Rui aceita convite de Vilela para comandar PSDB, mas evita falar em candidatura

Foto: Secom 035495d4 d431 441a 82e3 6c4fb483a705 Rui Palmeira

Em entrevista à Tribuna Independente (em boa matéria do jornalista Carlos Amaral), o prefeito Rui Palmeira (PSDB) comenta sobre a conversa que teve com o ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), no dia 13 de outubro. 

No diálogo, Vilela comunicou a Rui que passaria o bastão do PSDB - no próximo dia 11 - para o prefeito de Maceió. Logo, Rui Palmeira quem comandará os destinos da legenda em 2018. Com isso, martelo batido: o prefeito não deixará o “ninho tucano”, como já se especulava. 

Vilela também hipotecou apoio a Rui Palmeira em uma eventual disputa pelo governo do Estado de Alagoas. Mas quem espera que o prefeito saia da “zona de cautela” assumindo a posição de pré-candidato, não viu isso agora. 

Ainda que essa seja a intenção, ao assumir o comando da legenda tucana, Palmeira se mantém com o mesmo discurso, tentando ficar longe dos holofotes da imprensa quando o assunto é eleição, ainda que muito discuta isso nos bastidores. 

Rui Palmeira diz que seu compromisso é “fortalecer o PSDB e os aliados para o ano de 2018”. “A gente vai para essa missão sabendo que precisamos reforçar ainda mais o partido, e não só o PSDB, mas os que hoje estão conosco: PP, PROS, Democratas e PR”, frisa. Como já era de se esperar, já não conta mais com o PDT do deputado federal Ronaldo Lessa, que migou para o lado do governador Renan Filho (PMDB). 

O prefeito diz que a aliança terá nomes fortes para disputar governo e Senado. Todavia esquiva de confirmar que um dos nomes será o seu. Afirma que só decide sobre o assunto no início de 2018. 

Colocou ainda o seu grupo político como antagônico ao dos Calheiros e aproveitou - diante da saída do PDT - para confirmar que Daniel Melo permanecerá como secretário de Esportes, Lazer e Juventude por ser uma “escolha pessoal”. A questão é que Melo permanecerá no PDT de Lessa. 

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Nonô também parte para a pressão: “Quem estiver satisfeito com os Calheiros, mantém o governador. Quem não, muda”

Arquivo/Divulgação Ee1532cc 339e 4645 8faa 8306b4d0f558 Thomaz Nonô

A oposição (grupo de apoio do prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB) começa a endurecer o discurso em relação às eleições de 2018. Duas frentes: 1) pressão sobre Rui Palmeira para que ele adiante seus passos e assuma a possibilidade da disputa já como um pré-candidato; 2) as críticas ao governador Renan Filho (PMDB) e ao senador Renan Calheiros (PMDB). 

Isto não quer dizer que a situação também não faça o mesmo jogo em sentido inverso. Faz e há muito tempo. Em recente evento, Renan Filho endureceu o discurso nas críticas ao ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), ao comparar as duas gestões: a de agora com a do passado. 

Nesse tabuleiro de xadrez, o secretário municipal de Saúde e “comandante” do Democratas, José Thomaz Nonô não quer ficar de fora. Nonô estrutura uma candidatura no pleito e mira na disputa pelo Senado Federal. Aos mais próximos, tem dito que será candidato a aquilo que Rui Palmeira não for. Logo, há ainda a possibilidade de tentar disputar o Executivo estadual. 

Nas redes sociais, Nonô postou de forma enfática: “Quem estiver satisfeito com os Calheiros, mantém o governador. Quem não estiver, muda. Eu me inclino aos que querem mudar”. 

O secretário municipal diz que gostaria de ver uma eleição para o governo do Estado entre Renan Filho e Rui Palmeira. “São políticos da mesma geração, tiveram a vivência na Câmara Federal quando foram deputados, são absolutamente opostos na maneira de fazer política e de conduzir pessoal. Então, é uma bela oferta ao eleitorado alagoano”. Opinião de Nonô. 

Não vejo os grupos postos - apesar de opositores - como tão distantes quando se vai às raízes da política alagoana. Todavia, a tendência é polarizar conforme o calendário para as eleições se encurta. 

Já o “cabeça” do grupo - o prefeito de Maceió, Rui Palmeira - permanece em silêncio e com cautela. Palmeira não comentou, por exemplo, a decisão de Teotonio Vilela Filho de passar o bastão do comando do PSDB para ele. A decisão de Vilela gerou burburinhos na própria oposição e houve até uma manifestação pública (já exposta nesse blog) do deputado federal Arthur Lira (PP). 

Lira falou usando o pronome “nós”, o que dá a entender que externa o sentimento de um grupo. Se é assim ou não, aí é outra história. 

Coincidência a fala de Nonô nesse momento? Não acredito em coincidências assim na política alagoana. 

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Arthur Lira ataca Vilela: “Mais um capítulo do acordo branco com Renan Calheiros”

Foto: Assessoria/Arquivo 5462fcf9 3c36 4d32 93bd d228e21750a1 Deputado Arthur Lira

Como disse em portagem anterior, as falas do ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) negando acordo com o senador Renan Calheiros (PMDB) e - mais recentemente - abrindo espaço para que o prefeito Rui Palmeira (PSDB) assuma o comando do “ninho tucano” em Alagoas, tem causado burburinhos dentro do próprio bloco de oposição ao atual governador Renan Filho (PMDB). 

Algumas manifestações estavam nos bastidores. O chamado “fogo-amigo”. É que alguns aliados acreditavam que Rui Palmeira mudaria de partido para não ficar refém do PSDB. Mas Vilela ressalta que não há, nem nunca houve, acordo com o senador Renan Calheiros para tentar desarticular a oposição e favorecer a Renan Filho, Renan Calheiros e o próprio Vilela. 

Quem não enxerga assim e fez questão de se posicionar publicamente foi o deputado federal Arthur Lira (PP).

O parlamentar divulgou - em suas redes sociais - um vídeo em que clama para que Rui Palmeira não assuma a presidência do PSDB. O PP de Lira é um dos mais fortes aliados do prefeito de Maceió. O vice-prefeito Marcelo Palmeira e o senador Benedito de Lira estão nessa sigla.

De acordo com Arthur Lira, que inicia o vídeo na primeira pessoa do plural, dando a entender que fala por um grupo, há uma preocupação na oposição diante das recentes declarações de Teotonio Vilela Filho. 

“Nós que fazemos o grupo de oposição estamos lendo e vendo com bastante preocupação algumas notícias que estão sendo veiculadas nos jornais sobre (…) Rui Palmeira (PSDB) - o nosso candidato ao governo - assumir a presidência do PSDB”, coloca o deputado.

Segundo Lira, toda a base aliada de Vilela foi traída em 2014 pelo fato do governador ter escolhido a candidatura de Eduardo Tavares (PSDB) ao governo. Tavares desistiu da candidatura e o PSDB teve que recorrer a um candidato tampão: o atual prefeito de Palmeira dos Índios, Julio Cézar, hoje no PSB. 

Para o deputado, o que houve foi um acordo - definido naquele ano - entre Vilela e Calheiros. Em entrevistas passadas, Vilela disse que apostou em Tavares, naquele momento, pelo qualitativo e as chances de ele crescer nas pesquisas e derrotar os demais candidatos, negando - portanto - qualquer influência externa em sua decisão. 

Em post anterior disse que as “águas passadas” da política alagoana ainda moviam alguns moinhos do PP e do Democratas. Lira parece não acreditar no ex-governador e chama, tanto ele quanto Calheiros, de “senadores siameses”. “Ele (Teotonio Vilela) abdicou de todo o seu grupo político, toda base de apoio, para confirmar acordo branco que tinha com Renan Calheiros. Estou relembrando isso ao prefeito Rui para que pese e pense seu destino. Não é justo que façamos parte do grupo de oposição e fiquemos a disposição de um jogo político já jogado desde 2014”.

Se a oposição bate-cabeça, a situação comemora! 

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Honraria a Dória por qual razão mesmo? Que a Câmara justifique...

Foto: Twitter 94445a06 c4c5 43ab 8c76 0a8f7edc0152 João Doria, prefeito de São Paulo, visita Maceió no próximo dia 27.

A jornalista Vanessa Alencar - ao falar do Decreto Legislativo que concede título de cidadão honorário de Maceió ao prefeito de São Paulo, João Dória - foi cirúrgica na pergunta mais cabível em relação à proposta: “O que Dória fez por Maceió para merecer tal honraria?”. 

Que o propositor - o vereador Francisco Holanda Filho (PP) - responda de forma objetiva. Simples assim. Na minha visão, Dória não fez absolutamente nada que merece tal título. 

Em minhas redes sociais, já fiz elogios a Dória, como também já fiz críticas. Concordo com algumas preocupações que ele tem em reduzir os custos da administração e buscar parcerias privadas. Discordo de outras bandeiras, como a do desarmamento civil, por exemplo. 

Todavia, ainda que só tivesse elogios a Dória, não veria razão para tal homenagem. 

A meu ver, trata-se apenas de mais um palanque para um presidenciável que se encontra dentro de um grupo político, em Maceió, do qual o PP do vereador Chico Holanda Filho faz parte. E sim, já concordei com Holanda em muitos pontos, sobretudo em críticas que fez ao PT no passado. 

Talvez seja Dória o presidenciável do prefeito Rui Palmeira (PSDB). 

Agora, entregar tal honraria a Dória parece não fazer sentido algum. É a mesma crítica que fiz em passado recente quando a Câmara quis homenagear o senador Aécio Neves (PSDB) e quando entregaram um título de doutor ao ex-presidente condenado Luis Inácio Lula da Silva, o Lula (PT). 

Toda honraria requer uma justificativa. Tentei buscar a proposta no site da Câmara de Maceió e não consegui. Por lá, apenas uma matéria oficial com a declaração do vereador José Márcio Filho (PSDB): “Além de ter dado cara nova à cidade de São Paulo, o prefeito João Dória Jr. é destacadamente um grande nome do empresariado brasileiro. Por conta do serviço prestado ao país nesse setor e pelo que tem feito pela capital paulista, queremos homenageá-lo com o Título de Cidadão Honorário de Maceió”. Qual a relação com a capital alagoana?

O fato é que Dória deve estar em Maceió no próximo dia 27 para se reunir com empresários na Associação Comercial. A Câmara de Maceió quer “correr” com o projeto para aproveitar a agenda do prefeito de São Paulo na capital alagoana. 

É mais um desses títulos de cunho puramente político. Logo, as críticas e questionamentos são extremamente legítimos. A diferença é que agora não há aquela militância que defenda Dória…ninguém para gritar: “Dória, guerreiro do povo brasileiro!”. Que triste…

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Anúncio de Teotonio Vilela Filho causou “burburinhos” nos bastidores

foto: arquivo/Cada Minuto 599152ea 1c85 4bc6 ab15 3bc449092104 Teotônio Vilela Filho (PSDB)

O anúncio do ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) reafirmando o apoio ao prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB) numa eventual candidatura ao governo do Estado de Alagoas causou “burburinho” nos bastidores da política alagoana. 

Não se trata apenas do apoio de Vilela a Rui, mas da “passagem de bastão” do comando do PSDB estadual. É que aliados de Rui Palmeira já contavam com a possibilidade do prefeito querer mudar de partido para oferecer a este uma nova sigla. Dentre estes, o Democratas do secretário municipal de Saúde, José Thomáz Nonô. 

Agora, não haveria razão para Rui Palmeira deixar a legenda, já que querendo ser candidato terá total liberdade para negociar as alianças a serem feitas pelo “ninho tucano”. É que pessoas próximas a Rui Palmeira realmente defendiam a tese de que Teotonio Vilela Filho poderia fechar aliança com o senador Renan Calheiros (PMDB), inviabilizando o PSDB. Por esta razão, Palmeira precisaria de uma alternativa. 

Além disso, há a própria posição de Vilela. Candidato ao Senado Federal, Vilela já ocupa uma vaga majoritária na chapa, restando apenas mais uma para compor o trio que encabeçaria a coligação, já que são duas vagas ao Senado. 

Quem seria o outro nome? 

O senador Benedito de Lira (PP) é um aliado forte de Rui Palmeira. Tanto que, em 2014, Palmeira ficou ao lado da candidatura de Lira ao governo do Estado e não do lado dos tucanos, que tiveram um “candidato tampão” após a desistência de Eduardo Tavares (PSDB): o atual prefeito de Traipú. 

Dentro do PP, por exemplo, ainda não se “engoliu” o fato de Vilela ter optado por lançar Eduardo Tavares ao governo do Estado ao invés de ter apoiado o senador Benedito de Lira. Para alguns pepistas, se Lira tivesse tido o apoio da “máquina”, a disputa com o governador eleito Renan Filho (PMDB) teria sido outra. Mas aí é a força do “se” e são “águas passadas”. 

José Thomáz Nonô também perdeu o “cavalo selado” naquela eleição de 2014, quando o ex-governador Teotonio Vilela optou por seguir o mandato e não se candidatar ao Senado Federal naquele momento. Nonô era o vice e sonhava com uma candidatura ao governo estadual. Sendo assim, há “ranhuras” na oposição ao PMDB em Alagoas e se o bloco busca se consolidar em uma frente, precisará superá-las. 

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As “revoluções russas”: Marcel Novaes apresenta um estudo cirúrgico do subtítulo à última página…

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O escritor Marcel Novaes lançou, pela Três Estrelas, a obra Do Czarismo ao Comunismo. Conheci o trabalho de Novaes ao ler O Grande Experimento, que traz a história da formação dos EUA e nos leva a uma rica discussão sobre indivíduo versus Estado, no sentido de entender com os americanos se relacionaram com a concepção da liberdade e a limitação do poder do Estado em suas vidas. 

Por sinal, uma discussão que era travada pelo alagoano Tavares Bastos, ainda no século XIX ao observar o federalismo e o descentralismo como importantíssimos para o desenvolvimento econômico e moral de uma sociedade. No caso do alagoano, a discussão está na obra A Província. 

Quando li o primeiro livro de Novaes fiquei encantado com a riqueza de detalhes associada à objetividade e ao rigor histórico. “Do Czarismo ao Comunismo: As revoluções russas do início do século XX” não decepciona. Mantém a mesma pegada e já começa com um acerto no título. 

Em geral, quando nos deparamos com um livro sobre o período, enxergamos a palavra “revolução” no singular. Parece bobagem, mas sempre critiquei isso. É que a dimensão dos acontecimentos requerem de fato falar em revoluções, tendo um germe - para o que se viu em 1917 - já sendo plantado no ano de 1905, diante das instabilidades que o czar Nicolau enfrentava. Marcelo Novaes acerta ao recorrer ao plural, por justamente falar deste ano e seus acontecimentos, da revolução de fevereiro, da de outubro e do processo de Guerra Civil que se instaurou na Rússia até chegar à URSS. 

Novaes nos apresenta os acontecimentos de forma didática e com uma objetividade ímpar que faz com que o livro seja acessível para estudantes do Ensino Médio sem perder o caráter magistral da obra para quem também quer aprofundar no assunto e cobra um maior rigor acadêmico. Logo, é vasto nas informações, mas acaba sendo ali uma das melhores portas de entrada ao assunto também. 

Estruturado em quatro capítulos, Novaes inicia falando da Rússia czarista. Um marco histórico é o próprio início da “casa” dos Romanov, que já se dá dentro de um contexto extremamente instável que leva Miguel ao trono em função da descendência com a esposa de Ivan, o Terrível. 

Os Romanov assumem uma Rússia sem comando e totalmente dissociada dos demais continentes. Um mundo a parte dentro do mundo. Não por acaso, o primeiro tópico desse capítulo é chamado de “difícil começo” para só então se ter a criação de um império, que ainda enfrenta no século XIX conflitos internos e externos. Não bastasse isso, a história dos Romanov - todo os personagens dessa família que estiveram em posição de comando  - é cheia de contradições e absurdos. Alguns desses foram folclorizados ao extremo, como a mística e curiosa figura de Rasputin, diante da sua importância para a última família imperial. 

Na segunda parte do livro, Novaes destaca a importância do ano de 1905 - e o seu Domingo Sangrento - para os desdobramentos dos acontecimentos posteriores que trouxeram uma das maiores tragédias do século XX. E Novaes está coberto de razão quando afirma, logo no início da obra, que “boa parte dos eventos mais importantes do século XX, como a criação da União Soviética, o surgimento do fascismo e do nazismo, da Segunda Guerra Mundial, a Revolução Chinesa, as guerras da Coreia e do Vietnã, as ditaduras militares na América Latina, a Guerra Fria, o Taleban, o Muro de Berlim, só podem ser entendidos se levar em conta a Revolução Russa e suas consequências”. 

Durante a obra, o escritor prova a tese levantada. Um dos pontos fortes - inclusive - é mostrar onde estava cada personagem. Muitos deles, que ganham pouco destaque nas escolas, são de fundamental importância, como Julius Martov, que era um líder menchevique respeitado, além dos próprios Lênin e Tróstsky, sempre tão romantizados por alguns. Apresentar em detalhes os papéis dessas figuras ajuda a entender porque - em um determinado momento do século XX - passaram a existir mais movimentos de ebulição na Rússia que qualquer outra coisa. Uns mais radicais, outros menos radicais. E assim se teve um golpe sobre o golpe, quando Lênin tomou o poder. 

Quem se aventurar na obra também vai perceber a relação entre Alemanha e Rússia. Novaes trabalha o tema com precisão, incluindo o retorno de Lênin às vésperas da revolução bolchevique e a importância dos “germanos” para isso. Existiram, portanto, interesses para além das fronteiras, principalmente em função do contexto ser o da Primeira Guerra Mundial. Marcel Novaes aborda também a figura de Kerensky, que subiu ao poder em fevereiro de 1917. Outra figura sem a qual é impossível entender os detalhes. 

“A volta de Lênin e de outros líderes bolcheviques (entre os quais Karl Rdek e Grigori Zinoviev) para a Rússia foi financiada pelo governo alemão, que tinha interesse na defesa que eles fariam do fim imediato da guerra em sua pátria”, coloca o escritor. Isto não significa dizer que o interesse de Lênin era o pacifismo. Não mesmo. Os interesses eram outros e, como o próprio Lênin coloca na obra Estado e Revolução, o processo de tomada de poder seria violento e não haveria como ser de outra forma em função das teses bolcheviques de fundar o “novo homem”. 

Em resumo, a obra de Novaes - de forma bem objetiva - sai colocando os “pingos nos is” das discussões que ainda surgem no Brasil sobre a A Revolução Russa (no caso: as revoluções). Por isso, torna-se uma obra essencial nos dias atuais. É um resgate histórico cirúrgico que aborda os primeiros momentos da “nova Rússia” e da criação da “URSS”. A violência do processo está em seu gênesis, bem como a consequente repressão, agressão a todo tipo de direito humano, os milhões de mortos subsequentes e a perseguição aos chamados “inimigos”, que poderia ser qualquer um diante do “estado policialesco” que foi fundando por Lênin e aprofundando por Stalin no culto a si mesmo. 

Não entro em detalhes nesse artigo, pois minha preocupação é falar da estrutura da obra que possibilita um verdadeiro passeio pelo czarismo e pelo surgimento do comunismo russo. Se você tem curiosidade sobre o assunto, não deixe de ler essa obra. Se possui filhos no Ensino Médio, não deixe de presenteá-los com esse livro. 

A leitura é prazerosa, sequenciada, cronologicamente bem amarrada, com respeito aos fatos históricos, repleto de fontes primárias que podem ser consultadas. Além disso, com uma extensa biografia que vale a pena conferir. Das fontes nas quais Marcel Novaes bebeu, eu destaco três que também li e sei que são riquíssimas: Gulag: A História de Anne Applebaum; A Grande Fome de Mao de Frank Dikkotter e A People`s Tragedy de Orlando Figes. 

Adquira o livro e boa leitura! 

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Pedro Vilela também nega aliança com PMDB e afirma que disputará reeleição

Assessoria 31dd07eb de0a 4e58 a36d 9dc1d55a0eea Deputado federal Pedro Vilela

Além das negativas do ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) em relação a uma possível “aliança branca” com o senador Renan Calheiros (PMDB), quem também rechaçou essa possibilidade foi o deputado federal Pedro Vilela (PSDB). 

Em algumas notas na imprensa, Pedro Vilela - que é sobrinho do ex-governador - foi colocado com uma das “peças” do acordo. Ele deixaria de disputar a vaga na Câmara de Deputados para ser indicado como possível vice de Renan Filho (PMDB) na disputa pelo governo. 

Aí, nem mais aliança branca seria. Pedro Vilela classificou a nota como um “completo absurdo sem sentido”. “Isso não existe. Nunca conversei isso com ninguém do PMDB e nunca me foi feito convite algum. Não há esse diálogo. Eu serei candidato à reeleição”, afirma o tucano. 

Vilela se encontra no primeiro mandato na Câmara de Deputados e - em Brasília - se alinhou ao grupo tucano chamado de “cabeças pretas”, que é composto pelos deputados mais jovens do PSDB. Se bem que Vilela diz que trabalha para acabar com essas separações. 

O parlamentar está convicto de disputar a reeleição e diz que o partido tem bons quadros para o processo eleitoral vindouro, citando inclusive Rodrigo Cunha (PSDB). Cunha é atualmente deputado estadual, mas pode disputar uma das cadeiras de Brasília. Na avaliação e Vilela, há espaço para isso, logo, Cunha não precisaria sair do partido para tanto. 

O PSDB local - depois de tantas conversas de bastidores - busca mostrar uma unidade e posição definida: 1) é oposição; 2) o bloco está conciso em apoiar a candidatura do prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB) ao governo o Estado; 3) não há diálogo que ameace isso e 4) a aproximação com Renan Calheiros não passa de boatos alimentados por “fogo amigo” e/ou por adversários. 

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Vilela reafirma apoio a Rui nas redes. Decisão fará prefeito permanecer em “ninho tucano”

foto: Cada Minuto B14dfdc7 f6b5 4d03 ba2d d5f471f2d6ad prefeito de Maceió, Rui Palmeira e ex-governador Teotônio Vilela Filho

A posição do ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) nas redes sociais reafirmando o apoio ao prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), em uma candidatura ao governo do Estado de Alagoas, coloca tudo agora nas mãos de Palmeira. Depende apenas de Rui dizer “sim” ou “não”. Já poderá dizer no próximo dia 11 de novembro, quando o partido se reúne. Dará o passo adiante ou manterá a cautela? 

A decisão de Vilela é concreta por um motivo bem simples: ele passará o comando do partido para Rui Palmeira. 

Com a posição de Vilela, Rui Palmeira não tem mais porque deixar o partido. Havia nos bastidores a discussão sobre uma possível ida do prefeito para o Democratas do secretário municipal de Saúde, José Thomaz Nonô. A saída do “ninho tucano” só se daria se houvesse de fato uma aliança branca entre Teotonio Vilela Filho e o senador Renan Calheiros (PMDB). Vilela deixa claro: essa aliança não existe. 

Segundo Vilela, o PSDB estará todo ao lado de Rui Palmeira e isto será oficializado no próximo dia 11 de novembro. Resta saber o que o prefeito de Maceió pensa sobre o assunto. 

Antes de Vilela publicar o assunto em suas redes sociais, ele me concedeu uma entrevista que está nesse blog, onde afirmava enfaticamente: “não há acordo com Renan Calheiros. O prefeito Rui Palmeira é o meu candidato”. Dias depois, publicou o que havia me dito em suas redes sociais e isso já tomou conta de algumas matérias na imprensa. 

Pelo visto, quem esperava uma aliança entre Renan Calheiros e Vilela terá que “tirar o cavalo da chuva”. O posicionamento de Vilela é o suficiente para animar Rui Palmeira a ir para uma candidatura? Aí é com o futuro. O fato é que Vilela busca duas ações com seu pronunciamento: 1) afastar os boatos de uma aproximação com Renan Calheiros; 2) ser uma das vozes ativas na construção de um bloco de oposição onde ele será o candidato ao Senado Federal. 

Vilela diz que “trabalhará junto a todos os dirigentes estaduais no sentido de haver unanimidade em torno do nome” de Rui Palmeira. “Tenho absoluta certeza de que ele conduzirá os tucanos com seu bom senso político, responsabilidade partidária e compromisso com a social democracia. Também externo a minha confiança, e a confiança dos tucanos de Alagoas, com a candidatura de Rui Palmeira ao governo do Estado no próximo ano”, publicou o ex-governador. 

Rui Palmeira ainda não se pronunciou sobre a recente fala de Vilela. 

Há ainda uma questão na chapa de oposição: acomodar outros aliados caso Rui Palmeira seja candidato ao governo e dispute contra o atua governador Renan Filho (PMDB). Teotonio Vilela será um dos candidatos ao Senado. Quem será o segundo nome? O Democratas tem José Thomaz Nonô para indicar. O PP tem o senador Benedito de Lira e ainda há a possibilidade do ministro do Turismo, Marx Beltrão (PMDB) mudar de lado. Do lado de Nonô, por exemplo, já era visto com muitos bons olhos a vinda de Palmeira para o Democratas. 

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Vilela: "Não há a acordo com Renan. Meu candidato ao governo é o Rui"

Bc32b904 9d8d 409f a2ce 012b0f8ed44f Vilela e Rui

Conversei com o ex-governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), na tarde de hoje, dia 11. Vilela tem sido posto como um dos nomes do PSDB para o pleito de 2018. É o (muito) provável candidato ao Senado Federal pela legenda.

Minha pergunta a Vilela foi direta: existe diálogos sobre composição com o senador Renan Calheiros (PMDB) para uma possível dobradinha ainda que não oficial? A informação circula pelos bastidores. 

O ex-governador foi enfático na resposta: "Não". De acordo com Vilela, "não há qualquer acordo com Renan. O meu candidato ao governo é o prefeito (de Maceió) Rui Palmeira (PSDB)".

Vilela diz que o partido está unido em torno de Palmeira e que as conversas de bastidores não passam de "lendas" e especulações sem sentido. O tucano não adianta muito sobre o cenário, pois afirma ainda avaliar se será candidato, mas se for será ao Senado. 

O grupo de Rui Palmeira é formado ainda pelo Democratas, PR, PP e PROS. Um dos articuladores da chapa é o ministro dos Transportes, Maurício Quintella Lessa (PR). 

Caso Rui não seja candidato, o nome sairá desse grupo. A ideia é fortalecer uma oposição aos Calheiros, incluindo - obviamente - o atual governador Renan Filho (PMDB), que é o candidato à reeleição.

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Claudionor Araújo comenta os guias do PSDB. Eu analiso mais uma vez!

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Falei dos guias eleitorais recentes do PSDB aqui nesse blog. Coincidentemente (e creio que tenha sido apenas coincidência mesmo!), o secretário executivo do PSDB, Claudionor Araújo deu entrevista - está blog do Roberto Gonçalves aqui no CadaMinuto - em que diz que as inserções dos tucanos na televisão não teve “intenção de desconstruir quem quer que seja. É o legado de um governo sério, democrático, construtivo e que deixou marcas positivas em todas as áreas”. 

Não sei se Araújo se refere ao meu texto, mas como toquei no assunto e as declarações dele surgem imediatamente depois, destaco o seguinte: em momento algum eu disse - e está aí escrito para o leitor comprovar - que o guia tucano visava desconstruir alguma coisa. 

O que disse e repito é: não acredito em coincidências na política. E, na segunda vez que a gestão do ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) é enaltecida (o que é legítimo) em seu guia eleitoral, traz como temática as ações da Saúde. 

Disse que ela (a inserção) casa com o momento em que o governo de Renan Filho (PMDB) sofreu duras críticas pela forma que conduz a pasta e esta foi alvo de uma operação da Polícia Federal. Isto é um fato! 

Pode te sido coincidência? Pode! Eu é que não acredito nelas. Por isso afirmei que o guia eleitoral foi cirúrgico. Registrei ainda que no primeiro guia eleitoral em que se fez menção à gestão do ex-governador Vilela, o foco foi a infraestrutura e a geração de emprego, em especial as obras do Canal do Sertão. 

Por fim, disse que não entrava no mérito das informações do guia. Quem quiser que julgue. Claudionor Araújo, em entrevista citou um rol de conquistas da fase tucana. É legitimo. Se há grandes feitos, natural que o partido se apoie neles às vésperas de um processo eleitoral. Natural também que o eleitor avalie se corresponde à realidade ou não. 

Quando Vilela era governador, eu publiquei diversas vezes que foi injustiçado em muitas crítica que sofreu, pois o governo tinha sim méritos, mesmo eu discordando completamente da visão social-democrata, que para mim é mais um “tom de vermelho”. 

Cito um: a forma como - na segunda gestão - conduziu a pasta da Ciência e Tecnologia. Como o meu post era sobre a questão política, disse que a análise de mérito era “uma outra história”. 

Não creio que Claudionor me responda por meio a entrevista, pois ele sabe que tem acesso direto a minha pessoa. Creio que se trata apenas de uma coincidência entre o meu post e o dia em que ele foi entrevistado para falar no assunto surgirem na mesma hora. 

Agora, vejam, caros leitores: o PMDB tem um calo que é a Saúde. É natural que os tucanos - que são rivais políticos - aproveitem para fazer o contraponto. Ou os tucanos já assumiram que não são tão rivais assim?

Outra coisa que eu escrevi foi a seguinte: 

“O ex-governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB), já trabalha como candidato ao Senado Federal e - sem mandato eletivo - usa as armas que tem.  O guia eleitoral do partido é um bom exemplo disso. E para bom entendedor, meia palavra basta.

O PSDB de Alagoas poderia ter focado no prefeito de Maceió, Rui Palmeira, por dois motivos: 1) é a gestão atual de um virtual candidato ao governo do Estado de Alagoas; 2) daria visibilidade a um nome que declaradamente é oposição ao governo do Estado de Alagoas e capitaneia um grupo que quer ver a sua candidatura ao governo. Não o fez”. 

Não disse jamais que o guia eleitoral foi monopolizado por Vilela em todas as inserções, mas que agora - diante da proximidade da eleição - houve o resgate dos feitos de sua gestão e de sua imagem, trazendo o óbvio: já se porta como um pré-candidato. É legítimo do jogo. Fiz apenas uma constatação. 

Em todo caso, a assessoria do ex-governador entrou em contato comigo e esclarece - o que também é justo que faça - que o prefeito Rui Palmeira (PSDB) apareceu no guia em passado recente. Já havia sido definido que Palmeira utilizaria os meses de maio, junho e agosto e Vilela setembro e outubro, como ocorreu. A assessoria destaca que Rui Palmeira foi quem mais utilizou o guia dos tucanos em Alagoas. E isso é verdade! 

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