Informação para enfrentar o medo, cuidado para atravessar o tratamento e apoio para recomeçar. Foi com esse olhar que a Rede Feminina de Combate ao Câncer de Alagoas abriu a campanha Outubro Rosa, nesta quinta-feira (1º), no Maceió Shopping. A programação reuniu profissionais de saúde, voluntárias, pacientes e mulheres que já passaram pelo tratamento do câncer de mama.

A abertura também marcou os 53 anos de atuação da Rede Feminina, instituição que mantém uma histórica parceria com a Santa Casa de Maceió e oferece suporte especialmente às pacientes que chegam do interior do estado para realizar tratamento oncológico na capital. Na Casa de Apoio Lenita Vilela, elas encontram hospedagem, alimentação e acompanhamento durante esse período.

Presidente da Rede Feminina, Vitória Basílio destacou que a campanha deste ano parte de uma mensagem simples: é preciso conhecer o próprio corpo e buscar assistência médica diante de qualquer alteração.
“É preciso saber para viver. Saber tudo sobre o câncer de mama, se conhecer como mulher e procurar o médico se perceber alguma coisa diferente no corpo”, afirmou.

Durante outubro, a Rede também contará com uma loja no Maceió Shopping, espaço cedido para a instituição comercializar peças de artesanato produzidas pelas voluntárias e itens recebidos por meio de doações. A renda arrecadada será revertida para a manutenção das atividades da entidade.
Mais jovens – A programação de abertura colocou em discussão temas que ultrapassam o diagnóstico. Radioterapia, genética, qualidade de vida depois do câncer, alimentação, saúde emocional, relações familiares e retomada da vida profissional estiveram entre os assuntos abordados.

Radioterapeuta da Santa Casa de Maceió, Marcel Davi chamou a atenção para uma mudança observada na assistência: a presença cada vez mais frequente de mulheres jovens entre as pacientes com câncer de mama.
“A maioria das pacientes ainda está numa fase mais madura da vida, mas a gente tem visto cada vez mais acontecer em pacientes jovens”, afirmou. Segundo o médico, enfrentar a doença nessa fase acrescenta outros desafios, já que muitas dessas mulheres têm filhos pequenos, estão construindo a carreira ou ainda estruturando a vida familiar.

O especialista alertou, porém, para o risco de atribuir esse cenário a explicações sem respaldo científico. Segundo ele, não há um único “vilão” responsável pelo aumento dos casos entre mulheres mais jovens. Fatores de risco já conhecidos, como consumo de álcool, tabagismo, obesidade, sedentarismo e mudanças nos padrões reprodutivos integram uma realidade mais complexa.
A vida depois do câncer – A mastologista da Santa Casa de Maceió Lígia Teixeira levou à programação outra dimensão do enfrentamento da doença: o que acontece quando o tratamento termina. Com o tema “Muito além da cura: sobreviver é apenas metade da história”, a médica abordou a necessidade de olhar para a mulher para além do controle da doença.

A discussão reforçou um dos principais eixos do encontro: o cuidado não termina com a última sessão de quimioterapia ou radioterapia, nem com a cirurgia. A vida depois do câncer também envolve acompanhamento da saúde, reconstrução da rotina e atenção às repercussões físicas e emocionais deixadas pela doença e pelo próprio tratamento.

Cuidado que vai além do tratamento – Representando o provedor da Santa Casa de Maceió, Humberto Gomes de Melo, a gestora de Humanização da instituição, Taciana Amorim, ressaltou que o cuidado com a paciente oncológica não pode se limitar aos procedimentos médicos.

“Por trás de cada diagnóstico existe uma mulher, uma história, uma família, sonhos e sentimentos”, afirmou.
Taciana também destacou o papel da Rede Feminina no suporte às mulheres que precisam permanecer em Maceió durante o tratamento. “Essa parceria entre a Santa Casa e a Rede Feminina mostra que ninguém precisa atravessar essa jornada sozinho.”

O evento também contou com a participação de representantes da Santa Casa de Maceió, entre eles a gestora da Linha Oncológica, Aishá Gois; o assistente social Felipe Bruno Castro; e a enfermeira do Serviço de Radioterapia Karliene Batista. A nutricionista e psicóloga Rosa Carla Lôbo, criadora do Projeto Mama da Santa Casa de Maceió, também participou da abertura.