O homicídio qualificado de Paolla Paullyne Freitas Araújo de Alencar Vital, uma mulher trans de 34 anos, assassinada a tiros na noite da última quinta-feira (22) no Centro do município de Santa Luzia do Norte, na Região Metropolitana de Maceió, está sendo conduzido pela Polícia Civil de Alagoas (PC/AL). 

A vítima, que também atuava como ativista e militante LGBTQIA+, era natural de Coqueiro Seco, onde disputou cargo político como candidata a vereadora.

O crime ocorreu na Rua Tiradentes, nas imediações da Escola Municipal Professora Iolanda Romeiro Lopes, em uma área conhecida como “Beco Sem Saída”, apontada pelas autoridades como ponto de intensa comercialização de entorpecentes. 

A ocorrência foi atendida inicialmente pela Guarda Municipal, que isolou a cena até a chegada de uma guarnição da Rota Lagunar, pertencente ao 8º Batalhão de Polícia Militar (8º BPM). As primeiras diligências periciais foram conduzidas pela equipe da Unidade de Atendimento de Local de Crime 2 (UALC 2), sob a coordenação do delegado Victor Freitas, com a presença de peritos do Instituto de Criminalística (IC) e funcionários do Instituto Médico Legal (IML). 

No local, constatou-se que a vítima apresentava pelo menos duas lesões provocadas por disparos de arma de fogo.

Linha de investigação e repercussão

De acordo com as informações levantadas pela Polícia Civil, Paolla havia morado no município por alguns meses, ausentado-se posteriormente e retornado à cidade há pouco tempo. 

Relatórios policiais preliminares apontam que ela possuía envolvimento com o tráfico de drogas e exerceria liderança em uma organização criminosa na região. 

Até o momento, a principal hipótese investigativa indica que o homicídio está relacionado a conflitos do narcotráfico, sendo descartados, de acordo com as apurações iniciais, indícios de motivação política ou de crimes motivados por transfobia ou questões de gênero.

O caso gerou repercussão institucional. O Conselho Estadual de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos LGBT de Alagoas (CECD/LGBT-AL) emitiu uma nota oficial de pesar e repúdio pela morte da militante, ressaltando sua trajetória na representação democrática. 

No comunicado, o órgão cobrou das autoridades de segurança pública "uma investigação rigorosa, célere e transparente, com a devida responsabilização dos envolvidos", destacando que "a vida de uma pessoa trans merece respeito, proteção e dignidade".   

A Polícia Civil segue realizando diligências para esclarecer a dinâmica do crime, determinar a autoria e identificar eventuais coautores envolvidos na execução.