A aprovação pelo Senado Federal da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que decreta o fim da escala de trabalho 6x1 foi classificada pelo presidente-executivo da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), Paulo Solmucci, como uma "tragédia socioeconômica anunciada". Para a entidade, a mudança trará impactos severos e imediatos na prestação de serviços essenciais à população.

Segundo a Abrasel, o país possui atualmente cerca de 15 milhões de trabalhadores submetidos à escala 6x1 que passarão a cumprir um dia a menos de trabalho. 

Para manter a mesma oferta de serviços e suprir a ausência desses profissionais, o mercado exigiria a contratação de aproximadamente 3 milhões de novos trabalhadores. 

Contudo, a entidade aponta que há escassez de mão de obra disponível, o que resultará em forte concorrência por pessoal e dificuldades operacionais para diversos setores.

Entre os reflexos projetados estão o fechamento de estabelecimentos em dias específicos por falta de pessoal ou aumento de custos, além de riscos operacionais em serviços públicos e privados, como hospitais e clínicas. 

O impacto financeiro também deve ser repassado ao consumidor: a Abrasel estima que manter o funcionamento de comércios por seis dias poderá elevar os custos em até 20%, gerando uma onda de inflação, perda do poder aquisitivo da população e risco de recessão econômica impulsionada pela queda na demanda e pela manutenção de juros elevados.

Como alternativa regulatória e de transição, a entidade defende a adoção de modelos de trabalho flexíveis, como o pagamento por hora, argumentando que a proibição rígida da escala atual pode estimular o abandono de vínculos tradicionais sob o regime da CLT. 

Para Solmucci, a superação dos gargalos criados pela nova legislação exigirá soluções de flexibilização semelhantes às adotadas em outros países.