Um pequeno machucado pode passar despercebido quando não provoca dor. Uma área avermelhada na pele de uma pessoa acamada pode parecer inofensiva. Essas alterações, porém, precisam de atenção: a demora em identificar uma lesão e buscar atendimento pode dificultar o tratamento e favorecer complicações.

Na Santa Casa de Maceió, o Grupo de Pele recebe pacientes com feridas em estágios avançados que, inicialmente, foram consideradas simples. Segundo a enfermeira Sílvia Karla, supervisora do serviço, reconhecer os sinais de alerta é um dos principais desafios para evitar esse agravamento.

“Na maioria das vezes, eles acham que é um problema simples, que conseguem resolver com água e sabão. Mas existem sinais que podemos orientar o paciente e os familiares a observar”, afirma.

Sílvia Karla, supervisora do Grupo de Pele da Santa Casa de Maceió

Vermelhidão, inchaço, aumento da temperatura no local, secreção e mau cheiro estão entre as alterações que exigem avaliação profissional. A profundidade da ferida e o histórico de saúde do paciente também influenciam a recuperação. “Quanto mais profundo o dano à pele, mais grave a lesão se torna e mais tempo precisamos para cicatrizar”, explica Sílvia.

Pessoas acamadas ou com dificuldade para mudar de posição estão entre as que precisam de maior atenção. A pressão prolongada sobre uma região do corpo pode provocar lesões conhecidas popularmente como escaras.

O problema exige observação frequente, sobretudo nas áreas submetidas à pressão. Uma vermelhidão persistente deve ser comunicada à equipe assistencial para avaliação. “Quando o paciente é acamado e tem um comprometimento maior da mobilidade, essa observação precisa ser frequente. Quanto maior a pressão e o comprometimento dos tecidos, mais grave a lesão pode ficar”, ressalta a enfermeira.

Enfermeiras atuam na identificação de riscos e na definição de medidas preventivas, em conjunto com os profissionais responsáveis pela assistência

Na Santa Casa, o Grupo de Pele atua na identificação desses riscos e na definição de medidas preventivas, em conjunto com os profissionais responsáveis pela assistência. Mudanças de posição conforme as necessidades do paciente, proteção da pele e atenção à alimentação e à hidratação fazem parte dos cuidados.

Idosos também estão mais sujeitos às lesões por fricção, chamadas de skin tears. Pequenos impactos ou atritos podem provocar o desprendimento de um retalho de pele, o que reforça a importância de identificar riscos no ambiente e orientar cuidadores.

Nos pacientes com diabetes, a redução da sensibilidade pode fazer com que cortes e outros machucados passem despercebidos, principalmente nos pés. Sem sentir dor, a pessoa pode demorar a procurar atendimento.

“A pessoa com diabetes pode perder a sensibilidade. É importante observar entre os dedos, a planta dos pés e os calcanhares”, orienta Sílvia.

Feridas que não cicatrizam também precisam ser investigadas. Além do diabetes, outras condições, como doenças autoimunes, podem interferir na recuperação. “Às vezes, mesmo com coberturas especiais e tecnologias, a ferida não cicatriza. Na avaliação clínica e na conversa com o paciente, identificamos outras condições que ajudam a entender o que está acontecendo”, explica.

O Grupo de Pele acompanha feridas cirúrgicas, queimaduras, lesões traumáticas e úlceras de diferentes causas. As enfermeiras avaliam as características de cada caso para indicar os cuidados e as coberturas adequadas.

Entre os recursos utilizados estão a gaze não aderente, que reduz o trauma na retirada do curativo; o alginato de cálcio, empregado na absorção de secreções; e o hidrogel, que mantém a umidade e auxilia na remoção de tecidos desvitalizados. A escolha desses materiais segue a avaliação profissional. O mesmo vale para os produtos utilizados em casa e para a frequência de troca dos curativos.

A orientação aos familiares integra a assistência, especialmente quando o paciente precisa manter curativos ou medidas preventivas após deixar o hospital. “A observação dos familiares, dos cuidadores e do próprio paciente, a orientação sobre mudança de posição, a alimentação adequada e a hidratação são fundamentais. Quando a lesão já está instalada, é essencial ter um profissional habilitado junto dessa família”, afirma a supervisora.

Sílvia também alerta para o uso de receitas caseiras, como manteiga e pasta de dente em queimaduras, que podem dificultar a limpeza e prejudicar o tratamento. Arrancar crostas ou tentar remover tecidos de uma ferida em casa é outra prática que deve ser evitada. “O segredo disso tudo é acompanhar e orientar”, resume.