Bene Barbosa
Bene Barbosa

Bene Barbosa é advogado, presidente do Movimento Viva Brasil e autor no livro Mentiram Para Mim Sobre o Desarmamento.

Postado em 22/12/2016 às 17:12 0

País precisa de mais armas! Doa a quem doer, Alexandre de Moraes está certo!



Dois decretos publicados pelo Executivo neste fim de ano trouxeram grandes esperanças para aqueles que, como eu, são severos críticos às políticas de segurança pública aplicadas com fracasso retumbante no Brasil há pelo menos 30 anos.

O primeiro, decreto nº 8.935, amplia o prazo de renovação do registro de armas de três para cinco anos e o teste de aptidão passa a ser requerido apenas a cada duas renovações, ou seja, a cada dez anos. Tais medidas, mais do que necessárias, trazem um alento aos proprietários legais de armas - aqueles que conseguiram suplantar a quase inexpugnável burocracia e os custos para exercer esse direito – que agora contarão com um prazo maior e, indiretamente, menores custos. Trata-se de um importante incentivo à legalidade, pois os prazos anteriores só conseguiram jogar na ilegalidade mais de 7 milhões de armas que estão com seus registros vencidos. Importante ressaltar que os novos prazos só valerão para os futuros registros e renovações. Sobra ainda o problema gigantesco de quem está com o seu registro vencido, e acredito, aliás tenho certeza, isso não passará despercebido pelo Ministério da Justiça.

Nas águas dessas mudanças, não seria nada mau que houvesse prazos fixos e coerentes para a análise, deferimento e no caso, a expedição dos registros de armas ou renovações. O cidadão não pode continuar tendo que esperar meses por uma definição. Supra sumo seria, ainda, que a discricionariedade, que não raramente tem se tornado arbitrariedade, fosse extinta para, pelo menos, a autorização de compra e renovação de registro.

Ainda sobre o decreto acima, quem também sai beneficiada é a própria Polícia Federal que acabou com essa batata quente em suas mãos e, com enorme demanda, tem sérios problemas de alocação de policiais para um trabalho meramente burocrático, além, óbvio, dos custos que isso acarreta. No final das contas, somente dois grupos não gostaram da inteligente e técnica medida: as ONGs desarmamentistas e os tais “especialistas” em Segurança que nunca saíram de trás de suas escrivaninhas.

Na sequência tivemos mais um essencial decreto publicado, o de Nº 8.938, que autoriza que armas apreendidas com criminosos possam ser usadas por policiais. Esse era um pedido antigo das Forças Polícias, que enxergavam a insanidade da destruição de armamento novo e moderno, em detrimento de sua utilização por policiais. Deliciosa ironia do destino, os criminosos agora vão ajudar a armar os policiais! Em um país com sérios problemas orçamentários e que apresenta grave crise econômica, onde policiais, não raramente precisam enfrentar criminosos armados com fuzis e metralhadoras enquanto estes só possuem pistolas.

Ao analisar o texto deste decreto, só fiz duas questões que precisam ser melhor avaliadas, mas que não tiram qualquer crédito da importância do mesmo. São elas:

1) Armas de calibres restritos, em tese, não podem mais ser devolvidas aos seus legítimos proprietários, uma vez que o texto fala apenas em "As armas de fogo de uso permitido apreendidas". Isso pode se tronar um grave problema para CACs e até mesmo para polícias, juízes e promotores que tenham suas armas de calibre restrito apreendidas por qualquer motivo.

2) O destino de armas obsoletas e de valor histórico serão destinadas aos "museus das Forças Armadas ou de instituições policiais". Oras, sabemos bem que o Brasil possui pouquíssimos museus deste tipo e muitas vezes, devido à própria burocracia, acabam por não querer mais armas em seus acervos. Muito melhor seria incluir a possibilidade de leilão para museus e colecionadores particulares. Estaríamos preservando a história e o dinheiro conseguido poderia ser revertido às próprias forças de segurança.

Eu quase poderia afirmar que tais “defeitos” não foram propositais e poderão ser corrigidos rapidamente, mas não posso. O que não podemos fazer é superestimar pequenos problemas em demérito ao que representam tais posicionamentos. Seria como estar perdido no deserto, encontrar alguém que lhe ofereça uma Coca-Cola gelada e recusá-la porque você só toma Pepsi.

O Ministro Alexandre de Moraes tem apresentado um posicionamento muito diferenciado de seus inúmeros antecessores. Há ali muito mais tecnicidade e muito menos ideologia. Em especial aquela ideologia esquerdista que tomou de assalto nossa (in)segurança pública resultando em uma das maiores taxas de homicídios do mundo. Além disso o ministro vem se mostrando pouco afável com a ditadura do politicamente correto e não tem se abstido de bater de frente com gente graúda. Tempos atrás ele disse em uma entrevista: "País precisa de mais armas e menos pesquisas". E querem saber? É isso mesmo! Chega de blá, blá, blá contra o crime. Chega das velhas teorias marxistas onde o bandido é a vítima e o cidadão é visto como o culpado. Chega de uma política que só traga dificuldades aos cumpridores da lei. O Ministro da Justiça está certo e, doa a quem doer, o Brasil precisa de mais armas nas mãos corretas, pois a legislação atual não chegou nem perto de tirar as armas das mãos erradas.


Postado em 09/12/2016 às 19:20 0

Artista armado pode? Depende de sua cor, estilo musical ou condição social!




Meu querido amigo Dionisius Amendola, dono de um dos melhores canais sobre cultura pop do Youtube – o Canal do Dio –, enviou-me uma dica sobre uma entrevista do rapper Mano Brown para a revista Trip, aquela revista que é tipo a Playboy do onanista engajadinho, este que nunca se furta em defender o combo progressista aborto-maconha-desarmamento.

Logo na chamada, no título da entrevista, em destaque: “MANO BROWN: ESTRATEGISTA, ARMADO E ROMÂNTICO”. Assim mesmo, estilo tiozão CAPSLOCK. Assisti a entrevista e cheguei à conclusão que não fosse o engajamento do entrevistado com a linha editorial do veículo, o título seria bem diferente. Imaginei se o Lobão dissesse o que disse Brown… Não tenho dúvida que a chamada seria: “LOBÃO: MACHISTA, ARMADO E RACISTA!”.

Mano Brow assume, sem maiores pudores e com uma surpreendente honestidade, que é machista – e, claro, culpa o sistema por isso –; que ele e os outros integrantes do Racionais andavam armados e chegaram a disparar contra assaltantes durante um show e que não é negro, pois seu pai era italiano mas que, palavras dele, viveu uma vida de preto.

A revista que sempre militou a favor do desarmamento, fazendo inclusive capa e reportagem especiais em outubro de 2005, a revista que acha um absurdo um cidadão “comum” ter uma arma para sua defesa, ao que parece não se incomoda nem um pouco quando isso faz parte de um contexto politicamente correto. Há aqui uma enorme e irrefutável incoerência, na qual a legítima defesa é justificável dependendo da cor da pele, do status social ou do posicionamento ideológico da pessoa. Essa é a grande diferença entre “nós” e “eles”. Eu acho que o Rapper Mano Brown tem todo o direito do mundo de exercer sua legítima defesa tanto quanto, por exemplo, meu amigo maestro, Tom Martins. Não importa aqui a cor da pele, a classe social ou a beleza de suas obras. A legítima defesa é o mais basilar direito humano. É uma pena que a maior parte da esquerda, cega em sua ideologia totalitária-estatal, não consiga enxergar isso.

Entrevista de Mano Brown: http://revistatrip.uol.com.br/trip-tv/entrevista-mano-brown-disco-boggie-naipe-racionais-mcs
Canal Bunker do Dio: https://www.youtube.com/channel/UCtIjkxaomS0hqKEzO4PAfTA


Postado em 01/12/2016 às 13:34 0

O dia mundial de combate à AIDS e as viúvas de Fidel


Por Bene Barbosa

A morte do ditador Fidel marcou este final de ano e, infelizmente, não foram poucos que saíram em homenagem ao seu “comandante”. Um “comandante” que não hesitava em fuzilar, prender, torturar e censurar, que fique claro. Dentre as farsas apontadas como grandes feitos estão a educação - embora nunca tenha visto um socialista enviar seus filhos para estudar na ilha prisão em detrimento de Londres, Toronto ou Chicago... – e a saúde pública e hoje, 1º de dezembro, dia mundial de combate à AIDS, aproveito para relembrar uma história que as viúvas do assassino fazem questão de esquecer e, mais do que isso, esconder: a forma desumana que a tal saúde pública modelo tratava e trata os soropositivos.

Na noite do dia 28 de fevereiro de 1992 um avião decolava do aeroporto de Guarulhos, São Paulo, rumo à Cuba. Dentro do avião mais de 100 personalidades e intelectuais que estavam lá para apoiar o ditador Castro. Uma das poltronas estava vazia. O sociólogo Herberto de Souza, o Betinho, esquerdista histórico, não havia embarcado. Em seu lugar uma carta endereçada ao “presidente” Fidel Castro. Betinho havia descoberto como eram tratados os soropositivos: segregação, isolamento e vigilância. Betinho usou tintas suaves para denunciar mais esses malfeitos do ditador, mas, seja como for, teve a hombridade de deixar a sua ideologia de lado e colocar o dedo empelo menos uma das feridas da que é a mais letal ditadura da América Latina. Segue abaixo a íntegra da carta: 

Presidente Fidel Castro,

Sou do tempo da Revolução Cubana. Defendi e defendo o direito do povo cubano fazer sua revolução e decidir o seu próprio destino sem interferência de inimigos ou amigos. 

Defendo para Cuba o que defendo para mim e para o meu próprio povo: liberdade, igualdade, participação, respeito, diversidade e solidariedade. Feita essa introdução, desejo apresentar uma questão e fazer um apelo. A questão é a AIDS. Sou hemofílico de nascimento e soropositivo há quase 10 anos. Sou também presidente da Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS desde 1986 e desenvolvo em meu país uma luta constante contra as políticas públicas do governo federal em relação à AIDS. 

A AIDS, desde o começo, foi apresentada como uma doença incurável e fatal, sem esperança e sem destino a não ser a morte. Essa posição não é correta, não tem base científica e é politicamente equivocada: a AIDS ainda não tem cura, mas poderá ter. A cura da AIDS está a caminho. A França, por exemplo, já se propõe a rever a própria definição da AIDS (SIDA) para doença degenerativa crônica. 

Essa visão fatalista e anticientífica da AIDS foi responsável pela disseminação de condutas discriminatórias, desumanas e terroristas em relação às vítimas da doença. Muita gente tomou carona na tragédia para expressar todos os seus preconceitos e culpar as vítimas e suas condutas, ao invés de atacar a causa real da doença: o vírus.

Conhecendo a tradição humanista e revolucionária de Cuba, sabendo dos avanços de sua medicina, eu esperava que também Cuba se transformasse num exemplo mundial de como enfrentar a AIDS. O que li no Gramma e soube por pessoas que visitaram Cuba, no entanto, constitui para mim um choque: soube que os soropositivos são submetidos a um processo de controle por agentes sanitários, que se caracteriza por uma espécie de vigilância à curta distância para impedir que a pessoa contaminada contamine outras pessoas. Como sabemos que a transmissão do vírus se dá basicamente por via sexual, estaríamos diante do controle da vida sexual dos soropositivos por processos de vigilância que tenho dificuldades de imaginar como seriam feitos, além de discordar frontalmente de tal tipo de controle. Soube, também, que os doentes são levados aos hospitais e internados como doentes de AIDS, separados de suas famílias, do trabalho, de suas atividades. Para ser franco e direto: os doentes são segregados da sociedade pelo Estado e se transformam em presos políticos da epidemia. Digo políticos, porque não existe nenhuma razão científica, médica, ou de simples bom senso, para se prender doentes de AIDS a fim de prevenir a propagação da epidemia e proteger a saúde pública. Um doente de AIDS é, na verdade, aquele que menos oferece risco de contaminação, porque ele já sabe que pode transmitir, sabe como não transmitir, e, a não ser em casos patológicos, não quer transmitir sua doença a ninguém, muito menos a seus familiares e amigos.

Os doentes de AIDS hoje podem passar a maior parte de seu tempo em suas próprias casas ou desenvolvendo atividades úteis, ao invés de se verem presos, segregados, discriminados como seres destinados a esperar a morte no leito da proteção pública.

Sou capaz de imaginar uma sociedade, a cubana, onde os soropositivos e os doentes de AIDS recebam uma atenção e um carinho especiais de todos, onde não se sintam discriminados, nem isolados, nem identificados com o perigo mortal para a saúde pública da Nação. Onde os soropositivos trabalhem normalmente e onde os doentes possam também trabalhar, viver, conviver e se confrontar com a morte em meio à solidariedade que se traduz em convívio e não em segregação. 

Não falo como leigo. Falo como soropositivo que trabalha agora mais do que nunca e que jamais aceitaria ter um agente de saúde seguindo meus passos para verificar se sou um perverso propagador da epidemia. Falo como um soropositivo que vive com a mulher e filho, e que preferiria morrer a ser isolado no melhor hospital público quando os primeiros sinais da doença se instalassem, para esperar a morte incerta e imprevista, o que hoje pode levar até anos para se realizar. Quero também ter o direito de decidir sobre a forma, modo e o tempo de minha morte. A doença não pode ser um pretexto para que se retire de mim o direito à cidadania. Acredito firmemente que essas idéias deveriam ser muito mais desenvolvidas e possíveis em um país como Cuba e não no meu próprio, onde os pacientes de AIDS, na maioria das vezes, morrem sem as menores condições de assistência e ainda sofrem efeitos da propaganda oficial, que prima pelo terrorismo.

Por tudo isso, quando surgiu a proposta dessa viagem a Cuba, que apoio, senti que eu tinha em relação a ela um caráter político e pessoal: como seria tratado em Cuba? Como os milhares de turistas que entram em Cuba sem apresentar os testes de HIV e que, sem saber, por isso mesmo podem se constituir num risco para a saúde pública do país? Eu só poderia entrar em Cuba como um soropositivo publicamente conhecido no Brasil e teria que apresentar meus pontos de vista e principalmente meu apelo: 

Se ainda existe vigilância organizada sobre os soropositivos, transformem essa relação em programas de educação e confiem na responsabilidade cívica, humana dos cubanos. 

Se ainda existe segregação dos doentes em hospitais - com a separação de suas famílias - que tudo isso acabe porque é desumano, é inútil, é inaceitável.

Que essa viagem de solidariedade produza muitos frutos. Quero enviar junto a essa carta um grande e fraterno abraço para todo o povo cubano, um povo que aprendi a amar e admirar de longe e de perto, quando em 1968 estive representando o Brasil na OLAS (Organização Latino-Americana de Saúde). 

Agora que o presidente já tem quase o direito de se considerar eterno, gostaria de terminar com uma frase que vai começar uma nova postura nossa diante da AIDS: a AIDS não é mortal, mortais somos todos nós. A AIDS terá cura, e o seu remédio hoje é a solidariedade. 

Abraços e saudades,

Herbert de Souza

Presidente da ABIA

(Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS)


Postado em 24/11/2016 às 14:25 0

O Ministério da Justiça e a “flexibilização” do Estatuto do Desarmamento


Por Bene Barbosa

A coluna Painel, Folha de São Paulo, publicou a seguinte nota: “Ministério da Justiça insiste para que Planalto flexibilize controle de armas de fogo no país. Preparar, apontar… O Ministério da Justiça bateu de frente com parte da área técnica do Planalto. A pasta pressiona pela assinatura de um decreto flexibilizando parte do controle de armas de fogo no país. O texto, que já teve avaliação negativa no governo, amplia de três para cinco anos o prazo de validade do certificado de registro de armas — documento que permite a posse em casa ou em empresas — e aumenta o intervalo de avaliações psicológicas de guardas municipais de dois para cinco anos. Na justificativa, o ministério diz que a ampliação dos prazos “terá efeito benéfico para as forças de segurança e também para que os cidadãos possuidores de armas mantenham a regularidade de sua posse”.”

Pois bem, a intenção é clara, tenta fazer crer, a jornalista Natuza Nery, responsável pela coluna, que o Ministro Alexandre de Moraes quer flexibilizar o controle de armas, dando a falsa ideia que haverá menos controle ou menos fiscalização. Nada mais falso!

Tudo que o Ministro está requerendo é que o prazo de renovação dos registros tenha a periodicidade de cinco anos. Para quem não sabe, hoje, todo cidadão que possui uma arma registrada – coisa cada vez mais rara e difícil – precisa, a cada três anos, renovar o registro e passar por uma bateria de testes, comprovações, documentos, taxas e ainda contar com a sorte de não pegar pela frente um delegado que pode usar seu poder discricionário para simplesmente negar a renovação. O que isso gerou desde a aprovação do malfadado Estatuto do Desarmamento? Mais de 7 milhões de proprietários não renovaram seus registros e estão hoje em situação irregular.

A própria criação da renovação periódica, ao contrário do que afirmam, não possui qualquer finalidade prática de controle e fiscalização. Ela foi criada simplesmente para dificultar a vida do cidadão honesto. Como eu posso afirmar isso? Eu estava lá! Lá pelos idos de 2003, quando ainda se discutia o Projeto de Lei, os desarmamentistas tinham a certeza que venceriam o referendo e o comercio legal de armas seria proibido. Uma parte da equação estava resolvida, ou seja, não haveriam novos proprietário legais de armas no Brasil. Mas restava um problema gigantesco nas mãos desse pessoal “democrático”: o que fazer com os milhões de proprietários que já possuíam armas legais?

A solução que poderia sair tranquilamente da cabeça doentia e malévola de Maquiavel em pessoa, veio na forma do recadastramento obrigatório periódico. O objetivo era tornar a coisa tão burocrática e cara que, aos poucos, as pessoas desistiriam de registrar suas armas e as entregariam de bom grado ao governo. Erro duplo! Primeiramente perderam feio no referendo e depois a população em geral deu uma banana para renovação e, por dificuldade ou desconfiança com o governo, simplesmente pararam de renovar os registros gerando o resultando que já citei acima: mais de 7 milhões de registros vencidos e cidadãos jogados na ilegalidade!

Oras, a medida defendida por Alexandre de Moraes é muito bem vinda, não só para o cidadão que quer ficar na legalidade como para própria Polícia Federal que precisa deslocar e empenhar agentes em uma tarefa burocrática e inútil enquanto poderia fazer o que é realmente importante, combater criminosos, por exemplo!

Seja como for, o efeito foi exatamente o contrário do pretendido pela jornalista e o perfil do Facebook do Ministro (https://www.facebook.com/alexandredemoraes.adv) recebeu nos últimos dias um tsunami de mensagens de apoio ao seu posicionamento. Esse pessoal continua dando tiros no pé e isso continuará acontecendo enquanto viverem nessa bolha que criaram achando que o que eles conversam dentro das redações ou nas mesinhas de bares descolados e caros é o que a população quer e acredita.

Enquanto isso segue nossos efusivos parabéns ao Ministro da Justiça que tem apresentando de forma corajosa um perfil completamente diferenciado de seus antecessores. Sei que haverá meia-dúzia de jornalistas engajadinhos, especialistas de escrivaninha e falsos representantes da “sociedade civil organizada” para criticá-lo, mas o cidadão, a população em geral e especialmente aqueles 59 milhões de pessoas que disseram não ao desarmamento em 2005 estarão aqui para apoiá-lo.


Postado em 16/11/2016 às 11:22 0

Uber: se criminosos não respeitam a lei porquê respeitariam um contrato?


Por Bene Barbosa

No dia 6 de novembro um policial militar que complementava seus parcos ganhos sendo motorista UBER – o que por si já é forte indicativo a boa índole do agente – foi rendido por três criminosos, sendo que dois deles estavam armados. Todo policial sabe que em uma situação assim há poucas alternativas, pois, uma vez que identificado, fatalmente, seria executado pelos bandidos. Reagiu e matou os três criminosos! Bom, não preciso dizer que a primeira coisa que aconteceu foi o pessoal dos direitos humanos para humanos não direitos saindo imediatamente em defesa dos criminosos, afirmando que o policial agiu com excesso... Vão se lascar! Muito fácil dizer isso quando não é você que está sob a mira de criaturas que não pensariam duas vezes para te colocar uma bala na nuca! Não bastasse isso, a própria Polícia Militar abriu um inquérito que pode resultar em penalidades ao policial, pois é defeso aos mesmos fazerem “bico”... Coisas do Brasil...

Quando você acha que não pode piorar, piora! O UBER vai e solta uma nota para a imprensa dizendo que excluiria o policial da plataforma pois a empresa possui a regra de não permitir que motoristas e passageiros portem armas, nos EUA também é assim.. Ou seja, um policial, juiz, promotor ou os raros abençoados com o porte de armas no Brasil não podem usar os serviços da empresa se estiverem armados! Em seu site a empresa diz: 

“Armas de fogo: em um Uber, não!

A Uber trabalha constantemente para que todos que utilizam a plataforma - tanto os motoristas parceiros quanto os usuários - se sintam seguros e confortáveis usando o serviço.  Durante uma viagem solicitada por meio do aplicativo, a Uber proíbe o porte de armas de fogo de qualquer natureza a bordo do veículo, tanto para motoristas parceiros quanto para usuários. Qualquer pessoa que viole esta proibição perderá o acesso à plataforma da Uber”.

A empresa tem todo o direito de gerir sua política como bem lhe aprouver, isso é fato. O que não pode esperar é que não haja duras críticas sobre isso, ainda mais quando a desculpa é tornar mais segura a vida do passageiro e do motorista. Difícil imaginar isso sabendo que os criminosos agora têm ciência de que todo UBER é uma “gun free zone”. Pelo menos na teoria...

Em suma, Clint Eastwood, o último cowboy autêntico de Hollywood, disse uma vez que alguém que acredita que um criminoso seguirá uma lei de controle de armas é algum tipo especial de idiota... Pois bem, fico imaginando então o tipo de pessoa que acredita que bandidos respeitarão um simples contrato!


Postado em 15/11/2016 às 12:41 0

The Walking Dead: registro de armas e governos tirânicos


Por Bene Barbosa

- Controle de armas? É coisa de vida ou morte!


É assim que Negan, o mais pesado vilão que já apareceu no seriado The Walkind Dead, se refere à necessidade de ter o controle absoluto de todas as armas disponíveis em Alexandria onde vivem Rick e seu grupo de sobreviventes no 4º episódio da 7ª temporada.


Para quem não acompanha o seriado, o mundo foi devastado por uma praga zumbi e em um cenário apocalíptico, caótico e anárquico foi se auto-organizando em grupos de sobreviventes, inicialmente nômades que no decorrer da série foram formando clãs e tribos e, mais recentemente, feudos governados pelos mais sábios, mais carismáticos, mais combativos ou mais violentos.


Rick é o governante de Alexandria e convencido de que nenhum outro grupo pode lhe enfrentar, dá continuidade à política de controle de armas iniciada por Deanna onde todos possuem acesso às mesmas porém todas, guardadas em um só local, em um estoque, são milimetricamente controladas por uma das moradoras. Já falei sobre isso no artigo chamado “The Walking Dead e o controle de armas” que está disponível aqui neste blog.


Tudo muda quando Negan, governador de um grupo maior, mais equipado e muito mais violento, tira Rick do comando e passa a ser o chefe da comunidade dominada. Em sua primeira visita há apenas um propósito: afirmar quem é que manda. Podem entrar em qualquer lugar e levar o que bem entenderem. Entre todos os atos, o mais óbvio e esperado aos dominados: o confisco de todas as armas existentes no local. E como ele consegue isso? Usando o inventário, o cadastro, o registro de todas as armas disponíveis. A falta de duas pistolas, uma Glock 9mm e uma pequena Beretta BobCat .22, só é percebida exatamente por conta do registro das mesmas no inventário e Rick é obrigado a localizá-las e entrega-las.


A verdade é que o registro de armas feito de forma centralizada até pode funcionar sem grandes problemas em um governo minimamente democrático e não tirânico, mas tudo munda quando não é esse o caso. Há na história vários exemplos disso e o da Alemanha nazista é um deles. Foi lá que se criou um dos mais precisos cadastros de proprietários de armas para logo depois confisca-las das mãos daqueles que eles pretendiam exterminar.


Eu confesso que depois de tantos anos estudando o assunto não consegui vislumbrar nenhuma vantagem ou benefício real no registro de armas e seus proprietários e é exatamente por isso que países como os EUA não mantém esse tipo de controle. Como diz um antigo ditado nórdico: o martelo de Thor tem a personalidade de Thor. Ou seja, não é uma simples questão burocrática que fará uma arma ser “boa” ou “má” e sim a mão que a empunha.

The Walking Dead e o controle de armas : http://www.cadaminuto.com.br/noticia/285493/2016/04/14/the-walking-dead-e-o-controle-de-armas


Postado em 11/11/2016 às 10:40 0

Beltrame na Justiça seria o retorno à política do mais do mesmo!


Por Bene Barbosa

Sabe aquela notícia que você lê e um frio corre pela sua espinha? Pois bem, foi essa minha reação inicial quando li na coluna do Claudio Humberto que o atual Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, pode ser substituído por Mariano Beltrame, ex-secretário da segurança do Rio de Janeiro.

Essa substituição seria um retorno inexorável à política do mais do mesmo que estamos enfrentando desde o primeiro governo de FHC. Vejamos alguns exemplares da espécie que passaram por lá: Renan Calheiros – sim, quase ninguém lembra e o PSDB faz questão de esquecer -, José Carlos Dias, José Gregori, Aloysio Nunes Ferreira, Márcio Thomaz Bastos e José Eduardo Cardoso. O que todos esses e muitos outros tiveram em comum? Aquilo que eu apelidei de tripé da insegurança pública, criado por sociólogos de esquerda ainda na década de 70. Todos aplicaram à política nacional de segurança os seguintes mantras: cadeia não resolve (impunidade), desarmamento é bom e o estado precisa ter o monopólio da força, e criminalidade é fruto da desigualdade social e da pobreza. Essa última a mais preconceituosa de todas!

Goste-se dele ou não, Alexandre de Moraes, é ar novo no combate à criminalidade. Pude constatar in loco, ao ser recebido por ele nesta semana, que ali está alguém muito menos contaminado ideologicamente que seus antecessores. Não, não concordamos com todos os pontos e isso seria pouco possível dentro do extenso universo da segurança. Prova dessa ausência ideológica são os frequentes ataques que ele recebe de gente como o sociólogo Claudio Beato (queridinho do PSDB) e do Daniel Cerqueira do IPEA, aquele instituto cujo presidente culpou o capitalismo pela corrupção.

Beltrame seria o retorno a uma política fracassada que resultou e ainda resulta em milhares de mortos todos os anos e uma crescente e verdadeira sensação de insegurança. O que esperar de alguém que como Secretário de Segurança afirma que o problema dos traficantes do Rio de Janeiro é que eles adoram armas e esquecer a índole criminal dos mesmos? Imaginem o que podemos esperar... Teremos policiais amontados em containers, armados somente com pistolas e armas menos letais, enquanto recebem rajadas de fuzis AK-47 por todo o Brasil! Teríamos a fracassada política de segurança pública no Rio de Janeiro ampliada para um nível nacional em detrimento à política de segurança de São Paulo, que bem ou mal, conseguiu realmente reduzir os homicídios de uma forma óbvia: colocando homicidas nas cadeias. Destaco ainda que São Paulo está longe de ser o paraíso na terra, mas basta que se verifique os números para se constatar as diferenças gritantes.

Outro ponto preocupante seria a ascensão de conhecida ONG desarmamentista carioca, a conselheira do Ministério da Justiça, e o óbvio fechamento de portas aos que discordam, por exemplo, da política nacional de desarmamento. Seria o fim de qualquer diálogo com a sociedade civil organizada verdadeira, aquela que representa os 59 milhões de eleitores que disseram NÃO ao desarmamento em 2005 e não essa falsa sociedade civil organizada, que é mantida com verba pública e de governos e entidades estrangeiras que não representam ninguém além deles mesmo.

A verdade, simplificada ao extremo, é que enquanto o Ministro Alexandre de Moraes traz em sua administração sua alma de promotor, Beltrame traz a alma da sociologia de esquerda para o Ministério da Justiça. Torcemos para que o presidente Michel Temer não caia nessa armadilha e nos arraste junto para o mais do mesmo. Para o pessoal que repete sempre a mesma fórmula imaginando que um dia o resultado será diferente. Não, não será.


Postado em 09/11/2016 às 16:12 0

Como o pessoal da Segunda Emenda garantiu a derrota Hillary


Por Bene Barbosa

Não sei o que foi pior, se a análise dos tais especialistas que, quase unanimemente, apostavam na vitória tranquila de Hillary Clinton ou a tentativa de justificar, a posteriori, o fracasso miserável de suas projeções. Há um problema recorrente de muitos ditos analistas: não fazem análises e sim torcida descarada pelo candidato A ou B. Cito em especial o pessoal da Globo News que, vejamos, erraram todas as análises abaixo:

O desarmamento vai vencer no referendo de 2005; 

Obama conseguira aprovar mais restrições às armas nos EUA;

Os Suíços votarão por mais restrições às armas no plebiscito que será realizado;

As FARC serão perdoadas pelo povo colombiano no “plebiscito da paz”;

A Inglaterra dirá não ao Brexit, e;

Hillary já está eleita e o Trump é um bufão sem chance.

O que todos esses eventos possuem em comum? Todos trazem em seu bojo, alguns mais e outros menos, anseios ideológicos da esquerda que são incapazes de abandonar seus dogmas ideológicos ofuscantes até mesmo por alguns minutos. Cravam então suas torcidas, suas apostas, seus anseios, tudo, menos análises sérias e factuais. Falei disso quando Obama saiu derrotado em sua missão de aprovar medidas restritivas à posse e porte de armas em solo americano no artigo intitulado “Senado rejeita restrições à posse de armas nos EUA: torcida não é análise, nem jornalismo”. O link está final deste texto. 

Nas análises pós-ocorridos, ainda mais cegos pelo impacto de suas humilhantes derrotas, fazem ainda pior e saem atirando para todos os lados, quase sempre errando em tudo. Acreditem, fui testemunha disso, muito de perto, no referendo de 2005 e, juro!, até hoje eles não chegaram nem perto dos motivos reais da sua inexorável derrota. O apoio irrestrito das maiores emissoras, redes de rádios, jornais, revistas, artistas, Senado, Câmara e até da presidência, parecia garantir uma vitória fácil. Bom, não sou eu que vou contar o nosso segredo óbvio que só eles não enxergam.

Hoje, menos de 24 horas da derrota de Hillary, “a favorita”, tudo se repete. Já culparam a democracia, os pobres, as pessoas sem estudos e até os imigrantes legais(!!!!). Parece que ninguém realmente tenta entender as coisas. É triste ver o nível. Mesmo dentro das análises mais imparciais, um dos pontos que é quase sempre esquecido ou distorcido é a defesa do americano médio à sua Constituição, mais precisamente à Segunda Emenda, que afirma:

“Sendo necessária à segurança de um Estado livre a existência de uma milícia bem organizada, o direito do povo de possuir e usar armas não poderá ser infringido.”

A profundidade e importância desta emenda que não só dá um direito ao povo como também lhe responsabiliza pela eterna vigilância às suas liberdades e à própria democracia é de difícil compreensão para alguns “especialistas”. É que para entender, com profundidade a segunda emenda, é obrigatório conhecer os princípios que nortearam a fundação da mais importante e duradoura experiência democrática do mundo. Para isso, se me permitem, indico como introdução ao tema o livro O Grande Experimento de Marcel Novaes lançado esse ano pela Editora Record. 

A análise sempre superficial de que a segunda emenda diz respeito às armas e só, induz a erros grotescos como os que vi, ontem, na Globo News, onde até mesmo Demétrio Magnoli não escapou e afirmou que a segunda emenda foi feita para proteger os fazendeiros brancos... Desconhece o pensador que foram os Democratas com apoio da famigerada Klu Klux Klan que sempre apoiaram as restrições à posse de armas em especial pelos negros, aqueles que tanto gostavam de perseguir. A lógica é simples: tente queimar uma cruz ou espancar um filho de um homem que tenha em suas mãos um fuzil...

Trump, ao contrário de Hillary, sabe muito bem o valor que a Segunda Emenda tem para o povo americano e ao afirmar, sempre que possível, que seria um defensor dessa liberdade sabia que não estava falando para os jornais, para TV ou para o establishment. Ele se dirigia ao coração do que se convencionou chamar de América Profunda. Um tiro preciso em Republicanos e Democratas. Sim, Democratas! Não se espante, não. Basta ver a pesquisa Gallup realizada e divulgada poucos dias antes da consistente vitória republicana. Falei sobre isso no artigo “Pesquisa Gallup confirma: americanos NÃO querem mais controle de armas”. Vejamos uma das conclusões da pesquisa:

- Nos últimos 20 anos, o apoio a uma proibição de armas de assalto caiu entre todos os grupos partidários, incluindo os Democratas, onde apenas a metade apoia esse tipo de controle, em 1996 a porcentagem favorável era de 63%;

Em agosto, durante um comício em Wilmington, na Carolina do Norte, Trump falou sobre a escolha de um novo juiz para a Suprema Corte em substituição ao juiz conservador Antonin Scalia e o risco de que Hillary indicasse alguém favorável ao controle de armas. Disse ele: 

“Hillary quer abolir, essencialmente abolir, a Segunda Emenda. A propósito, e se ela conseguir escolher seus juízes, não tem nada que vocês possam fazer, pessoal. Embora o pessoal da Segunda Emenda talvez tenha, não sei. Mas vou dizer a vocês, esse será um dia horrível”.

A imprensa, em mais um movimento histérico, acusou Trump de fomentar a violência armada contra Hillary. Mais uma bobagem gigantesca. O que o presidente eleito estava dizendo naquele momento é que, em última instância, o pessoal da “Segunda Emenda”, era responsável por garantir a democracia, que o povo e só o povo é o verdadeiro “dono” do poder. Mais uma vez ele acertou o alvo em cheio e, sem usar suas armas, o “pessoal da Segunda Emenda” foi lá é fez alguma coisa. O resto é mimimi.

Saiba mais:

Senado rejeita restrições à posse de armas nos EUA: torcida não é análise, nem jornalismo.

http://www.cadaminuto.com.br/noticia/288754/2016/06/21/senado-rejeita-restricoes-a-posse-de-armas-nos-eua-torcida-nao-e-analise-nem-jornalismo

Pesquisa Gallup confirma: americanos NÃO querem mais controle de armas

http://www.cadaminuto.com.br/noticia/294547/2016/10/27/pesquisa-gallup-confirma-americanos-nao-querem-mais-controle-de-armas


Postado em 06/11/2016 às 07:27 0

O fuzil de Lula e muitas perguntas sem respostas


Por Bene Barbosa

Paulo Okamotto, diretor do Instituto Lula, apresentou ao juiz Sérgio Moro um impressionante levantamento do acervo proveniente dos anos que Lula foi presidente.  São quase 2.000 páginas contendo as fotos e a descrição dos objetos. O acervo ou “tralha” como gosta de dizer o ex-presidente está no meio de mais um dos intermináveis escândalos que envolvem o PT e seus companheiros.

Dentre milhares de itens um me chamou a atenção especial e foi destaque no blog do jornalista Fernando Rodrigues: um fuzil AK-47! O fuzil, conforme descrição constante na planilha entregue a Moro, foi fabricado na comunista Correia do Norte e foi utilizado pelo grupo guerrilheiro marxista FARABUNDO MARTI PARA LA LIBERACION NACIONAL (FMLN) e utilizado na frente oriental entre os anos de 88 e 91. A luta da FMLN era para a implantação de uma ditadura comunista naquele país. Fracassaram, mas não totalmente e voltarei a esse ponto mais para frente.

Primeiramente vamos levantar algumas questões práticas e legais sobre o referido objeto que pelo rigor da legislação atual não pode ser tratado simplesmente como uma lembrancinha de uma tia idosa. É um fuzil, uma arma de uso restrito e deve obrigatoriamente estar constando em algum acervo legal registrado no Exército. Teria Lula ou o seu Instituto o devido Certificado de Registro de Colecionador para possuir tal artefato? É possível, mas muito pouco provável. Para os transportes foram expedidas as devidas Guias de Tráfego? Também é difícil acreditar nisso. E assim sendo, há crime de posse ilegal de arma de uso restrito que prevê prisão em flagrante, sem direito à fiança. Vejamos o que diz a fria letra da lei 10.826/03:

“Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição de uso proibido ou restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar:

Pena – reclusão, de 3 a 6 anos, e multa”.

Fina flor da ironia, a lei em questão foi sancionada pelo ex-presidente Lula que também participou ativamente da campanha pelo desarmamento da população, chegando inclusive se unir a FHC com este objetivo.

Deixando de lado o tecnicismo e toda discussão legal que o fato deveria gerar, inclusive com a prisão dos envolvidos no crime tipificado acima, vamos falar do que para mim é o mais grave: o simbolismo dessa arma, que aliás, sequer foi o AK-47 o mais usado pelos guerrilheiros. O mais comum em suas mãos eram os FAL vindos da Bélgica, os G-3 alemães e os M-16 americanos, mas apenas o AK-47, ainda mais feito na Coreia do Norte, que traz todo o simbolismo necessário para um presente desse porte – desculpem o trocadilho inevitável. Uma arma usada não para lutar pela liberdade ou para defesa e sim para implantar um regime ditatorial e genocida: o comunismo. A FMLN deflagrou uma sangrenta guerra civil em El Salvador como milhares de mortos e atrocidades inenarráveis, ouso de crianças e adolescentes nos combates nunca foi completamente vencida, mas também não passou nem perto de alcançar o seu objetivo de tomar o poder, pelo menos não pelo cano dos seus fuzis. 

Mauricio Funes da FMLN foi eleito presidente daquele país em 2009, acabando com a hegemonia política da direita que durava 20 anos. Quem foi o grande responsável por isso? João Santana, o marqueteiro oficial do PT, que foi preso este ano em uma das fases da operação Lava Jato. A listagem apresentada não traz o nome de quem presenteou o ex-presidente Lula com o fuzil, mas não é muito difícil imaginar pelas mãos de quem essa arma passou até desembarcar em solo brasileiro no melhor da citação atribuída à Maquiavel: Aos amigos os favores, aos inimigos a lei.


Postado em 04/11/2016 às 09:40 0

Globo é condenada a pagar encargos trabalhistas para bombeiro militar contratado como segurança armado.


Por Bene Barbosa

A Rede Globo, uma das empresas jornalísticas e de entretenimento mais empenhadas em defender e ampliar as restrições às armas de fogo, a mesma que financia ONGs desarmamentistas, que nunca se furta em afirmar que armas não são instrumentos eficazes para defesa, que não deixam de apoiar e divulgar campanhas de desarmamento onde os cidadãos são convencidos  a entregarem suas armas para ficarem mais seguros, que usa suas novelas, atores e jornalistas na defesa do malfadado Estatuto do Desarmamento, oras vejam só que “surpresa”, usa até mesmo bombeiros militares armados para garantir a segurança de seus diretores e atores!

Abaixo segue trechos da notícia divulgada na página do escritório de advocacia Santos Pedro. É, definitivamente, isso a Globo não mostra!

“A Justiça do Trabalho reconheceu o vínculo empregatício de um bombeiro militar contratado pela Globo Comunicação e Participações S.A. para exercer a função de agente de segurança patrimonial. O processo chegou ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) por meio de recurso da emissora, mas a Terceira Turma negou provimento a seu agravo de instrumento.

O bombeiro declarou que, quando estava de folga na corporação, em média quatro dias na semana, trabalhava para a Globo, ARMADO, fazendo ESCOLTA de funcionários, ARTISTAS E DIRETORES recebendo salário mensal em espécie diretamente do coordenador de segurança da Globo, no Projac ou nas instalações da emissora no Jardim Botânico (RJ). Contou que não tinha carteira de trabalho assinada, não recebia férias nem 13º salário, trabalhava à paisana E QUE A ARMA QUE UTILIZAVA ERA DE SUA PROPRIEDADE.”

A íntegra dessa matéria e o processo podem ser acessados no link: http://santospedro.com.br/rede-globo-nao-consegue-afastar-vinculo-de-bombeiro-militar-contratado-como-seguranca/


Postado em 03/11/2016 às 11:26 0

A Globo e a família Marinho já abriram mão de seus seguranças armados?


Por Bene Barbosa

O jornal O Globo já é velho conhecido nosso com sua defesa do desarmamento e hoje isso se repete em mais um editorial que, em tom de fim do mundo, fala sobre o crescimento dos homicídios em algumas grandes cidades americanas... Pois bem, lá vamos nós.

No dito panfleto travestido de jornalismo, afirmam que grandes cidades americanas apresentam um enorme crescimento nos homicídios e, claro, acusam a facilidade para posse e porte de armas como o causador disso, mas não explicam – pois explicação não há! – por qual motivo outras cidades de grande e pequeno porte, que possuem as mesmas leis para compra e porte de armas não tiveram aumento, muito pelo contrário tiveram redução em seus homicídios. Também não explicam como em um país que vende milhões de armas todos os anos, os índices gerais de homicídios estão diminuindo desde a década de 80. Outro ponto importante é o uso dos homicídios em números absolutos e não as taxas por 100 mil habitantes que seria o correto, a intenção é óbvia: causar choque... Vindo de um jornalista que mora em um país com rígido controle de armas e... taxa que ultrapassa os 30 homicídios por 100 mil habitantes – nada menos que 6 vezes maior que a americana - e perfazendo a inacreditável cifra de 60.000 homicídios por ano! 

O último parágrafo é a expressão máxima do termo criado por George Orwell em seu imorrível 1984: o duplipensar. Trata-se da capacidade de ter na cachola duas ideias absolutamente antagônicas e conviver plenamente com ambas, um verdadeiro desafio a qualquer pensamento minimamente lógico. Vejam:

“No Brasil, onde o Estatuto do Desarmamento impõe restrições, a violência com armas de fogo tem índices de zonas de guerra. Por isso, é importante ficar vigilante às iniciativas da chamada “bancada da bala”, composta por parlamentares ligados à indústria de armas, que vêm tentando criar brechas na legislação”.

Ou seja, o jornalista que escreveu essa pérola afirma o fracasso do desarmamento no Brasil ao mesmo tempo que defende o desarmamento no Brasil! Seria até engraçado se isso não estivesse publicado no editorial de um dos maiores jornais do país.

Mas longe de mim ser um radical que não acredita na boa vontade dos desarmamentistas! Sim eu posso crer! E para isso acontecer é fácil: basta que todas as empresas das organizações Globo, bem como todos seus diretores, incluindo a família Marinho, e artistas pró-desarmamento como o casal Angélica e Luciano Huck abram mão do uso de seguranças particulares armados para se protegerem! Enquanto isso não acontecer vou continuar afirmando o óbvio: vocês não passam de um bando de hipócritas!

 


Postado em 01/11/2016 às 20:53 0

Japão: desarmamento, opressão, dominação e a incapacidade de defesa de uma nação


Por Bene Barbosa

Não raramente o Japão é utilizado, por aqueles que professam da crença de que armas trazem violência e insegurança, como exemplo de uma nação pacífica, onde os homicídios são raros e isso se deve ao desarmamento. Nada raro porém é o desconhecimento total de quando, como e o porquê o Japão foi desarmado e, mais importante ainda, quais foram, as consequências nefastas disso.

Tanegashima é uma ilha do sul do Japão, situada no arquipélago Ōsumi sendo a segunda maior do arquipélago. Foi nesta ilha que desembarcaram os primeiros portugueses com suas missões Jesuítas em 1543. Logo depois vieram os franciscanos e dominicanos. Junto aos Europeus vieram as armas de fogo que causaram enorme impacto nos moradores da ilha, que em pouquíssimo tempo puderam constatar sua utilidade para caça e defesa quando comparadas aos arcos e flechas e espadas. A ilha era e é conhecida pela sua produção de ferro e pelos mestres artesãos/ferreiros. Dentro desse contexto, não demorou muito que esses ferreiros passassem a produzir seu próprio armamento, com grande qualidade e quantidades relativamente altas para padrões de produção da época. O Japão entrava oficialmente na Era da Pólvora e Tanegashima se tornava sinônimo de arma de fogo e assim são designadas até hoje.

O Japão feudal era politicamente caótico. No início do século XVI, os conflitos internos tinham saído do controle ameaçando a ordem social e o poder dos senhores feudais. Esse cenário só seria revertido pela sucessão de três guerreiros notáveis: Oda Nodunaga, Toyotomi Hideyoshi e Tokugawa Ieysu. Como explica John Keegan em seu livro “Uma História da Guerra”:

“A excelência do comando não foi a única explicação para a restauração do poder central. Os três generais eram também expoentes de uma nova arma (as armas de fogo)”.

Da mesma forma que souberam utilizar as armas de fogo para impor um governo central, entenderam que o controle absoluto das mesmas era essencial para a manutenção do Status Quo. Hideyoshi então, determina que todos aqueles que não eram militares deveriam entregar suas armas de fogo e espadas na promessa da construção de uma gigantesca imagem de Buda. Promessa que nunca se concretizou. Ao que parece as promessas dos desarmamentistas do passado chegaram incólumes aos desarmamentistas modernos. Ao final do século XVII as armas de fogo e canhões já eram raríssimas, pouquíssimos japoneses ainda tinham o conhecimento no fabrico de armas e canhões.

Keegan aponta três motivadores para a imposição do desarmamento no arquipélago japonês. Primeiramente havia uma verdadeira ojeriza ao que era estrangeiro e as armas de fogo era um grande símbolo disso, associadas ainda mesmo que ilogicamente ao cristianismo que era visto como uma ameaça à ordem estabelecida pelos governantes. Junto com as armas, todos os religiosos estrangeiros foram banidos. O segundo, e para mim o de maior peso, foi a “instabilidade social” que a posse de armas trazia uma vez que qualquer camponês, sem qualquer tradição nas artes do combate, munido de uma arma de fogo poderia abater sem muitas dificuldades um fidalgo ou um samurai altamente treinado. O terceiro ponto é que simplesmente era possível! Não haviam ameaças externas, as ameaças internas (após o desarmamento das classes inferiores) podiam ser facilmente esmagadas pela força das espadas samurais e, culturalmente, a pólvora era irreconciliável com o ethos do guerreiro japonês. Na prática, para as classes dominantes, as armas não fariam qualquer falta.

O Japão se tornava a nação que implantara o desarmamento com o maior e mais profundo grau de sucesso possível. A Era da Pólvora simplesmente foi varrida daquele país, mas isso não significou mais civilidade ou paz. Muito pelo contrário. Ao desarmar sua população, camponeses e não fidalgos, os governantes levaram a opressão ao patamar poucas vezes alcançado. Como define John Keegan, “ao assegurar o monopólio das espadas aos guerreiros, os Tokugawa estavam garantindo o lugar dos samurais no pináculo da sociedade japonesa”.

A própria ideia rousseauniana de que em sociedades primitivas e/ou antigas as guerras eram insípidas e pouco sangrentas e que a arma de fogo trouxe mais letalidade e, portanto, mais mortes, não se sustenta. Lawrence H. Keely em seu livro “A Guerra Antes da Civilização – o mito do bom selvagem – destrói essa falsa afirmação trazendo alguns dados interessantes, entre eles de que “em uma comparação recente de taxas de baixas das guerras antigas e modernas, foi calculado que em média setenta por cento dos homens engajados nas batalhas antigas foram mortos ou feridos, ao passo que somente sessenta por cento dos combatentes nas batalhas modernas mais sangrentas se tornaram baixas”.

O historiador Stephan Turnbull corrobora com essa visão ao resumir os efeitos do desarmamento:

“As ordens do ditador Hideyoshi foram executadas com exatidão. A crescente mobilidade social dos camponeses foi subitamente revertida. Os Ikki, os monges-guerreiros, se tornaram figuras do passado... Hideyoshi forçou os camponeses a abandonarem suas armas. Ieyasu [o regente seguinte] então começou a privá-los de seu respeito próprio. Se um camponês ofendesse um samurai, ele poderia ser executado imediatamente pela espada do samurai. [The Samurai: A Military History (New York: Macmillan, 1977).

Se nos mais de 200 anos o desarmamento trouxe enormes vantagens aos governantes autoritários e tão somente a eles, isso se reverteu quando o Comodoro americano Mathew Perry e sua frota de “navios negros” abriram fogo com seus 22 canhões na baia de Edo. Quando desembarcaram houve um misto de medo e reverência por parte de uma população que em dois séculos vira poucos estrangeiros e nenhuma arma de fogo. Não se tratava apenas de exibicionismo, tratava-se de um ultimato à abertura dos portos japoneses aos americanos e às outras nações ocidentais. Ao governo japonês, que abandonara as armas de fogo e canhões, não houve alternativa senão aceitar os “acordos” comerciais.

Outros estudiosos, entre eles David Kopel, Paul Gallant e Joanne Eisen do Independence Institute, apontam ainda, com base no livro, “Giving up the Gun: Japan’s Reversion to the Sword 1543-1879” de Noel Perrin, que as leis de desarmamento japonesas forjaram a cultura de submissão às autoridades, que por sua vez facilitaram o domínio por uma ditadura militar imperialista na década de 30 que levou a nação a uma desastrosa guerra mundial.

No final das contas, como afirmam os estudiosos acima, “o único país que criou uma sociedade verdadeiramente sem armas criou uma sociedade de dura opressão de classes, em que os homens fortes da classe mais alta poderiam matar integrantes das classes mais baixa com total impunidade. Quando um governo racista, imperialista e militarista tomou o poder, não havia nenhum meio de resistência eficiente. A sociedade sem armas do Japão se tornou exatamente o oposto da utopia igualitária da canção Imagine de John Lennon”.

Livros recomendados:

John Keegan – Uma História da Guerra - http://livraria.mvb.org.br/uma-historia-da-guerra

Lawrence H. Keely - A Guerra antes da civilização - http://livraria.mvb.org.br/a-guerra-antes-da-civilizacao-o-mito-do-bom-selvagem

Noel Perrin - Giving up the Gun: Japan’s Reversion to the Sword 1543-1879 - https://www.amazon.com/Giving-Up-Gun-Reversion-1543-1879/dp/0879237732