A ausência da vacina contra o sorotipo B da meningite na rede pública de saúde e a baixa cobertura vacinal na capital alagoana têm favorecido a circulação da doença e o avanço dos casos graves.
O alerta é do médico infectologista Dr. Fernando Maia, feito a propósito dos dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Maceió, que registraram 33 casos confirmados de meningite em 2026, com 14 ocorrências por Doença Meningocócica do sorotipo B e cinco óbitos.
Em entrevista ao portal CadaMinuto, o especialista explicou que o predomínio do sorotipo B está diretamente ligado à falta da dose no Sistema Único de Saúde (SUS), onde a imunização é restrita às variantes A, C, W e Y.

"Durante muito tempo, o sorotipo mais comum era o C, mas essas crianças já são vacinadas de rotina e o número caiu expressivamente. Estamos tendo pelo tipo B porque não tem vacina na rede pública, somente na privada", afirmou o médico, destacando que o alto custo do imunizante na rede particular limita o acesso da maioria das famílias.
O infectologista reforçou a urgência na identificação dos sintomas e na busca imediata por atendimento médico nos prontos-socorros e unidades de saúde da capital.
Segundo o Dr. Fernando Maia, em quadros de meningite bacteriana, a agilidade do diagnóstico é determinante para conter a mortalidade.
"O tempo é ouro. A meningite bacteriana é uma doença que pode matar o indivíduo em poucas horas. Cada hora que você demora para iniciar o tratamento dobra o risco de o paciente morrer", advertiu.
Entre os principais sinais de alerta apontados pelo médico estão febre alta, dor de cabeça persistente, rigidez na nuca, caracterizada pela dificuldade de encostar o queixo no peito, vômitos e o aparecimento de manchas avermelhadas ou arroxeadas pelo corpo.
O especialista enfatizou a necessidade de diferenciar o quadro de uma virose comum ou gripe ressaltando que, diante da presença desses sintomas combinados, a orientação é procurar um serviço de emergência sem demora.
Além da identificação precoce, o controle da circulação de agentes infecciosos respiratórios depende do alcance de altas taxas de imunização.
O infectologista lembrou que a cobertura vacinal ideal para doenças de transmissão respiratória deve ser de, no mínimo, 90%. Atualmente, Maceió registra índices de 84,29% em menores de 1 ano e 87,97% em crianças de 1 ano, números que permanecem abaixo da meta recomendada pelas autoridades sanitárias para garantir a proteção coletiva.
