mais recente, o pastor diz que a “hipocrisia é uma miséria”. Pois é, eu concordo com Silas. Agora, vou esperar o pastor concordar com ele mesmo...espero sentado? Em pé, cansa!

Eis o antigo vídeo do pastor, antes de religiosos serem ameaçados com facas:

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