A Santa Casa de Maceió realizou, na última quinta-feira (8), um mutirão para o tratamento de varizes do esôfago e do estômago. A iniciativa, realizada no Serviço de Endoscopia do hospital, integrou o projeto Portal, voltado à prevenção e ao tratamento de complicações relacionadas à hipertensão portal, condição que pode provocar a dilatação de veias do aparelho digestivo e causar sangramentos graves.
Promovida pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed) e pela Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), em parceria com a Santa Casa de Maceió, a ação contou com a participação de endoscopistas do hospital, entre eles Edmundo Gomes, Celina Marques, Carla e Hebert Toledo, além de outros especialistas. Em Alagoas, a mobilização reuniu aproximadamente 20 médicos, entre profissionais locais e integrantes da equipe nacional da Sobed.
Ao longo do dia, cerca de 30 pacientes previamente selecionados nos ambulatórios do Sistema Único de Saúde (SUS) tiveram acesso ao tratamento endoscópico. A iniciativa foi direcionada especialmente a pessoas com dificuldades para realizar o procedimento, cujo custo pode chegar a R$ 5 mil por sessão na rede particular.
A médica endoscopista e gastroenterologista da Santa Casa de Maceió, Celina Marques, destacou que a mobilização permitiu ampliar o acesso a um tratamento de alto custo.
“Selecionamos pacientes que não tinham condições de arcar com o procedimento. Conseguimos, junto aos fornecedores, os kits de ligadura e reunimos aproximadamente 30 pacientes que tiveram essa oportunidade de tratamento”, explicou.
A coordenadora da Comissão de Ações Sociais da Sobed, Eduarda Tebit, destacou o compromisso da entidade com a prevenção de complicações graves de doenças do aparelho digestivo. Segundo ela, esta é a segunda vez que a sociedade realiza uma ação social em Alagoas.
“Entendemos o papel social que nós, endoscopistas, temos na prevenção de doenças. Para esta ação, conseguimos a doação de 120 kits de ligadura elástica para o estado, utilizados no tratamento das varizes de esôfago, com o objetivo de evitar sangramentos em pacientes com cirrose. É uma satisfação reunir médicos em uma iniciativa que contribui para ampliar o acesso da população a esse tratamento”, afirmou.
Tratamento pode evitar sangramentos graves
As varizes esofágicas e gástricas são veias dilatadas que surgem principalmente em consequência da hipertensão portal, caracterizada pelo aumento da pressão no sistema venoso que transporta sangue dos órgãos digestivos para o fígado. Entre suas principais causas estão a cirrose hepática e a esquistossomose, doença parasitária que pode comprometer a circulação sanguínea do fígado.
Custo do tratamento pode chegar a R$ 5 mil por sessão na rede particular
Em Alagoas, onde a esquistossomose é historicamente endêmica em determinadas regiões, essas complicações representam um importante desafio para a assistência especializada.
Segundo o coordenador do Serviço de Endoscopia Terapêutica da Santa Casa de Maceió, Hebert Toledo, a ligadura elástica é uma das principais técnicas utilizadas no tratamento das varizes esofágicas. O procedimento é realizado por endoscopia e consiste na aplicação de pequenos anéis elásticos sobre as veias dilatadas, reduzindo o risco de hemorragias.
“A ligadura elástica pode ser utilizada de forma preventiva, evitando hemorragias digestivas, ou como tratamento em pacientes que já apresentaram sangramento. São pessoas que enfrentam dificuldades de acesso a esse tipo de procedimento na rede pública de saúde”, explicou.
A médica endoscopista e gastroenterologista Carla Lessa, que também participou da mobilização, ressaltou a importância da união das sociedades médicas e dos parceiros para garantir o atendimento.
“As varizes do esôfago e do estômago podem provocar hemorragias digestivas muito graves, inclusive com risco de morte. Esse tratamento é caro e de difícil acesso para a população mais necessitada. Com a união das sociedades médicas e a doação dos kits, conseguimos oferecer essa assistência aos pacientes”, afirmou.
