O câncer de pulmão pode se desenvolver durante anos sem apresentar sintomas, o que dificulta sua identificação nas fases iniciais. No Brasil, a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) é de 35.380 novos casos em 2026. O tabagismo continua sendo o principal fator de risco, mas a doença também pode atingir pessoas que nunca fumaram.
Segundo a pneumologista Miriã Silva, da Santa Casa de Maceió, o cigarro está associado à maioria dos diagnósticos. “O cigarro é o maior fator de risco para o câncer de pulmão. De 80% a 90% dos casos de câncer de pulmão, o cigarro estará associado.”
A ausência de sintomas é uma das principais dificuldades para descobrir a doença precocemente. Quando surgem, os sinais mais comuns são tosse persistente, falta de ar, dor no peito, perda de peso sem causa aparente e tosse com sangue. A recomendação, porém, é que pessoas com maior risco não esperem esses sintomas para procurar avaliação médica.
“Para fazer um diagnóstico precoce, a gente não precisa esperar ter algum sintoma”, orienta a pneumologista.
Em pessoas com histórico importante de tabagismo, a tomografia de tórax de baixa dose pode ser indicada para o rastreamento do câncer de pulmão, mesmo na ausência de sintomas. A necessidade do exame depende de critérios como idade e exposição ao cigarro, que devem ser avaliados pelo médico.
Miriã também esclarece uma dúvida comum entre pacientes que descobrem nódulos pulmonares durante exames de imagem. Embora o achado costume causar preocupação, nem sempre está relacionado ao câncer.
“A maioria dos nódulos pulmonares que a gente encontra na tomografia são benignos, ou seja, não são câncer”, explica.
A investigação leva em conta o tamanho e as características do nódulo, além do histórico clínico do paciente. Dependendo da avaliação, o médico pode recomendar acompanhamento periódico ou exames complementares.
Possibilidades ampliadas – Os avanços no tratamento do câncer de pulmão têm permitido abordagens cada vez mais específicas, de acordo com as características de cada tumor. Na Santa Casa de Maceió, os pacientes contam com cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e terapia-alvo.
A instituição também dispõe de cirurgia robótica, que pode ser indicada para determinados pacientes com tumores passíveis de remoção cirúrgica. A técnica permite realizar procedimentos minimamente invasivos, com movimentos precisos e visão ampliada do campo operatório.
Entre as opções de tratamento, a imunoterapia tem apresentado resultados importantes em determinados tipos e estágios da doença. Os medicamentos atuam estimulando o sistema imunológico a reconhecer e combater as células cancerígenas.
“A imunoterapia vem revolucionando o tratamento do câncer de pulmão porque a gente consegue, inclusive, ter um tratamento mais direcionado”, afirma Miriã.
Outro avanço é a terapia-alvo, utilizada quando o tumor apresenta alterações moleculares específicas. A identificação dessas características por meio de exames permite selecionar medicamentos que atuam sobre determinados mecanismos de crescimento das células cancerígenas.
A escolha do tratamento depende de fatores como o tipo de câncer, o estágio da doença e as condições clínicas do paciente. Em alguns casos, diferentes modalidades podem ser combinadas.
Quando descoberto em fase inicial, antes de atingir outras regiões do organismo, o câncer de pulmão apresenta maiores possibilidades de tratamento com intenção curativa. Nos estágios avançados, as terapias disponíveis podem ajudar a controlar a doença, prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida.
“O câncer de pulmão tem uma cura possível, mas para isso a gente precisa do diagnóstico precoce”, ressalta a pneumologista.
Além do diagnóstico antecipado, abandonar o cigarro é uma medida importante tanto para prevenir a doença quanto para pacientes que já estão em tratamento. A interrupção do tabagismo pode reduzir complicações e contribuir para melhores resultados terapêuticos.
