Blog do Vilar
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Blogueiro do Cada Minuto

Postado em 11/01/2017 às 12:42 0

Os Pereiras na política fazem um “cá e lá”: se dividem entre o apoio ao PMDB e a Lira


Por Lula Vilar

Site da Prefeitura de Campo Alegre

Os Pereiras e Arthur Lira

Eis que a Coluna Labafero informa: a família Pereira – que sempre teve fortes ligações com o senador Benedito de Lira (PP) – se aproxima cada vez mais do senador Renan Calheiros (PMDB) e do governo de Renan Filho (PMDB).

A aliança com o PMDB garante o apoio da deputada estadual Jó Pereira (PMDB) e do prefeito de Teotonio Vilela, Joãozinho Pereira (PSDB) – além dos demais membros da família que se fazem presente no reduto eleitoral dos pepistas - a uma candidatura de reeleição de Renan Filho.

Como são duas vagas para o Senado Federal, a família pretende ainda assim não romper com o senador Benedito de Lira (PP).

Lira já avisou: é candidato à reeleição. Quem apostava em uma aposentadoria do pepista pode tirar o “cavalo da chuva”.

De acordo com a Labafero, o clã dos Pereiras já se reuniu com o senador Benedito de Lira e com o deputado federal Arthur Lira (PP) para explicar o assunto. Resta saber como ambos ouviram o recado.

Benedito de Lira é oposição a Renan Calheiros e Renan Filho. O resultado do processo eleitoral de 2014, quando Lira foi candidato ao governo e acabou sendo derrotado pelo PMDB, ainda se faz presente.

Benedito de Lira já demonstrou que sente o desprestígio em relação ao governo. Ele reclamou de não ter sido lembrado como deveria na assinatura da ordem de serviço do Marco Referencial, bem como de ser pouco chamado ao Palácio República dos Palmares.

Em recente entrevista coletiva à imprensa, manteve as indiretas. Eis uma das razões do senador (e seu grupo político) trabalhar para consolidar uma candidatura do prefeito Rui Palmeira (PSDB) ao governo do Estado. É uma forma de ter um grupo forte contra o senador Renan Calheiros e o governador Renan Filho.

Lira praticamente lançou Rui Palmeira ao governo do Estado. “Se depender de mim, o candidato é o prefeito de Maceió”, disse de forma enfática. Rui Palmeira nem nega, mas também não confirma a possibilidade de candidatura. Prefere analisar o ano de 2017 e suas imprevisibilidades. Todavia, trabalha para ter chances no processo eleitoral vindouro.

A equação que os Pereiras querem fechar pode deixar arestas. Afinal, é impossível apoiar Renan Filho sem apoiar Renan Calheiros. O senador peemedebista comanda o partido com “mão de ferro” e sabe, como ninguém, arquitetar o xadrez político. É costume de Renan Calheiros não deixar brechas para os adversários.

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Postado em 10/01/2017 às 15:06 0

Reiniciam as especulações sobre Renan Calheiros em ministério de Temer


Por Lula Vilar

Foto: Internet/Arquivo

presidente Michel Temer e Renan Calheiros

Com a proximidade do fim do mandato de Renan Calheiros na presidência do Senado Federal, começam as especulações em Brasília (DF) sobre o futuro do senador alagoano durante o resto de sua permanência naquela Casa.

Uma coisa é certa: Renan Calheiros não vai querer estar longe do poder de comando, muito menos voltar a ser um “senador comum”. O peemedebista já está acostumado em ser um dos que movem o xadrez do poder no país.

Todavia, sabe que enfrenta problemas com os inquéritos oriundos das investigações da Operação Lava Jato, mesmo que – a todo momento! – alegue inocência. Pois, independente dos inquéritos estarem parado ou andarem, de serem arquivados ou seguirem em frente, de condená-lo ou absolvê-lo, a existência destes causa impacto político e interfere nos passos do senador alagoano.

Afinal, Renan Calheiros ministro também traz desgastes para o presidente Michel Temer (PMDB), que já tem os problemas que tem com a popularidade. Se Renan Calheiros trabalha para ser ministro? Bem, até então são apenas especulações.

O peemedebista sempre manteve o cauteloso silêncio em relação aos seus passos, como fez quando candidato à presidência do Congresso Nacional.

O peemedebista Renan Calheiros sempre trabalhou para ocupar espaços como se fosse uma indicação natural sua ascendência a eles. Faz parte do jogo político de Renan. No dia de ontem, cometei aqui no blog sobre a possibilidade dele ir para a liderança do PMDB (mesmo com a rejeição de alguns peemedebistas) ou de ter a Comissão de Constituição e Justiça como prêmio de consolo. São informações que circulam por Brasília.

Tudo se decide até o dia 1º de fevereiro, quando se afasta da cadeira de presidente.

Se Temer colocar Renan Calheiros como ministro da Justiça, que é o que se especula, vai enfrentar a revolta de parte da opinião pública. O presidente já lida, por sinal, com o desgaste que o atual ministro Alexandre de Moraes vem sofrendo. O peemedebista Renan Calheiros ocuparia a pasta com a preocupação de construir uma agenda positiva já de imediato.

Detalhe: uma agenda positiva para ele e para o governo peemedebista. Equação complicada.

Outro questionamento a ser enfrentado: com o país ter um ministro da Justiça que é investigado em 12 inquéritos oriundos da operação federal mais importante de todos os tempos: a Lava Jato. Soa como uma tapa na cara da sociedade.

Mas, vale lembrar: são apenas especulações. Não queiram saber o que passa a cabeça de Renan com os holofotes ligados. O senador não é chegado nisto.

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Postado em 10/01/2017 às 14:49 0

Renan Filho: Estado isolou líderes de facções dentro dos presídios alagoanos


Por Lula Vilar

Crédito: Joyce Marina

Governador Renan Filho falou sobre o sistema prisional

Na manhã de hoje, o governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB), falou sobre o que vem sendo chamado de “crise carcerária no Brasil” após as rebeliões ocorridas no Amazonas e em Roraima. A crise não nasce agora. Ela é crônica e estamos assistindo a uma tragédia anunciada. Nunca é demais lembrar.

É óbvio que o massacre ocorrido em Manaus tornou isto mais visível e, como de esperar, a imprensa deve explorar casos que mostram a situação de fragilidade dos presídios em todo o país. No dia de hoje, uma reportagem de O Globo mostra presidiárias fazendo festas regadas a drogas no sistema prisional de Pernambuco. Pode apostar que em Alagoas, assim como em outros estados, isto também ocorre.

O estado paralelo toma conta dos presídios com seus tribunais de exceção. Tem sido assim desde a década de 70. As quadrilhas só estão evoluindo e ampliando suas ligações com o poder oficial, inclusive.

Durante a entrevista, o chefe do Executivo estadual falou das peculiaridades do sistema prisional alagoano e das recentes denúncias envolvendo o advogado Hugo Soares Braga, que é filho do juiz Braga Neto. Uma denúncia grave e que precisa ser investigada. Que o Estado mobilize a inteligência policial para isto também. Se inocente, que o advogado tenha sua inocência amplamente divulgada.

A entrevista de Renan Filho pode ser lida aqui no Portal CADAMINUTO em reportagem feita pelas jornalistas Vanessa Siqueira e Joyce Marina.

Aqui no blog destaco algumas declarações de Renan Filho sobre as ações tomadas pelo governo do Estado para que não ocorra em Alagoas justamente as matanças ocorridas nos outros dois estados.

Primeiro: a situação dos presídios alagoanos não é diferente da do restante do país. Estruturas precárias, com registros de fugas, preocupações por parte da segurança pública, superlotação, dentre outras questões já abordadas pela imprensa e também neste blog.

Segundo o governador, a serenidade é o ponto chave para enfrentar o problema. Concordo! Porém, não é o único ponto. A inteligência policial tem que mapear a atuação do crime organizado dentro destas unidades e isolá-lo.

Por esta razão, Renan Filho frisou que os líderes de facções criminosas já foram isolados no sistema prisional. Que tal isolamento seja de fato e não se resuma ao mero deslocamento para afastá-los dos demais presos.

O governador ainda falou sobre uma triagem por “grau de periculosidade”, que é um dos pontos para os quais chamei atenção em outros textos.

Ele ressaltou ainda a construção de um novo presídio para fortalecer o sistema prisional. Mesmo assim, o chefe do Executivo sabe da bomba armada e não descartou a possibilidade de rebeliões na Terra dos Marechais. Fez a análise de que neste momento, facções criminosas tentam desestabilizar o país e por isto toda unidade federativa deve estar preocupada. É uma verdade.

É válido lembrar das ligações que estas facções possuem. Logo, não podemos tratar Amazonas e Roraima como casos isolados. “Isso pode acontecer em qualquer lugar e temos que estar prontos. Fizemos revistas em todos os presídios e apreendemos armas, drogas, celulares, facas, espetos e isso deve ser recorrente. O governo deve fazer esse tipo de trabalho recorrente principalmente quando há brigas de facções”, frisa o governador.

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Postado em 09/01/2017 às 20:04 0

O governista que considerou injusto o aumento dos deputados pode se deparar com o veto do governador...


Por Lula Vilar

Foto: Arquivo/Cada Minuto

Assembleia Legislativa de Alagoas

No dia 28 de dezembro de 2016, a TV Gazeta fez uma matéria abordando o reajuste salarial que os deputados estaduais concederam a si mesmos em épocas de crise. Eles sairão do patamar de R$ 20 mil para receberem R$ 25 mil. A reportagem teve o teor crítico necessário, a meu ver.

Afinal, em tempos onde muitas categorias sequer conseguem repor as perdas inflacionárias, os parlamentares estaduais resolvem conceder tal aumento para eles mesmos. Critiquei também o assunto aqui neste blog.

Lembrei ainda que este é o mesmo parlamento que recentemente parcelou o salário atrasado de servidores alegando não poder pagar de uma única vez. Falei das pendências que possui com o funcionalismo da Casa de Tavares Bastos, dentre outras questões. Os textos estão no arquivo do blog.

Agora, na reportagem da TV Gazeta um fato me chamou atenção. Eu o repercuti nas redes sociais. O líder do governo, deputado estadual Ronaldo Medeiros (PMDB), foi procurado pelos jornalistas da emissora e disse que achava que a imprensa estava sendo “injusta” ao criticar o aumento auto-concedido dos deputados estaduais.

Como também critiquei, estive entre os “injustos”.

Lembrei a Medeiros que injusto são os servidores desta Casa ter seus salários atrasados divididos em parcelas que mais parecia um carnê das Casas Bahia, por exemplo. Que injusto é a mais alta casta do funcionalismo público – que se arroga o título de representante do povo – não entender que as críticas partem de grande parcela da sociedade revoltada com servidores privilegiados que podem conceder reajustes a si mesmos sem sequer avaliar o “custo-benefício” que representam.

Pois bem, quem também falou, no dia de hoje, 09, que tal reajuste pode ter algo de ilegal (imoral já é por si só) foi o governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB). O chefe do Executivo estadual já mandou avisar ao presidente da Casa, Luiz Dantas (PMDB), que pretende questionar a legalidade do ato do parlamento e, se tiver embasamento jurídico para tal, vai vetar. Estará sendo injusto também o governador, deputado estadual Ronaldo Medeiros? Perguntar não ofende.

Eis a fala de Renan Filho à Gazetaweb: "Ao que parece, neste momento, é que não há legalidade no aumento que foi dado. Talvez por outro caminho possa ser ofertado o reajuste, mas não por este que foi feito. Inclusive, já pedi para comunicar aos deputados e à Casa sobre o tema. É uma questão legal".

O governador se ateve a questão legal, mas mostrou uma argumentação coerente. Porém, questionar a moralidade do ato também é possível de ser feita, sobretudo pelo cidadão que é quem paga os salários dos parlamentares. Mesmo que isto não represente um “voltar atrás” ou “impedir o aumento”. É que o Legislativo é sustentado pelo contribuinte. Sendo assim, é seu dever ser crítico também.

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Postado em 09/01/2017 às 19:45 0

Renan Filho avisa que pode vetar aumento de deputados. Argumentação coerente!


Por Lula Vilar

Agência Alagoas

Renan Filho

Em relação ao aumento que os deputados estaduais de Alagoas concederam a si mesmos, já falei em uma postagem que existia a possibilidade do governador Renan Filho (PMDB) vetar, mas que ele tinha desculpa perfeita para não fazê-lo. Afinal, trata-se de um assunto do Legislativo e de seu duodécimo e ainda poderia falar sobre o “impacto financeiro”.

Porém, disse que há caminhos para o governador brecar a decisão e que seria justo que pensasse nestes caminhos. Renan Filho o fez. Não estou dizendo que o fez porque falei sobre isto. Claro que não! Fez porque resolveu fazer e está correto.

Eis que o governador – em entrevista à imprensa, no dia de hoje 09 – surpreendeu. Renan Filho chamou a responsabilidade para si e resolveu bancar o veto à decisão do Legislativo. É provável que o parlamento estadual derrube, mas é justamente aí que vamos saber até onde o chefe do Executivo está disposto aí. Pois, pode ainda recorre, com base em parecer da Procuradoria-geral do Estado se assim for preciso. Mas, aí são capítulos futuros.

Os deputados – para quem não lembra – aumentaram seus salários de R$ 20 mil para R$ 25 mil em tempos de crise.

O fato é que o governador está correto em sua argumentação. Pode ser que mesmo assim existam os críticos que adotem duas premissas: 1) a ação do governador foi para “inglês ver”; 2) ou ainda dirá que ele está sendo populista. Mas o fato é que ele mandou o recado e argumentou de forma correta. Logo, merece o reconhecimento.

Renan Filho disse que há um entendimento jurídico de que o Estado não tem como conceder reajuste aprovado pelos deputados. Ou seja: o veto volta para a Casa de Tavares Bastos com embasamento. De acordo com o peemedebista, caso não haja caminho legal para ser sancionado, vai vetar. O aviso já foi dado ao presidente da Assembleia Legislativa, Luiz Dantas (PMDB).

Em declaração, Renan Filho expôs o seguinte: "Ao que parece, neste momento, é que não há legalidade no aumento que foi dado. Talvez por outro caminho possa ser ofertado o reajuste, mas não por este que foi feito. Inclusive, já pedi para comunicar aos deputados e à Casa sobre o tema. É uma questão legal". Uma pena que ainda considere outro caminho, mas entendo que só pode agir nos limites da legalidade.

 Vale lembrar que votaram contra o reajuste auto-concedido os parlamentares Rodrigo Cunha (PSDB), Galba Novaes (PMDB), pastor João Luiz (PSC) e Jó Pereira (PMDB). Agora, é aguardar para saber até onde vai o governador.

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Postado em 09/01/2017 às 11:07 0

Congresso em Foco: Collor foi o mais faltoso de 2016


Por Lula Vilar

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Fernando Collor

No dia de ontem, 08, o site Congresso em Foco publicou um levantamento das faltas dos senadores no ano de 2016. O senador alagoano Fernando Collor de Mello (PTC) é o mais faltoso. Collor teve mais faltas que Jarder Barbalho (PMDB), que enfrentou complicações de Saúde.

De acordo com o site, das 91 reuniões que Fernando Collor deveria participar até o início de dezembro, faltou a 30. Justificou 25 dessas ausências. Segundo o senador, todas foram para participar de alguma atividade parlamentar.

Fernando Collor de Mello faltou uma a cada três sessões convocadas para votações de projetos, medidas provisórias ou propostas de emenda constitucional. É o que registra o levantamento do Congresso em Foco.

Como bem lembra a Constituição do país, a perda de mandato de deputado ou senador pode ocorrer no caso de faltar a mais de um terço das sessões ordinárias ao longo do ano sem justificar.

Por sorte, Collor teve suas ausências abonadas por meio de justificativas. O que chama atenção, no entanto, é que as ausências por realização de atividade parlamentar não precisam ser detalhadas. Uma lamentável falta de transparência para quem acompanha a atividade dos parlamentares.

Então, tal atividade acaba sendo qualquer compromisso assumido em Brasília, no estado de origem ou até no exterior. Entra na conta até as ausências para pedir voto na campanha eleitoral de 2016, seja para si mesmo (caso o parlamentar esteja candidato), ou para pedir votos a aliados políticos. Não sei se é o caso do senador do PTC. Não há detalhes nas justificativas, como já dito.

Convenhamos que pedir votos para quem quer que seja não faz parte de atividade parlamentar. O Congresso em Foco chama atenção para o fato.

Seria interessante que Collor respondesse aos alagoanos em detalhes o que foi cada uma dessas atividades parlamentares que resultaram nos abonos das faltas. Deve existir – entre tantos assessores à disposição – algum que controle e tenha conhecimento de sua agenda.

Além de Collor, que também acumula falta é Zezé Perrela (PTB). Ele faltou a 25 sessões das 91 realizadas entre fevereiro e dezembro. 23 foram justificadas pelas “atividades parlamentares”. Omar Aziz (PSD) também é um dos faltosos: 27.

Como homem público, Collor deve satisfações ao eleitorado. As mesmas satisfações que buscou dar ao se colocar como inocente diante das acusações oriundas das investigações da Operação Lava Jato. Com a palavra, o senador...

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Postado em 09/01/2017 às 10:49 0

Renan Calheiros: após presidência, as dificuldades para liderar o PMDB


Por Lula Vilar

Foto: TV Senado

Presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL)

Em breve, o senador Renan Calheiros (PMDB) deixará o comando da presidência do Congresso Nacional. A questão que se abre agora é o futuro político do senador que, além de trabalhar buscando manter os espaços de poder em Brasília, também se prepara para o processo eleitoral de 2018.

Calheiros disputará uma das mais difíceis eleições que já teve. Além dos muitos pré-candidatos que despontam para as duas vagas que serão abertas no Senado, há o desgaste que sofre por conta das acusações e inquéritos oriundos da Operação Lava Jato.

Renan Calheiros está acostumado a “montar o xadrez eleitoral”, como fez em 2010, quando conseguiu limpar o caminho para a sua reeleição. Todavia, com dois grupos políticos bem desenhados para 2018, pode ter como rivais o ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), o atual senador Benedito de Lira (PP) e o ministro dos Transportes, Maurício Quintella Lessa (PR). Em seu grupo, ainda há pré-candidatos como o ministro do Turismo Marx Beltrão (PMDB). Conciliar interesses não será tão fácil como já foi um dia.

De forma mais urgente, Renan Calheiros – segundo bastidores políticos – trabalha para ocupar a liderança do PMDB na Casa. Ele já desempenhou tal função. Mas, apesar do poder, há resistência ao seu nome. O motivo? Os inquéritos da Lava Jato.  Pesa também a relação conturbada com o presidente Michel Temer (PMDB).

Há quem veja em Renan Calheiros como líder um constrangimento. Isto é dito com todas as letras pelo senador Roberto Requião (PMDB), por exemplo, na declaração que deu ao O Globo. O nome que também se encontra na disputa é o de Eduardo Braga (PMDB). Ele não bate de frente com Calheiros, mas afirma que a liderança precisa ser renovada.  

A tese de Braga é que o PMDB abra espaço para novas caras diante dos desgastes que o partido vem sofrendo. Porém, Renan Calheiros tem poder e, consequentemente, aliados. João Alberto (PMDB) – também em entrevista ao O Globo – defendeu o alagoano como “grande líder”.  

Sobre os inquéritos, Renan Calheiros diz ter confiança que todos serão arquivados. Argumenta a falta de consistência e provas das denúncias levantadas. O senador alagoano também mostra, em entrelinhas, que não está disputando liderança, mas se sente “honrado” ao ter seu nome lembrado. É a mesma postura de quando disputou a reeleição da presidência no Senado Federal. Fazia de conta que não tinha tanto interesse enquanto costurava nos bastidores. É o jeito Renan Calheiros de ser...

O fato é que sem espaço Renan Calheiros não quer ficar. Ser um “simples” senador não é para Renan Calheiros.

A liderança do PMDB na Casa não é disputada apenas por Renan e Braga. Quem tenta o posto é Raimundo Lira (PMDB). Vale lembrar que a posição é de extrema relevância. Afinal, o partido tem a maior bancada com 19 senadores e é a sustentação principal do governo de Michel Temer.

Renan Calheiros como líder terá muito poder junto ao presidente. Além disto, a influência para indicar uma série de comissionados, fora os cargos indiretos.

E se Renan Calheiros não for líder? Segundo O Globo, o senador alagoano pode ser agraciado com a presidência da Comissão de Constituição e Justiça, o que também representa poder junto ao Executivo, em função das pautas. Ou seja: Renan Calheiros – de alguma forma – ainda terá espaço para dar as cartas...

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Postado em 09/01/2017 às 10:10 0

Das facções criminosas e a importante obra de Carlos Amorim


Por Lula Vilar

Foto: Reprodução

Jornalista Carlos Amorim

É natural que diante de um grave problema se busque ouvir quem o estudou. Fiz diversos textos citando o jornalista Carlos Amorim. Eu não sou especialista no tema, mas ele é. Na época em que a questão me interessou, por volta do ano de 2013, eu me dediquei à leitura de vários textos, dentre eles a trilogia de Amorim, que é formada por História do Crime Organizado, A Irmandade do Crime e Assalto ao Poder. Todos excelentes.

Portanto, é sobre o conteúdo das obras dele que falo e não sobre o que eu penso necessariamente, pois não tenho gabarito para isto. O que fiz foi apenas reproduzir o que se encontra em suas obras. Fiz isto em pelo menos dois artigos neste blog e em algumas reflexões em minhas redes sociais.

Existiu até quem mandasse indiretas (em tempos de redes sociais elas são inevitáveis) para os meus textos, dizendo que estou querendo dar uma de "especialista". Eu mesmo não! Só li alguns autores que tratam do assunto. Dentre eles, Amorim. Não cometi o erro brutal de tomar os textos dele e os estudos dele para mim. Disse o tempo todo de quem eram aquelas colocações que faziam sentido e, consequentemente, mereciam ser resgatadas em tempos atuais.

E olhe que não concordo com tudo que ele diz. Mas isto não vem ao caso, pois posso não concordar com uma ou outra conclusão, mas os dados que ele apresenta são certeiros. Quem observar o site dele e também me acompanha vai perceber onde há discordâncias de visões de mundo.

Mas, no assunto facções criminosas (gênesis e modo de ação), ele é um dos que mais entendem do assunto neste país. Se eu fosse governante, iria ouvi-lo com toda a humildade do mundo. Não teria nada a perder. Teria muito a ganhar.

O problema é que temos governantes que querem fingir que o problema não existe e ficam dando outros diagnósticos para a população.

O senhor ministro da Justiça Alexandre de Moraes poderia marcar uma conversa com cidadão e ouvi-lo. Duvidam da importância disso, leiam o site de Carlos Amorim. Eis um trecho: "Após mais de 20 anos de parcerias, CV e PCC se desentenderam. Por trás da ruptura estão desacertos comerciais no mundo do tráfico de drogas e de armas de guerra, os segmentos mais lucrativos do crime organizado brasileiro, descontando a política, um tabuleiro privilegiado para os criminosos de colarinho branco. E a luta entre as facções, que controlam as cadeias em todo o país, ameaça se alastrar para regiões além da fronteira norte. Os próximos cenários do conflito podem ser os estados de Mato Grosso do Sul e do Paraná, também áreas de fronteiras com fornecedores de maconha, cocaína e armas".

Estas e outras informações por lá: https://carlosamorim.com/

Não conheço o ministro da Justiça, mas sempre tive uma boa relação com o ministro dos Transportes, Maurício Quintella Lessa (PR). O cito aqui apenas para implorar que leve ao Ministério da Justiça - caso possa - a trilogia de Amorim, em especial os volumes Irmandade do Crime e Assalto ao Poder.

Eu sempre estranho quando as vozes que possuem o que falar são simplesmente deixadas de lado pelo mainstream. Não são sequer mencionadas. É como se ninguém neste país tivesse estudado o assunto. E não estou falando do assunto "presídios", mas do tema "facções criminosas".

Pois é óbvio que na questão em relação aos presídios, sabemos dos problemas de estrutura, do modelo absurdo de cárcere, da não separação de presos por periculosidade, das "antecipações de pena" que resultam em injustiças etc, etc, etc... Inclusive, o próprio Amorim faz estas distinções ao pontuar a falência do sistema carcerário no Brasil.

Mas, há outra questão que é varrida para baixo do tapete quando se discute apenas um lado: como o crime organizado se estruturou ao longo do tempo e funciona nos dias atuais, contando com “compras no atacado” de determinadas autoridades.

O que se viu na noite de ontem na reportagem do Fantástico foi justamente o olhar para apenas um ângulo da questão.

Se o MPF do Amazonas usar a informação que já possui para encaminhar uma "Lava Jato" direcionada às facções criminosas teremos um ganho enorme para o país. Aparecerão autoridades no meio do caminho, não duvidem!

Outra reflexão de Carlos Amorim que vai ao estômago do establishment: "É a velha tática do governo federal: esse negócio de organizações criminosas é problema dos estados. Brasília quer distância desses conflitos sangrentos. Como se não tivesse nada a ver com isso". É a fala de quem tem uma trilogia detalhada sobre o assunto.

Ainda bem que, em seu blog, Amorim resolveu falar sobre o assunto.

Sobre as discordâncias com o jornalista em questão: 1) ele faz elogios ao PT que eu não faço; 2) Ele já fez texto criticando a PEC dos gastos (eu não critico); 3) ele me parece ter um alinhamento a uma esquerda considerada democrática com quem tenho divergências e 4) ele sempre me pareceu contra o impeachment, classificando de forma errada, a meu ver, uma determinada bancada que faz parte do mesmo establishment de “conservadora”, quando na realidade o termo mais correto seria “patronato”, como mostra Raimundo Faoro em Os Donos do Poder.

Porém, devo reconhecer que ele é o autor de uma das mais importantes obras do jornalismo brasileiro. Seria desonestidade de minha parte não reconhecer, ignorar ou não indicar tais livros. É que é possível discordar reconhecendo o mérito de quem acerta na mosca em determinadas questões. Simples assim. É o que fez Amorim ser elogiado até por gente que critica muitas de suas posições políticas. É só pesquisar.

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Postado em 09/01/2017 às 10:02 0

O Excelente Catracas Púrpuras de Pablo de Carvalho agora é de graça. Eu indico!


Por Lula Vilar

Sempre que posso uso este espaço para falar do que considero interessante na Literatura. Uma forma de dar uma pausa nos assuntos políticos em pauta. Lá vai então: Que maravilha,  Uma das belas obras do amigo e escritor Pablo de Carvalho está disponível de graça para leitores aqui neste endereço. É o Catracas Púrpuras.

A obra de Carvalho é de uma riqueza impressionante. Daquelas obras que se preocupa em dissecar a alma. Confesso que a minha preferida é o romance poético Iulana, mas também gostei muito de Catracas Púrpuras.

Há uma história interessante, pois conheci primeiro Pablo como escritor e depois ele se tornou um amigo. Em um primeiro encontro, ele me indagou o que achei de seu primeiro livro que é O Eunuco. Antes de dizer minha resposta, um adendo: Pablo já era amigo da minha esposa Vanessa Alencar, que estava ao meu lado na hora na pergunta.

Eis a minha resposta: "Não gostei. Achei que força a barra nas descrições minuciosas e peca nessa coisa de querer chocar. Quando o choque soa gratuito, eis algo que me desagrada. Mas o enredo é legal e por isso mesmo dispensaria os excessos".

Achei que Pablo me daria um soco, mas me agradeceu pela sinceridade: "Que bom que você foi tão sincero". A partir daí veio uma abertura para uma longa conversa sobre o livro.

Detalhe, eu estava bebendo com o cidadão na varanda dele. Confraternizávamos e discutíamos Literatura.

Mas, como disse a Pablo: "vejo no O Eunuco um futuro incrível, pois poucos escritores têm esse dom de uma narrativa tão densa. É só enxugar excessos, como você fez no maravilhoso Iulana. Eu não tardaria em relançá-lo de forma revisada depois de ter alcançado a maturidade apresentada em Iulana".

De O Eunuco para Iulana é um "espetáculo" de maturidade literária de quem consegue ser áspero, cru e ainda assim manter o lirismo. As primeiras páginas do romance são de tirar o fôlego. É incrível que tal obra não tenha chamado atenção de editoras grandes.

Catracas Púrpuras fez merecer o prêmio que ganhou. Na época, acho que 2013, foi o melhor livro de Literatura que li naquele ano. E assim como fui sincero com a crítica pesada, também o fui ao dizer isto ao Pablo de Carvalho. Enfim, baixem as obras de Carvalho e leiam. Vale muito!

É um dos escritores mais inteligentes que conheço.

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Postado em 06/01/2017 às 10:58 0

Collor está no grupo de Rui Palmeira, mas Collor é uma esfinge com seu grupo


Por Lula Vilar

Rui Palmeira e Fernando Collor

É verdade que o senador Fernando Collor de Mello (PTC) está agora muito próximo do grupo político do prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB). É verdade também que isto diz muito sobre as perspectivas para o ano de 2018, quando teremos eleições governamentais. O silêncio de Rui Palmeira – por exemplo – diz muita coisa.

O prefeito nunca rechaçou a possibilidade de ser candidato ao governo, ele opta pelo silêncio de “não negar, nem confirmar”. Com isto, é possível perceber que o tucano anda – como diz o dito popular – “com um olho no peixe e outro no gato”. Isto dá uma vantagem já que Renan Filho (PMDB) é candidato natural à reeleição, logo terá maior vitrine para atrair mais pedras.

Palmeira observa o caminho e o possível cavalo selado. Por isto, amplia seu grupo político. Trouxe o senador Fernando Collor de Mello, mantém a parceria com o deputado federal Ronaldo Lessa (PR) e deu mais espaço ao homem de confiança do ministro dos Transportes, Maurício Quintella Lessa (PR), que é no caso em questão o secretário de Infraestrutura, Ib Brênda.

Como já é praxe na política alagoana, o desenho que começa a ser feito agora apresenta as suas curiosidades, como a possibilidade de termos Teotonio Vilela Filho (PSDB) e Fernando Collor de Mello (PTC) no mesmo palanque. Foram rivais ferrenhos nos últimos anos.

Mas se há o ditado de que política é como nuvem no céu: você olha e está de um jeito, baixa a cabeça e olha de novo e tudo mudou, este dito vale muito mais para Fernando Collor de Mello. Collor é uma esfinge que, mesmo dentro de qualquer grupo, sempre pensa nas possibilidades que se abrem para ele mesmo e sua sobrevivência na política. Olhando com a óptica da perspectiva histórica não foi fácil o retorno collorido.

Ao sair da presidência como saiu, Collor foi jogado ao ostracismo e tido como carta fora do baralho. Tanto que antes de retornar tentou ser candidato em São Paulo, ser governador de Alagoas e não obteve êxito.

Não será surpresa se lá na frente – ainda tendo quatro anos de mandato pela frente – o senador do PTC escolher “tumultuar” lançando uma candidatura ao governo.

O fato é que, neste momento, Collor se distancia do senador Renan Calheiros (PMDB) e do governador Renan Filho (PMDB). Já tinha feito isto no processo eleitoral de 2016, quando apoiou candidato de seu partido, Paulo Memória (PTC), na disputa pela Prefeitura de Maceió. As chances de Memória eram mínimas, como se confirmou nas urnas. Então, não foi o peso de Memória que criou a aliança com Rui, mas o peso de Collor. Em todo caso, Fernando Collor de Mello nem ficou com o governo do PMDB, nem com Rui Palmeira. Esperou para ver!

É o mesmo Collor de 2006 que – depois de muito silêncio – se lançou ao Senado Federal. Surpreendeu o então candidato (e hoje deputado federal) Ronaldo Lessa e roubou-lhe a eleição. É o mesmo Collor de 2013 que costurou ser o candidato ao Senado no grupo de Renan Calheiros, apoiando Renan Filho ao governo e derrotando Heloísa Helena (Rede). Naquele momento, apenas uma vaga em disputa. Sempre é o mesmo Collor do bloco do eu sozinho, com alguns personagens políticos que orbitam em torno dele, mas que não o ameaça.

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Postado em 06/01/2017 às 10:34 0

Depois do Amazonas, o “acidente” acontece em Roraima. Coincidência? Não!


Por Lula Vilar

Agência Brasil

Eis que depois da tragédia no Estado do Amazonas, no presídio de Manaus, agora estoura mais uma rebelião com mortos na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, a maior de Roraima. As informações são da própria Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc).

Na manhã de hoje, foi informado o número de mortos: 33 presos. Ainda são aguardados os detalhes. Porém, já é possível afirmar que não se trata de uma coincidência, mas sim – como já disse em outra postagem – da crônica de uma tragédia anunciada. Republicarei neste espaço o texto que já havia feito sobre a situação em Manaus. Aí, o leitor julga.

O fato é que as mortes em Roraima refletem as brigas de facções criminosas que se espalham por todo o país. Um caldeirão em ebulição. A completa falência do sistema de segurança pública que, ao longo de sua história, abriu espaço para que o crime organizado tomasse conta dos presídios, por meio de um estado paralelo com tribunais de exceção, aos moldes revolucionários.

Não por acaso, estas facções aprenderam – desde o presídio Ilha Grande, na época do Regime Militar – a se articularem em discursos, jargões, marketing, publicidade, estatuto, enfim...um verdadeiro manual de guerrilha. Não são presos comuns. Não é coincidência que, com estes instrumentos em mãos, tenham ampliado tentáculos, ao ponto de, como fica claro na investigação do MPF, cultivar associações com as Farcs. Portanto, não é coincidência também que a principal atividade seja o narcotráfico, a lavagem de dinheiro e ligações políticas.

Por isto se beneficiam do discurso do “banditismo de classes”, das “vítimas da sociedade”, enquanto tocam o terror em um país completamente desarmado. Não estranhem se as investigações mostrarem as reais ligações entre o caso do Amazonas e agora o de Roraima. Eles estão interligados.

Em outubro, na penitenciária agrícola, já houve o confronto entre duas facções rivais e familiares de presos foram feitos de refém. Na época, alguns detentos foram queimados e outros decapitados.

Em relação a este caso de agora, já existe informação ligando com o que ocorreu em Manaus. No dia 3, o Amazonas emitiu alerta para Roraima avisando sobre confrontos possíveis nas unidades do Estado. É quando eu repito: a palavra acidente usada pelo presidente Michel Temer (PMDB) – por mais que seja sinônimo de tragédia – dá a noção de imprevisibilidade desta e busca, por um eufemismo torpe, minimizar a culpa que o Estado possui que o estabishment possui e não apenas cultivou, mas incentivou ao longo das décadas. Portanto, não corresponde à realidade.

Quem dúvida que leia a obra A Irmandade do Crime de Carlos Amorim e veja o processo de formação e aperfeiçoamento destas facções. Vocês verão a entrada do discurso revolucionário nela. Algo que escapou – propositadamente – à Comissão da Verdade, que foi criada para resgatar a história da Ditadura Militar. Lá, só houve a busca da verdade para um lado. Sem ir à raiz dos nossos problemas, jamais teremos perspectivas históricas (como diria Roberto Campos), mas sempre perspectivas histéricas diante dos acontecimentos. Sempre tais histerias são ainda vitaminadas pela visão ideologizada.

Eis o que já havia escrito sobre o assunto:

O Ministério Público Federal (MPF) foi certeiro ao colocar o dedo na ferida no caso do massacre ocorrido no presídio de Manaus. De acordo com matéria publicada no G1, O MPF apontou para o envolvimento entre os líderes da rebelião, que terminou em 56 mortos, com o grupo guerrilheiro das Forças Armas Revolucionárias da Colômbia (Farcs).

Pelo que lembro, é a primeira vez que uma investigação aponta para algo que já foi denunciado por Carlos Amorim em seu excelente livro-reportagem CV/PCC: A Irmandade do Crime. Na obra, Amorim detalha o quanto algumas facções conseguiram organizar o crime a partir das lições dos revolucionários de plantão. Em outras palavras, os presos políticos que ficaram na Ilha Grande. Ele não fala das Farcs, mas mostra a linha de raciocínio que prevaleceu no país há alguns anos.

O erro do Estado em misturar os presos (já na época) possibilitou o aprendizado de uma linguagem de subversão para criar o “banditismo de classe”, além do aprendizado das táticas revolucionárias para serem usadas em associação ao tráfico de drogas, assaltos e sequestros. Além disto, o marketing e a propaganda das quadrilhas, como o lema do PCC: Luta pela liberdade e Justiça. Parece piada, mas não é. A organização tem até estatuto, como mostram diversos estudos.

Indiquei o livro de Amorim para dois amigos. Mesmo sendo recheado de fontes primárias, ambos trataram como “teoria da conspiração”. Que pena!

Não por acaso, ao longo do tempo, as Farcs ocuparam até lugar de destaque em entidades como o Foro de São Paulo, que agrupou partidos políticos. Quem duvida que leia as atas, ou obras como Conspiração de Portas Abertas, organizado por Paulo Diniz Zamboni. Há ainda o livro de Heitor de Paola: O Eixo do Mal Latino-americano. São obras que, infelizmente, não são muito divulgadas na imprensa. Lá, os reais interesses.

Obras que desnudam o sonho revolucionário no continente e mostram quem é quem. Vale pesquisar ainda com quem as Farcs se relacionam. Não vou classificar aqui que as investigações do MPF são tardias, pois são. Poderiam ter sido feitas antes da tragédia diante do volume de informações e fatos que se apresentam, em documentos e obras.

A forma como muitas correntes criminosas se travestem em um “sentimentalismo tóxico” e se apóiam nele também pode ser vislumbrada nas obras mais densas do pensador Theodore Dalrymple, que mostra o terreno perfeito para o mal a partir disto.

Dalrymple tem tido suas obras traduzidas para o país pela editora É Realizações. Não trata do tema diretamente, mas vai dando informações que ajudam a compreensão de um contexto em que a lógica é subvertida e a vítima passa a ser a culpada e o culpado vira a vítima. Portanto, diferente do que diz o presidente Michel Temer (PMDB) ao classificar o episódio como “acidente”, o que temos é a crônica de uma morte anunciada.

Afinal, os presídios brasileiros viraram uma tábua de pirulito, cheios de buracos por onde entram tudo, desde armas e drogas, até a noção de um organograma que permite o controle do crime a partir destas cadeias. Este organograma ainda permite a extensão dos tentáculos pela América Latina. E quem denuncia isto é visto como alguém insensível que não pensa na “vida do preso”. É óbvio que isto gera disputa de espaços de comando, um estado paralelo, e um tribunal de exceção.

Ora, é óbvio que se quer que presídios que funcionem como devem e não campos de concentração para extinguir vidas humanas. Por sinal, tais campos de concentração existem nos mais totalitários países e foram uma das faces dolorosas dos regimes sanguinários do século XX. Ao que consta, lá não morreram bandidos, mas vítimas por discordâncias políticas. Porém, estas não são lembradas por muitos dos defensores de direitos humanos.

Ninguém pode ser contra os direitos humanos. Todos merecem um julgamento justo e dentro do que preconiza o Estado Democrático de Direito, bem como as condições para pagarem suas penas quando bandidos. Pois, lugar de bandido é cadeia. A questão é o uso deste discurso para esconder verdades que, agora, o MPF aponta, por exemplo. O Ministério Público Federal acerta na linha de investigação e espero que vá adiante. Que aprofunde. Que puxe o fio do novelo ao ponto de desembaralhá-lo por completo.

Segundo os documentos obtidos pelo MPF, os traficantes brasileiros teriam comprado pistolas, fuzis e submetralhadoras do mesmo fornecedor de armas das Farc. Para promover a paz? Pois é...

 Mais que isto, aprenderam – ao estilo dos regimes revolucionários, que se crêem juízes, promotores e advogados de defesa personificados em uma ideologia – a criar tribunais paralelos que decidem sobre os crimes que podem ser praticados e determinam até sentenças de morte dentro dos presídios. Isto mesmo! Para quem acredita que o Estado é o grande vilão condenando os outros, eis aí o exemplo bem pior de condenação sem direito a qualquer tipo de defesa. E quem me acompanha sabe que não sou fã do Estado, muito pelo contrário. 

O MPF ainda coloca que as brigas estariam ligadas à disputa de território entre duas facções rivais que atuam no estado, a Família do Norte (FDN), ligada ao Comando Vermelho (CV), e o PCC (Primeiro Comando da Capital). Mas, pelo rumo das investigações, o “buraco é bem mais embaixo”, como diz o jargão popular.

Um dado que chama atenção. Vejam, o presidente Michel Temer – em suas declarações – tentou isentar o Estado de culpa, mas – ao que tudo indica – o governo estadual permitiu, mesmo recebendo da administração do presídio a recomendação de que não fizesse, que mais de 1,2 mil presos pudessem receber ao menos um acompanhante no Natal e no Ano Novo. Isto já era visto como temeroso, em função da situação do presídio. Entendem como é a crônica anunciada e não um acidente.

Além disso, outra questão que envolve o Estado: há suspeita de superfaturamento nas contratações de empresas que administram os presídios. Além disto, conflitos de interesses e ineficácia da gestão, mesmo tendo custado tanto aos cofres públicos. É muito fácil opinar sem dados, difícil é correlacionar tudo que vem acontecendo, mesmo com ampla literatura sobre o assunto, mas nem sempre usada por quem deveria esclarecer.

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Postado em 06/01/2017 às 10:13 0

Rodrigo Jungmann estreia no CadaMinuto


Por Lula Vilar

Foto: Divulgação

Professor Rodrigo Jungmann

Todo novo ano é ano de reformulações. Sendo assim, em nossas vidas pessoais, tomamos decisões, mudamos algumas coisas e confirmemos o que anda no rumo certo. É assim também nas empresas. O CadaMinuto abre 2017 com novidades que vão surgindo aos poucos. Aguardem.

A primeira delas foi a estreia, no dia de hoje, 06, da coluna do professor de filosofia Rodrigo Jungmann. O trabalho de Jungmann nas redes sociais é polêmico, porém fabuloso. Com citações de obras importantes, críticas ferrenhas aos radicalismos da esquerda, o professor ganhou destaque. Houve até os que tentaram cercear sua liberdade de pensamento e expressão, invadindo seu local de trabalho, em um lamentável episódio.

É com orgulho que o CadaMinuto anuncia a coluna de Jungmann aos seus leitores. Eu, particularmente, como amigo do professor dou as boas vindas. Não tenho dúvidas de que Jungmann qualificará o debate com ideias plurais neste site, assim como já fazem todos os demais colunistas de nossa Pensata.

Em breve, outros projetos virão. Sirvam-se deles. Estejam livres para concordar, discordar e debater. Este é o espírito que move o CadaMinuto.

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