Falta de ar, mal-estar e palpitação podem ser sinais de infarto nas mulheres, associados à dor no peito, que nelas em geral não é o único sintoma. Como essas manifestações também são comuns em outros problemas de saúde, muitas pacientes demoram a procurar atendimento. O diagnóstico tardio preocupa, já que as doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte de mulheres no Brasil.
A cardiologista da Santa Casa de Maceió, Alayde Rivera, explica que homens e mulheres compartilham praticamente os mesmos fatores de risco para doenças cardiovasculares, mas nem sempre apresentam os mesmos sintomas. “Mulheres, quando infartam, além da dor no peito, têm outros sintomas. Quando chegam às emergências, muitas vezes a dor no peito não é o sintoma que referem como de maior importância, porque têm falta de ar, sensação de mal-estar e se sentem muito nervosas”, explicou.
A confusão com crises de ansiedade é uma das preocupações da médica. Dor no peito, falta de ar e palpitações podem ocorrer nas duas situações, o que torna necessária uma avaliação médica. “Pode ser um quadro agudo de ansiedade, mas isso também pode ser um infarto. Apenas em uma unidade de atendimento é que se pode fazer o diagnóstico diferencial”, alertou.
A menopausa é outro período que exige atenção. Até essa fase, o estrogênio ajuda a proteger os vasos sanguíneos. Com a queda na produção do hormônio, aumenta o risco de doenças cardiovasculares, principalmente entre mulheres que têm pressão alta, diabetes, colesterol elevado ou fumam. Aquelas que passaram pela menopausa precocemente ou tiveram os ovários retirados também precisam acompanhar mais de perto a saúde do coração.
Alayde explica que a terapia hormonal pode aliviar sintomas da menopausa, como ondas de calor, insônia e irritabilidade, mas não deve ser utilizada para prevenir infarto ou AVC. A indicação depende das condições de saúde de cada mulher e da avaliação de possíveis contraindicações.
A terapia hormonal pode aliviar sintomas da menopausa, mas não é indicada para prevenir infarto ou AVC
A qualidade do sono também merece atenção. Segundo a cardiologista, a apneia do sono está associada a arritmias, enquanto o estresse crônico, a ansiedade e a depressão podem contribuir para o aumento do risco cardiovascular. O histórico familiar de infarto, AVC, hipertensão e diabetes é outro fator que deve ser informado durante as consultas.
“Assim como cuidamos da biologia do corpo para manter o peso ideal e controlar a pressão arterial e os níveis de glicose, colesterol e triglicerídeos, também é importante cuidar da saúde da mente”, afirmou.
Para a médica, um dos desafios é fazer com que as mulheres deem à própria saúde a mesma atenção que costumam dedicar à família. “Nós somos educadas para cuidar do outro e muitas vezes consideramos que o autocuidado é uma atitude egoísta”, observou.
A orientação é não ignorar sintomas repentinos, procurar atendimento de emergência quando houver suspeita de infarto e manter o acompanhamento médico, especialmente após a menopausa ou quando existem fatores de risco.
