América Armada: Como o jornalismo ideológico destrói o debate verdadeiro

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A Pew Research Center, importante centro de pesquisas americano, divulgou recentemente uma ampla pesquisa, intitulada “America’s Complex Relationship With Guns”(1), sobre a posse, o porte e os proprietários de armas nos Estados Unidos. Como a imprensa brasileira noticiou o fato? Assim: “Mais de 80% dos americanos querem mais controle sob armas, aponta estudo”. Estadão, Exame e muitos outros veículos de informação saíram simplesmente repetindo a manchete da agência espanhola EFE(2), sem qualquer preocupação de checar se era verdade. E é? Não! Ou, pelo menos, não bem assim.

Primeiramente temos que ter em mente que hoje todos nos transformamos em consumidores de manchetes e, devido à quantidade de informação disponível, acabamos focando apenas e tão somente em meia dúzia de assuntos por quais temos mais interesse. Eu, por exemplo, nunca fui afeito ao futebol, portanto, quando passo meus olhos pelos sites de notícias, jornais ou revistas, no máximo bato o olho nas manchetes sobre o tema; se um jornalista diz que determinado time é o melhor daquele momento, tendo a aceitar isso como verdade.

A manchete estampada sobre o estudo em questão leva a entender que nos EUA a maioria da população quer – e exige – mais restrições e, quase inconscientemente, nosso cérebro pode chegar à conclusão que mesmo lá a população deseja controles muito mais rígidos ou até mesmo algum tipo de desarmamento. É esse o exato objetivo da matéria! Nada mais falso!

Uma recente pesquisa(3) do instituto Gallup confirma a falsidade da manchete. O que a pesquisa aponta é que a maioria apoia ou aceita algum tipo de controle, o que é bem diferente de querer ou exigir. Ora, isso é o óbvio! Afinal, quem em sã consciência vai querer que um criminoso reincidente ou alguém com sérios transtornos mentais possa entrar em uma loja e sair com um fuzil? Essa aceitação por controle é coisa velha e eu mesmo já falei dela no artigo “Como os democratas derrotaram o desarmamentismo de Obama”(4), no qual abordo a aproximação de Democratas e Republicanos nessa questão. Há um abismo entre o que aponta o estudo e a manchete divulgada, esta última trazendo, obviamente, um viés ideológico.

A íntegra(5) do estudo encontra-se disponível no site do Instituto. Em suas 79 páginas traz uma gigantesca quantidade de informações para quem quer entender de uma forma honesta, independentemente da posição que já tem sobre o assunto, a questão das armas de fogo na América. A pesquisa revela dados que podem dar subsídios para interpretações, análises e conclusões sobre esse tema eternamente em pauta no Brasil. Reduzir a importância de um material de tamanha relevância e riqueza de informações à guisa de impor uma ideologia antiarmas ou favorável ao desarmamento é empobrecer o debate e sonegar ao leitor informações, oposto do que deveria ser o papel do jornalismo.



1 http://www.pewsocialtrends.org/2017/06/22/americas-complex-relationship-with-guns/

2 https://www.efe.com/efe/brasil/sociedade/mais-de-80-dos-americanos-querem-controle-sob-armas-aponta-estudo/50000246-3306172

3 http://www.cadaminuto.com.br/noticia/294547/2016/10/27/pesquisa-gallup-confirma-americanos-nao-querem-mais-controle-de-armas


4 http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/como-os-democratas-derrotaram-o-desarmamentismo-de-obama-3dpsmcs6fvzn6uap460c7a1wn


5 http://assets.pewresearch.org/wp-content/uploads/sites/3/2017/06/22135403/Guns-Report-FOR-WEBSITE-PDF-6-21.pdf

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A polícia desarmada continua sendo o sonho da esquerda de condomínio fechado

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A Folha de São Paulo (1), um dos maiores jornais do país, publicou mais uma reportagem em que aborda a morte de policiais e a tal “letalidade policial” em São Paulo. Desta vez aborda o assunto pelo viés desarmamentista da ONG Sou da Paz. Nada de novo no front para quem acompanha atentamente esse assunto nos últimos 20 anos.

Para o jornalista e para a ONG desarmamentista, o problema é o policial portar arma de fogo em sua folga. Em resumo: os policiais são acusados quando matam e até mesmo quando morrem. Afirmam que 70% dos policiais morrem durante seu período de folga ao reagirem ou intervirem em ocorrências criminais. Isso é fato, não discuto. As questões “esquecidas” e que deveriam estar presente obrigatoriamente se estivéssemos diante de um estudo sério “estudo” é óbvia: quantos policiais deixaram de morrer exatamente porque estavam armados e reagiram? Quantas vítimas foram salvas por policias de folga que não fizeram – usando um jargão policial – “olho de vidro”? Quantos criminosos foram presos e autuados por policias nessas condições? Claro, nada disso importa aos que não tem nenhum interesse em uma discussão verdadeira sobre o tema.

A ideia de uma polícia desarmada – e subjugada – é um velho sonho esquerdista, em especial se tratando das policias militares vistas como símbolo da “direita opressora”. A explicação é vergonhosamente simples: o ambiente policial, via de regra, é solo infértil para teses progressistas.  Não é de hoje que tentam de todas as formas impor aos policias restrições no que diz respeito à posse e ao porte de armas, mesmo para as instituições que até hoje sofrem com as imposições desarmamentistas do ditador Getúlio Vargas, tema que abordo mais profundamente em meu livro (2).

Triste - e grave - é ver teses como o desarmamento sendo encampadas por instituições policiais e guardas municipais pelo país. Há muitos exemplos disso pelo Brasil: O ônibus do Desarmamento em Alagoas, a parceria entre a Guarda Municipal de São Paulo e a ONG Sou da Paz, com a benção do prefeito João Doria (3) e ainda a Polícia Militar de São Paulo aceitando participar do Prêmio Polícia Cidadã da mesma organização (4).

Os efeitos dessas parcerias é a contaminação sistemática do pensamento policial onde o cidadão, mesmo legalmente armado, é visto como uma ameaça e não com um possível aliado na luta cada vez mais desigual contra os criminosos. Nesta semana mesmo, um amigo atirador esportivo, Vitor Oliveira, foi parado em uma blitz da polícia militar e mesmo com toda sua documentação em dia acabou levado para delegacia e foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma, chegando a passar algumas horas encarcerado junto com toda espécie de criminosos. Ele saiu apenas após pagar fiança e agora responderá a um longo e cansativo processo. Vejam o vídeo ao final deste texto.

Vitor, que conheço há anos, durante a abordagem teve que ouvir de um policial que se ele não era policial não tinha que estar armado. Mal sabe esse soldado que o mesmo pessoal que lhe incutiu essa ideia na cabeça, ele está nesse momento trabalhando fervorosamente para desarmá-lo também. É, tem gente que vai para cama do inimigo e nem percebe, enquanto isso a esquerda de condomínio fechado comemora a prisão de mais um cidadão honesto e chora quando um bandido morre em confronto com a polícia. Desarmar policias para que supostamente eles não moram é mais uma farsa desarmamentista e seria, em última instância, declarar o crime vencedor por WO. 

 

(1)    https://www.facebook.com/folhadesp/posts/1876791229029538

(2)    http://livraria.mvb.org.br/mentiram-para-mim-sobre-o-desarmamento

(3)    https://youtu.be/QEigxlTVx9k

(4)    http://www.soudapaz.org/o-que-fazemos/desenvolver/sistema-de-justica-criminal-e-seguranca-publica/policia/premio-policia-cidada

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Irmão de Silas Malafaia quer proibir o porte legal de armas em shoppings

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Lá vou eu meter a mão em vespeiro, mas quando não fiz disso meu objetivo de vida?

Acabo de receber o projeto de lei Nº 2162/2016 (1) apresentado pelo deputado Samuel Malafaia, irmão de Silas Malafaia, e ao abri-lo fiquei realmente imaginando se aquilo não era algum tipo de brincadeira do amigo que me enviou. Trata o projeto da proibição do porte LEGAL de armas de fogo em shopping centers do Rio de Janeiro. Vejamos os quatro artigos iniciais:

“Art. 1° - Fica proibido, em todo o território do Estado do Rio de Janeiro, o ingresso e permanência no interior de shopping centers, de pessoas portadoras de qualquer tipo de arma.

Art. 2° - Os shoppings centers ficam obrigados a instalar detectores de metais em todas as portas de entrada, inclusive nos acessos do estacionamento para o seu interior.

Art. 3° - Os shoppings centers devem possuir, em suas instalações, guarda-volumes apropriado para o depósito de armas. Parágrafo único. A administração dos shoppings centers será responsável pelo acautelamento das armas, bem como da devolução aos respectivos portadores.

Art. 4° - Os shoppings centers deverão emitir, em duas vias, comprovante do recebimento das armas, onde deverão constar nome do portador, nº da autorização para porte de arma e respectiva data de validade, tipo de arma, nº de série, data e hora correntes e as assinaturas do portador e do responsável pela posse e guarda do estabelecimento.

Parágrafo único. Para reaver sua arma, o cidadão deverá devolver a sua via do documento que comprove o recebimento da arma descrito no artigo 2º.”

Um primor da ficção e descolamento da realidade que dominou nosso legislativo! Se aprovado, nem mesmo policiais poderão entrar e permanecer armados nesses estabelecimentos. Os problemas são tantos que - juro! - não sei nem por onde começar. O deputado quer transformara os shoppings centers em “gun free zone made in Brazil”, garantindo assim, não a segurança do frequentador, mas a de quadrilheiros, baderneiros e toda sorte de malucos!

Depois dessa só posso imaginar que a “família” Malafaia realmente está numa cruzada contra a legítima defesa. Silas se posicionou tempos atrás (1) favorável ao desarmamento do cidadão, mesmo andando com seguranças fortemente armados (2). O deputado federal Sóstenes(3) acompanha o chefe em suas posições e sempre que pode ataca duramente o PL 3722 que acusa – falsamente! – de ser um projeto que “vai armar todo mundo”. E agora vem o irmão e apresenta essa pérola... Bom, vou encerrando por aqui e deixo uma pergunta: Silas Malafaia não vai mais em shoppings cariocas cercados pelos seus seguranças ou será que alguns são mais iguais que outros perante a lei?

 

 

(1) -  http://alerjln1.alerj.rj.gov.br/scpro1519.nsf/1061f759d97a6b24832566ec0018d832/945db41207ed7d0b8325804b0060be99?OpenDocument

 

(2) - https://youtu.be/J7tVZXenuQw

 

(3) - https://youtu.be/yg4IOF0W_CU

 

(4) - https://www.facebook.com/deputadopeninha/posts/1593153514029911

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Sobre policiais desarmados e o desarmamentismo bocó de Guga Chacra.

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Grande parte da imprensa brasileira adora odiar nossas forças policiais e incensar a polícia britânica. Os Bobbies não raramente são colocados como exemplo máximo de gentileza, presteza e eficiência. Desarmados, não oferecem riscos aos cidadãos pacíficos e ordeiros e, claro, possuem baixíssima letalidade. O problema é que isso tudo também vale para toda sorte de criminosos, incluindo terroristas!

Durante o último ataque de terroristas islâmicos na London Bridge, havia dezenas de Bobbies fazendo o policiamento. Porém, quando os ataques se iniciaram, e enquanto três terroristas esfaqueavam pessoas indefesas aos gritos de “Isso é por Allah! Isso é por Allah!”, nada puderam fazer. Pior ainda: muitos simplesmente deixaram o local dos ataques temendo, não sem razão, serem vítimas dos sanguinários carniceiros da fé. Correram! Fugiram! E como qualquer outro cidadão ali presente, esperaram que os policiais de verdade, aqueles armados, chegassem e aniquilassem as ameaças. A espera interminável para quem assistia a dantesca cena levou 8 minutos.

Logo após o ataque, o comentarista de política internacional, Guga “não-vamos-nos-precipitar” Chacra soltava mais uma pérola em seu Twitter: “Em Orlando e San Bernardino, onde terroristas usaram armas de fogo e não facas, o número de vítimas foi bem maior do que Londres”. Possivelmente, isso foi uma resposta à postagem do presidente americano Donald Trump que alfinetou a imprensa e os pacifistas ao afirmar também pelo Twitter: “Você percebe que não estamos tendo um debate sobre armas agora? Isso porque eles usavam facas e um caminhão!”.

Hummm... Guga Chacra, claro, escolheu a dedo dois ataques onde foram usadas armas de fogo em solo americano para perpetrar ataques terroristas e há aqui o fino da desonestidade. Primeiramente, escolheu ataques ocorridos nos EUA, “aquele país onde qualquer um comprar armas de guerra”, mas não ousou citar que ambos ocorreram em locais definidos como gun free zones, ou seja, onde ninguém pode entrar armado. Esqueceu também, o rapaz, de citar a série de ataques ocorridos na França que deixaram 130 mortos e mais de 300 feridos. O que os terroristas usaram? Armas! Fuzis russos AK-47 adquiridos em solo francês, onde vigora proibição para esse tipo de armas. Big surprise! Terroristas não seguem a lei! Quem poderia imaginar?

O comentarista ainda ignora, propositadamente, o ataque em Nice com 86 mortos e mais de 400 feridos. A arma? Um caminhão. Lembro-me ainda, sem ter que me esforçar muito, que na China, em 2014, terroristas islâmicos invadiram uma estação de trem em Kunming e deixaram um saldo de 29 mortos de 164 feridos. As armas? Facas! Para Guga Chacra, e boa parte da imprensa, o sangue na ponta das facas é menos vermelho e os mortos estão menos mortos.

Não posso deixar de citar ainda o mais extremo caso de morticínio onde não foram necessárias armas de fogo: o genocídio de Ruanda. Ocorrido em 1994, um milhão de pessoas da minoria tutsi foram mortas a golpes de facões comprados por 25 centavos de dólar da China.

 

A propósito, quantas armas de fogo foram necessárias para o ataque às Torres Gêmeas? Nenhuma! Bastaram algumas pequenas lâminas escondidas. Michael Moore, um dos mais doentios defensores das restrições para armas, mesmo ele!, não foi capaz de ignorar a verdade de que qualquer objeto pode se tornar uma arma mortal e após o fatídico 11 de setembro em NY, escreveu:

"Isto começou como um documentário sobre a violência com armas na América, mas o maior assassinato em massa de nossa história acabou de ser cometido - sem o uso de uma única arma! Nem um único projétil disparado! Nenhuma bomba foi explodida, nenhum míssil disparado, nenhuma arma (ou seja, um dispositivo fabricado especificamente e com o propósito único de matar humanos) foi usada. Um estilete! - Eu não consigo parar de pensar nisso. Mil leis de controle de armas não teriam prevenido esse massacre. O que estou fazendo?"

A verdade é que 100% dos ataques terroristas nos últimos anos foram executados por islâmicos que usam qualquer objeto como armas. Fuzis, carros, facas, panelas de pressão, produtos químicos, caminhões e aviões, mas não vamos nos precipitar, afinal, o que funciona mesmo é tocar Imagine, colocar hashtag no Facebook e impedir a autodefesa.

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Canadá: o país “esquecido” pelos desarmamentistas

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Você já ouviu algo sobre as armas de fogo no Canadá? Provavelmente não. Por outro lado, diariamente somos bombardeados com pseudo-informação sobre essa questão nos EUA. O motivo? O Canadá pode ser considerado um dos melhores exemplos de como uma legislação muito pouco restritiva – para padrões tupiniquins – não é um problema. Mais armas significam mais crimes? O Canadá grita que não!

De forma resumida as armas no Canadá são classificadas (1) em três categorias:

1)            Não-restritas: armas longas (espingardas e fuzis de ferrolho em qualquer calibre). Essas armas não precisam de registro e podem ser transportadas sem qualquer autorização.

2)            Restritas: armas curtas (pistolas e revolveres) fuzis e espingardas semiautomáticos. Neste caso há obrigatoriedade de registro e seu transporte necessita de autorização prévia.

3)            Proibidas: Revolveres e pistolas com menos de 105mm de cano e fuzis e espingardas com canos menores que 660mm. O termo “proibidas” não diz relação à proibição total, mas a necessidade de autorizações especiais para sua posse e uso.

A aquisição é bastante simples, necessitando o comprador possuir um certificado de proprietário de armas de fogo, licença expedida após um curso ministrado pelas autoridades policiais, não possuir antecedentes criminais e em alguns casos comprovar sanidade mental. Tudo feito, quase sempre, pela própria loja que comercializa as armas. Sendo assim, qualquer canadense e até mesmo estrangeiros com visto de estudo ou trabalho podem facilmente comprar uma espingarda calibre 12 ou um fuzil calibre .308 Win, calibre praticamente de uso exclusivo dos bandidos no Brasil. Com um pouquinho mais de trabalho posso comprar uma pistola 9mm ou um fuzil semiautomático em calibre .223 Rem. Para vocês terem uma ideia basta visitar virtualmente algumas lojas (2) de lá para verificar a quantidade e diversidade de armas disponíveis.

Lembrando, grande parte dessas armas não necessita registro, ou seja, não ficarão vinculadas ao proprietário. A ideia de registrar todas as armas surgiu em 1995 e foi levada a cabo a partir de 2003. Foi um fracasso (3)! Milhares simplesmente se negaram em registrá-las, outros tantos fizeram registros em endereços diferentes de onde estaria a arma, o governo gastou bilhões de dólares e mais de uma década depois a polícia afirmou que não houve um só caso de homicídios elucidado por conta de tais registros. Em 2015 essa obrigatoriedade foi abolida para as armas “não-restritas”.

Detalhe importante é que a idade mínima para aquisição de armas é de apenas 18 anos e com uma licença especial menores podem usar armas para caça, prática de tiro ao alvo, instrução na utilização de armas e competições esportivas, podendo ainda comprar munições.

Estimativas feitas em 2011 pela UNODC apontam para um total de mais de 8,5 milhões de armas nas mãos da população. Não tenho dúvidas que esse número já tenha batido a casa dos 10 milhões uma vez que nos últimos anos houve uma explosão de interesse por armas e tiro esportivo fazendo que o número de armas restritas registradas ultrapassasse a casa do milhão (4). Levando-se em conta que a população do Canadá é de menos de 40 milhões de habitantes, não seria incorreto afirmar que há uma arma disponível para cada 4 habitantes! Uma das mais altas taxas do mundo.

Certo, milhões de armas circulando, boa parte sem qualquer registro obrigatório, poucas restrições para compra, sem restrição de calibres e, até onde pude verificar, sem qualquer limite de quantidade de armas ou munições, como fica a criminalidade violenta? Os homicídios? Pois, pois... Vamos lá!  Vejamos os números (5).

Mas onde fica a relação entre mais armas e mais homicídios, o grande mantra dos desarmamentistas? Não fica! Não existe! Mesmo com milhões de armas, os homicídios cometidos com as mesmas perfazem, em média, apenas 30% dos homicídios totais, perdendo para os esfaqueamentos e praticamente empatando com os espancamentos. Quem deseja matar, mata. Com a atual taxa de homicídios de menos de 2 homicídios por 100 mil habitantes e milhões de armas circulando, temos mais um exemplo inequívoco que não é, nunca foi e nunca serão as armas culpadas pela inoperância, pela incompetência e pela falta de políticas sérias voltadas à segurança pública.

 

1) http://www.rcmp-grc.gc.ca/cfp-pcaf/fs-fd/clas-eng.htm

2) http://www.firearmsoutletcanada.com/

3)  https://www.fraserinstitute.org/sites/default/files/Misfire.pdf

4)  http://www.cbc.ca/news/politics/guns-firearms-restricted-canada-1.4129994

5)  http://www.statcan.gc.ca/tables-tableaux/sum-som/l01/cst01/legal01-eng.htm

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Desconstruindo uma reportagem desarmamentista!

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A revista Isto É, umas das principais do Brasil, publicou em poucos dias dois textos a favor do desarmamento. Um deles é um artigo do colunista Antonio Carlos Prado intitulado “Armas demais”. Um artigo bobo e inofensivo(?) que reflete tão somente a posição do autor e ele tem todo o direito de partilhá-la com seus leitores embora os mais de 800 comentários deixados no Facebook(1) mostrem claramente a distância entre sua opinião e a opinião dos seus leitores. Um massacre!  O segundo veio em forma de reportagem pelas mãos do jornalista Raul Montenegro e merece nossa total atenção. Não que ele traga algo de novo ao debate ou possa de alguma forma embasar o desarmamentismo. Há nesta reportagem competência, mas na escolha deste adjetivo ou no seu reconhecimento não há nenhum elogio, muito pelo contrário. O que há ali é a competência de enganar e levar o leitor incauto à conclusão absolutamente falsa.

O título e a imagem escolhida só possuem um objetivo: atrair, chamar a atenção, incutir um certo medo aos que se deparam com a matéria. Esse é um velho truque que se utiliza de uma espécie de reflexo condicionado que todos nós possuímos: prestamos muita mais atenção em algo que supostamente nos ameaça do que naquilo que nos acalenta. É como se estivéssemos perante a mais bela paisagem do mundo e surgisse em meio à relva uma cobra. Não há pôr do sol, montanha ou rio que te faça tirar os olhos da peçonhenta. A regra é simples: se me ameaça, merece minha atenção.

 

A abertura da matéria fica por conta de um homicídio ocorrido no interior de São Paulo, onde um ex-marido matou sua ex-esposa a tiros por não aceitar o fim do relacionamento. Caso trágico e terrível, ninguém duvida disso. O que o repórter “esquece” de dizer é que a professora morta já havia feito 6 boletins(2) de ocorrência contra ele e a justiça já havia determinado “medidas protetivas” à vítima. A arma? Claramente adquirida na ilegalidade! Se o caso mostra algo é que as tais “medidas protetivas” não protegem ninguém, quem decide matar, mata (ou tenta) e que o Estatuto do Desarmamento é uma piada perigosa pois praticamente impediria que a vítima adquirisse legalmente uma arma para sua defesa, mas não passou nem perto de impedir o seu algoz.

 

Na sequência ele coloca a posição de uma conhecida ONG desarmamentista para colaborar com o seu ponto de vista. A ideia é dizer: “olhem! Não sou eu que estou dizendo! É um “especialista” isento”. Não vou nem me delongar nisso.

 

Entra em cena então a tal “flexibilização” do Estatuto do Desarmamento, verdadeiro alvo da matéria, e o jornalista tenta passar a ideia de que tudo foi feito por baixo dos panos, sem discussão, sem se ouvir a população. Nada mais mentiroso! Primeiramente nunca vi esse pessoal usando esses argumentos quando as portarias e decretos traziam mais restrições. Um peso, duas medidas! Ouvir a população? Oras! Tivemos um referendo sobre o assunto e a o resultado foi inequívoco e incontestável! Já falei sobre isso em um rápido vídeo(3). Caso encerrado.

 

Imparcialidade! Tenho que mostrar imparcialidade! Deve ter pensado e então finge publicar opiniões da chamada Bancada da Bala. A intenção é claramente de, sub-repticiamente, já desqualificar qualquer argumento por vir de deputados aliados à indústria de armas, ou seja, opiniões que poderiam estar contaminadas por interesses pessoais e financeiros. Passa então à uma espécie de debate fictício onde ele mesmo fala e ele mesmo contesta usando dados e argumentos para lá de batidos.

 

Entre outros pontos abordados destaco dois: “Um estudo similar feito no Rio de Janeiro mostrou que policiais de folga têm probabilidade de ser assassinados 5887% maior que pessoas de outra profissão”. Oras, e o que raios isso tem a ver com a questão de estarem armados? Nenhuma! São executados por serem policiais! Quantos policiais deixaram de morrer exatamente por estarem armados? Disso ninguém fala e quando fala é em tom de “letalidade policial fora de serviço”. Se desarmássemos os policiais eles não estariam mais seguros por isso.

 

Outro ponto importante é o tal estudo do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, um estudo requentado lá de 1999 e que nunca teve qualquer valor real, não passando de meras especulações estatísticas e que, até onde sei, sequer foi apresentado o estado em sua íntegra! Pergunto ao leitor: você já foi ao tal Instituto? Dê uma passada lá e veja coisas como “16 medidas contra o encarceramento em massa” ou ainda o II Congresso Internacional de Direito Penal, Processo Penal e Criminologia Brasil/Cuba onde ocorreram conferências com sugestivos nomes de, por exemplo, “O Estado capitalista, a política criminal e a criminologia radical”. Nada ideológico o Instituto...

 

Como obviamente não pode usar o caso brasileiro de desarmamento e restrições às armas por constituir um dos maiores fracassos do mundo no que diz respeito à redução dos homicídios, tenta utilizar exemplos internacionais como a Austrália e os EUA. Bom, sobre a Austrália vejamos o que diz o relatório The Failed Experiment Gun Control and Public Safety in Canada, Australia, England and Wales (4), Gary Mauser, 2003: “Passados seis anos, a taxa de crimes violentos na Austrália continuou a crescer. Assaltos a mão armada continuaram a crescer. O roubo com uso de armas cresceu 166% no país. O confisco e destruição de armas adquiridas legalmente custou $500 milhões aos contribuintes australianos”. Fatos! Malditos, fatos!

 

EUA é lugar comum entre os desarmamentistas que tentam de todas as formas usá-lo como exemplo a não ser seguido. Tiro no pé! EUA é exemplo máximo de “mais armas, menos crimes” e isso foi comprovado pelos estudos do professor John Lott (5), que, óbvio, o jornalista deve desconhecer. Se a lógica de “mais armas, mais crimes” fosse real, com milhões de novas armas comercializadas todos os anos, seria inevitável que houvesse um assustador crescimento no número de homicídios e é exatamente o contrário! As taxas de homicídios caem consecutivamente desde 1992 em solo americano atingindo níveis mais baixos desde 1960(5)!

 

Ao usar o exemplo americano como o maior índice de taxas de homicídios entre os países desenvolvidos, novas distorções. A questão parece complexa, mas não é. Se o autor estivesse correto e o número de armas em solo americano fosse responsável pelas taxas, Suíça(7) e Islândia(8), por exemplo, não teriam taxas menores que o Reino Unido pois nesses países vigora legislações bastante liberais no trato com armas de fogo, enquanto no Reino Unido vale a proibição quase total. Como explicaria que os dois países da América do Sul com mais armas nas mãos da população, o Paraguai(9) e o Uruguai(10), possuem duas das três taxas mais baixas de homicídios? Claro que ele não cotaria tais exemplos...

 

O comparativo entre estados com legislações mais liberais e mortes por armas de fogo me chamou atenção imediatamente por conter Vermont como um dos estados campeões em mortes... Bastaram apenas alguns cliques e voilà! Vermont, de acordo com o ranking criado pelo U.S. News(11), é o estado mais seguro de todos! Consultando os dados(12) do Centers for Disease Control and Prevention, órgão oficial do governo Americano, em 2015 a taxa de homicídios intencionais por 100 mil habitantes naquele estado foi de ZERO! Enquanto isso a badalada e desarmamentista Califórnia apresentava uma taxa de 5.0 homicídios por 100 mil. E qual o segredo dessa mágica? Os números usados pelo United Nations Office on Drugs and Crime (UNODC) incluem suicídio, mortes não intencionais, mortes de criminosos por policiais ou por cidadãos em legítima defesa. Convenhamos que para efeitos de discussão de liberação ou não, a única taxa que importa é a de mortes intencionais, ou seja, assassinatos! Interessante que o repórter, não lembrou que a própria UNODC afirmou em relatório(13) de 2011 que é impossível estabelecer relação direta entre armas e homicídios e a maioria absoluta dos proprietários de armas no mundo não cometeram e provavelmente jamais cometerão qualquer crime com essas armas.

 

Haveria até mais para comentar, mas seria me alongar ainda mais em um texto que já não é pequeno. Pelos comentários deixados na publicação(14) da matéria fico até imaginando se o mesmo seria necessário. Seja como for, para mim é sempre um bom desafio e um excepcional exercício para consolidar ainda mais a posição que tenho sobre o tema, enquanto isso a velha e decadente imprensa – não toda ela, apenas a ideológica -, que escreve seus textos engajadinhos nas mesas dos bares da Vila Madalena ou no Leblon, ainda não entendeu que o tempo da "opinião publicada" que era tomada com "opinião pública" não existe mais e que basta alguns cliques para se chegar e checar a verdade. Só sinto pelos desatentos que são os alvos da desinformação.

 

(1)          https://www.facebook.com/revistaISTOE/posts/1609536829057871

 

(2)          http://g1.globo.com/sp/mogi-das-cruzes-suzano/noticia/corpo-de-professora-morta-a-tiros-pelo-ex-marido-em-mogi-das-cruzes-e-enterrado.ghtml

 

(3)          https://youtu.be/Ra3zmlXIcwI

 

(4)          https://www.fraserinstitute.org/sites/default/files/FailedExperimentGunControl.pdf

 

(5)          https://www.amazon.com/More-Guns-Less-Crime-Understanding/dp/0226493636/ref=pd_lpo_sbs_14_t_1?_encoding=UTF8&psc=1&refRID=XWMPMS4QCE24KS1H8TPW

 

(6)          http://www.disastercenter.com/crime/uscrime.htm

 

(7)          https://www.swissinfo.ch/eng/in-depth/the-swiss-and-their-guns

http://www.bbc.com/news/magazine-21379912

http://www.gunpolicy.org/firearms/region/switzerland

 

(8)          http://www.bbc.com/news/magazine-22288564

http://www.gunpolicy.org/firearms/region/iceland

 

(9)          http://www.ilisp.org/artigos/como-o-paraguai-destroi-toda-a-argumentacao-desarmamentista-usada-no-brasil/

 

(10)        http://brasil.elpais.com/brasil/2014/03/10/internacional/1394468853_167261.html

 

(11)        https://www.usnews.com/news/best-states/rankings/crime-and-corrections

 

(12)        https://www.cdc.gov/nchs/pressroom/sosmap/homicide_mortality/homicide.htm

 

(13)        https://www.unodc.org/unodc/en/data-and-analysis/statistics/crime/global-study-on-homicide-2011.html

 

(14)        https://www.facebook.com/revistaISTOE/posts/1609534642391423

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Doria: cercado de seguranças, é contra a posse de armas para o cidadão

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Em recente entrevista para revista Época (1), o comemorado prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB) recebeu a seguinte pergunta: O senhor é a favor ou contra a liberação de posse de armas? A resposta, curta e grossa foi “sou contra”. Que me desculpem os fãs do político, mas não há nessa resposta qualquer espaço para interpretações positivas. Dória é favorável ao desarmamento e ponto final. Tempos atrás ele já havia dado indícios dessa posição em entrevista para Luciana Gimenez (2), onde condena até as armas de brinquedo.

O fato dele ter conseguido ou aceitado a doação de centenas de pistolas para a guarda municipal de São Paulo não o torna um pró-armas. Só mostra que ele reconhece a necessidade das armas para segurança, porém defende que essas armas estejam apenas nas mãos do Estado e, claro, de seus seguranças. Minha esposa, Karen, fez uma excelente análise: João Doria é um gestor que sempre teve os meios necessários para prover segurança para ele e sua família, e pode “se dar ao luxo” de não precisar ser um operador, um executor da própria segurança. Uma realidade anos-luz do pai que tem que esperar a filha em um ponto de ônibus às 11 horas da noite, em um bairro de periferia, ou um pequeno sitiante que conta apenas com suas orações para proteger o seu patrimônio e a vida de seus entes estando centenas de quilômetros da viatura policial mais próxima.

 

Deixando claro e inequívoco a minha posição, questão do desarmamento é conditio sine qua non e se assim não fosse eu trairia 20 anos de trabalho e luta. O Doria é favorável ao desarmamento, portanto, para mim, é carta fora do baralho. Minha posição é essa e ponto final. Radicalismo? Conforme acusação de alguns – poucos! – liberais e libertários defensores do prefeito? De forma nenhuma! Apenas uma questão de coerência diante de uma vida inteira dedicada ao tema. Fico imaginando o que aconteceria se ele, por exemplo, tivesse dito que é contra as privatizações.

 

Longe de mim não reconhecer a boa gestão feita até agora, mas isso não basta e muito menos o exime de críticas. Também não nego que outras posições declaradas na entrevista me agradaram e sobre isso Rodrigo Constantino escreveu uma excelente análise (3). O que alguns não entendem é a enorme simbologia por trás do desarmamento, e tudo que está envolvido nesse complexo processo. Garantir o acesso às ferramentas de defesa - armas de fogo! - é garantir, em última e derradeira instância, a defesa de todas as outras liberdades individuais! O inverso, por consequência, é aceitar que todos os seus direitos, a sua vida, o seu patrimônio, a sua liberdade terá como guardião o próprio Estado. A história mostra o terrível erro. O pesadelo em que isso pode se transformar em um curto espaço de tempo. Vejam o exemplo da Venezuela (4)!

 

Afirmam alguns que João Trabalhador é bem afeito ao diálogo e não hesitaria em mudar de opinião. Acreditando, torço para que isso seja verdade. Enviei ao prefeito o convite para que ele compareça ao Museu da Imagem e do Som de São Paulo no próximo dia 9 de maio para assistir o documentário Desarmados (5) e que participe, após o mesmo, da mesa de discussão que será composta por mim, pelo Coronel Paes de Lira e pelo produtor do filme, Lion Andressa. Sei que pessoas próximas ao prefeito lerão esse texto e a estes peço que levem este honesto convite e os votos de diálogo sério e embasado sobre o tema.

 

1)            Entrevista revista época: http://epoca.globo.com/politica/noticia/2017/04/o-que-pensa-joao-doria.html

 

2)            Doria: armas de brinquedo e o medo de brincar - http://www.cadaminuto.com.br/noticia/301973/2017/04/07/joao-doria-as-armas-de-brinquedo-e-o-medo-de-brincar

 

 

3)            Análise de Rodrigo Constantino: http://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/artigos/o-que-penso-que-pensa-joao-doria/

 

4)            A Venezuela, o desarmamento e o monopólio da força nas mãosdo Estado: http://www.cadaminuto.com.br/noticia/302550/2017/04/20/o-ditador-venezuelano-armara-um-milhao-de-milicianos-pro-governo

 

5)            Lançamento do documentário Desarmados: https://www.facebook.com/desarmadosofilme/

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O ditador venezuelano armará um milhão de milicianos pró-governo

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De acordo com o jornal El País, Nicolás Maduro pretende armar e ampliar as Milícia Bolivarianas criadas por Hugo Chávez. Hoje as forças paraestatais criadas para garantir a instalação e manutenção de uma ditadura socialista conta com 500 mil milicianos, mas Maduro quer mais e pretende treinar e armar um milhão de homens e mulheres para enfrentar a população que, desarmada, vai às ruas pelo fim de um governo tirânico que jogou todo o país na mais profunda miséria.

O desarmamento da população venezuelana começou a ser desenhado assim que Hugo Chávez assumiu o poder em 1998, com base em políticas semelhantes adotadas em outras ditaduras, como a Cubana de Fidel Castro. Contando com um frágil verniz democrático, uma legislação restritiva sobre armas e munições começou a ser implantada com o falso objetivo da redução de homicídios. Por outro lado, milicianos e outros grupos paramilitares fieis ao governo tiveram treinamento e armamento disponibilizado para o que era óbvio: a população se levantaria contra os tiranos.

A legislação paulatinamente modificada, cada vez mais restritiva, teve seu ápice na aprovação de uma lei que teve como base e inspiração o Estatuto do Desarmamento aprovado em 2003 no Brasil. Nestor Reverol, ministro do interior da Venezuela, que foi acusado de tráfico internacional de drogas pelo governo americano, afirmou, perversamente, durante o confisco e a destruição de milhares de armas: "Vamos trazer desarmamento e paz".... A trama de perpetuação no poder pela força teve apoio e sustentação da ONG brasileira Viva Rio, da International Action Network on Small Arms (IANSA) que congrega dezenas de outras ONGs, incluindo a Anistia Internacional e da United Nations Regional Centre for Peace, Disarmament and Development in Latin America and the Caribbean, escritório da ONU para a implantação do desarmamento na América Latina.

O que ocorrerá se Maduro levar a cabo sua intenção belicista? Inevitável não recordar de um dos mais marcantes diálogos do filme V de Vingança, onde um policial pergunta para o chefe de polícia o que aconteceria quando milhares de pessoas marchavam contra as tropas do governo e a resposta foi: aquilo que acontece quando pessoas desarmadas enfrentam pessoas armadas.

Negar que o desarmamento bolivariano sempre teve papel certo e claro no jogo de poder dos ditadores Chávez e Maduro é atestar ignorância ou mau-caratismo. Defender o desarmamento, ou melhor, o monopólio da força nas mãos do Estado é ser cúmplice do que Rudolph Joseph Rummel definiu como democídio, ou seja, a eliminação de pessoas pelo próprio governo e é exatamente isso que ocorre hoje na Venezuela sob o olhar complacente daqueles que almejam um mundo sem armas...

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João Dória, as armas de brinquedo e o medo de brincar.

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Dias atrás chegou a notícia, um tanto truncada, que o prefeito de São Paulo, João Dória Jr., havia se manifestado em favor do desarmamento durante uma entrevista para a apresentadora Luciana Gimenez. Assisti ao vídeo. E o que Dória falou, após a apresentadora lhe mostrar uma foto onde ele, garotinho ainda, empunhava uma pistola espacial, é que ele não gostava de armas e não recomendava armas “nem de brinquedo para criança”. Bom, vamos dividir as duas declarações.

Primeiramente, ninguém é obrigado a gostar de armas e nem de nada! Embora isso possa ser um indício de uma posição desarmamentista, ou seja, de uma pessoa que por questão ideológica quer desarmar outras pessoas, independentemente de suas escolhas, não é possível afirmar que esse é o caso; e se assim for, tratar-se-ia de grande hipocrisia uma vez que duvido que não haja pessoas armadas que protegem o grande empresário, sua família e seu patrimônio.

Teríamos também um choque de valores uma vez que alguém que se diz liberal não pode defender o monopólio da força nas mãos do Estado.  E assim, fugindo do radicalismo e do pré-julgamento, dou ao João Trabalhador, que vem demonstrando inegáveis méritos à frente da administração da cidade de São Paulo, o benefício da dúvida.

“Ah, professor mas ele é do PSDB! É esquerdista Fabiano!”, devem estar dizendo alguns... Isso também é bastante relativo nesse saco de gatos ideológicos que se tronaram os partidos brasileiros. Como exemplo, cito o amigo Paulo Eduardo Martins que embora faça parte desse partido, jamais apresentou qualquer posicionamento à esquerda, muito pelo contrário. E friso que tenho a mais profunda aversão ao PSDB, responsável pela política nacional de desarmamento iniciada no Brasil na década de 90 e continua na luta por impedir que o cidadão tenha o direito de defesa.

“Armas nem de brinquedo”, disse o prefeito. Bom, aí a porca torce realmente o rabo, se bem que, como as coisas são no Brasil, é mais fácil o rabo torcer a porca. A afirmação me soou muito mais como uma resposta automatizada pela contaminação politicamente correta do que uma posição ideológica. Ele pareceu envergonhado por ter uma foto daquelas e isso é absolutamente ridículo! Quem nunca brincou de polícia e ladrão, de bang-bang, quem nunca matou monstros e zumbis imaginários? Imaginar que uma brincadeira pode transformar uma criança em alguém violento ou criminoso não faz o menor sentido e não encontra qualquer respaldo em estudos sérios. A verdade é que mesmo que você prive seus filhos de tais brinquedos a incontrolável imaginação infantil, ele transformará qualquer objeto em um revolver ou em uma poderosa arma laser. Gravetos, pedaços de madeira ou simplesmente os dedos são o suficiente para se iniciar uma sangrenta batalha imaginária!

Já falei por diversas vezes sobre esse tema e já li muitos estudos e livros sobre o assunto e isso me levou à conclusão indelével de que os pais ou responsáveis – e somente eles! – devem se preocupar muito mais em como a criança brinca e não com o que ela brinca. As armas de brinquedo, ou mais precisamente os brinquedos em formato de armas, podem ser excelentes instrumentos de aprendizado, tal qual fábulas onde o certo e o errado são expostos aos pequenos. Abaixo deixo dois artigos que escrevi sobre o tema e ainda um excelente vídeo do Padre Paulo Ricardo. Ao prefeito Dória fica o convite para que conheça melhor o assunto e que não se deixe levar pelo politicamente correto, se o caso for realmente esse. Aguardemos...

P.S.: Acabo de ver que João Dória será recebido no Roda Viva e perguntas podem ser enviadas. Já mandei a minha: Qual sua posição sobre o Estatuto do Desarmamento e o monopólio da força nas mãos do Estado? Vejam no Twitter do programa: https://twitter.com/rodaviva/status/850149201405251584

Vídeo da entrevista, vejam a partir de 2’20 – é possível comentar. http://www.redetv.uol.com.br/lucianabynight/videos/todos-os-videos/joao-doria-evita-falar-de-romances-da-juventude-a-bia-me-mata

Artigo “Arma de brinquedo é coisa de gente grande?”: http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/arma-de-brinquedo-e-coisa-de-gente-grande-bmygwfbktv5cztwmjcl9vn3km

Artigo “Dia do Desarmamento Infantil: Brincando com Coisa Séria”: http://www.mvb.org.br/campanhas/armas_brinquedo.php

Vídeo do Padre Paulo Ricardo: https://www.youtube.com/watch?v=xCDUHucC37E&feature=youtu.be

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Visita ao Ministro da Justiça e a moribunda política nacional de desarmamento

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Ontem, dia 05/04, estive em uma reunião com o Ministro da Justiça Osmar Serraglio, que substituiu Alexandre de Moraes no cargo. Participaram ainda os deputados Rogério Peninha e Laudivio Carvalho, autor e relator, respectivamente, do PL 3722/12. Bons ventos de mudança! É a segunda reunião no MJ que participo em pouco tempo, lembrando que em passado recente isso seria inimaginável. Todos os ministros anteriores, do governo Fernando Henrique, Lula e Dilma simplesmente batiam a porta em nossa cara mostrando toda “democracia” instalada naquela pasta.

Aos deputados coube buscar apoio, ou pelo menos, isenção necessária para a tramitação pacifica e posterior sanção presidencial onde esse Ministério será parte atuante na mesma. A mim coube mostrar ao ministro, como representante da sociedade civil organizada, o clamor popular, a insatisfação com a legislação atual e, principalmente, o fracasso da mesma no que diz respeito à redução dos homicídios e diminuição da insegurança o que, em um país com 60 mil assassinatos por ano, não foi uma tarefa nem um pouco árdua.

Pude ainda discorrer, mesmo que rapidamente, sobre três pontos fulcrais:

1)            A discricionariedade nas autorizações de compra e porte e como isso está sendo usado para impedir um direito do cidadão, não raramente se transformando em pura e simples arbitrariedade;

2)            A situação dos milhões de proprietários que não renovaram os seus registros e todas as consequências negativas disso. Hoje, mais de 7 milhões de proprietários legais estão com seus registros vencidos e não possuem forma de legalizar essa situação;

3)            A situação das pessoas do campo, pequenos produtores, sertanejos e ribeirinhos que não possuem forma de manterem legalmente suas armas e adquirirem legalmente munição para suas armas o que acaba por fomentar e fortalecer o comercio ilegal e o contrabando.

O Ministro foi absolutamente simpático com as reivindicações e quer mais informações e dados para trabalhar os mesmos em nível ministerial, verificando o que e como será possível atuar nesses pontos específicos. O Ministro ficou visivelmente preocupado ao saber que a política anterior daquela pasta era impedir o máximo possível que a própria lei fosse cumprida.

Sobre o PL 3722/12, que aguarda ida para votação em plenário, todos os presentes, incluído o Ministro e os membros do SENASP chegaram à conclusão que foi acertadíssima a estratégia de não se propor um projeto radical ou revolucionário (na pior acepção da palavra) o que inviabilizaria qualquer possibilidade real de aprovação. Ainda há no Congresso e no Governo Federal uma grande divisão de opiniões acerca do tema, muito mais por desconhecimento do que por ideologia, situação diversa do governo petista.

Qualquer um que promete o contrário simplesmente vende o que não pode entregar, sabedores disso ou não, enganam e enganam-se, apostam na estratégia revolucionária que até atrai alguns, mas que não se sustenta por muito tempo e no final das contas acaba muito mais atrapalhando e trazendo dissabores que qualquer benefício. Muito mais inteligente é aceitar que a política da prudência como define Kussel Kirk em livro homônimo é a única forma eficaz de mudar a nossa caótica situação. Neste estupendo livro, que obviamente não figura nas estantes de muitos que se intitulam de direita, “o autor espera persuadir a geração emergente a se firmar contra o fanatismo político e esquemas utópicos, pelos quais o mundo tem sido muito afligido desde 1914. “A política é a arte do possível”, diz o conservador: ele pensa nas políticas de Estado como as que intentam preservar a ordem, a justiça e a liberdade. O Ideólogo, ao contrário, pensa na política como um instrumento revolucionário para transformar a sociedade e até mesmo a natureza humana. Em sua marcha para a utopia, o ideólogo é impiedoso”.

É óbvio que o trecho acima diz respeito ao socialismo, ao progressismo sem rédeas e aos que querem um mundo à sua imagem e semelhança, mas a analogia com a nossa luta contra o desarmamento e a defesa da liberdade do cidadão, luta essa calcada solidamente em um trabalho sério desenvolvido por muitas pessoas que fogem das bravatas e das promessas politiqueiras. Apelar para soluções revolucionárias – se essa via fosse factível politicamente – é pedir para que tudo volte, ao final das contas, ao que era antes da “revolução”, ou seja, mais desarmamento!  Como explica João Camilo de Oliveira Torres, grande conservador brasileiro já falecido, em artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo de 09 de fevereiro de 1963 intitulado A etapa final das revoluções: “toda revolução termina num relativo retorno a certas posições antigas, uma certa volta ao antigo...acabam em uma reinstauração”.

O PL 3722/12 tem chances reais de aprovação? Sim! Disso não tenho dúvidas, mas ainda resta um grande trabalho de convencimento pela frente e isso pode ser verificado no Placar do PL 3722 criado pelo deputado Peninha e que pode – e deve! – ser acessado aqui: http://www.deputadopeninha.com.br/placar-pl-3722. Como poderão ver, exatamente metade dos deputados ainda se demonstram indecisos e aqueles que passam para o nosso lado, via de regra, o fazem quando mostramos que não há nenhuma radicalidade no projeto.

O caminho ainda é longo, árduo e cheio de percalços, mas não tenho mais a menor dúvida que antes até mesmo da modificação da lei, assistiremos a derrocada da já moribunda política nacional de desarmamento e, aí, uma legislação mais liberal não será mais questão de “se” e apenas de “quando”.

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