Durante depoimento prestado na sessão do Tribunal do Júri nesta quarta-feira (7), no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, no bairro do Barro Duro, em Maceió, Albino Santos de Lima negou ter assassinado a jovem Mikaele Leite da Silva, de 21 anos.
Questionado pelo juiz Geraldo Amorim, o réu atribuiu a autoria intelectual do crime a uma figura que identificou como "Arcanjo Miguel".
Inquirido pelo magistrado sobre de quem seria a responsabilidade pelo homicídio caso não tivesse sido cometido por ele, o acusado respondeu que a ordem partiu de "quem mandava fazer isso", apontando o "Arcanjo Miguel".
Albino afirmou não se recordar de como ou onde teria encontrado a referida entidade, tampouco do período em que teria recebido as ordens para efetuar a execução.
Em relação à dinâmica do crime, o réu declarou não saber informar a arma utilizada, a quantidade de disparos efetuados ou a motivação da ação.
Albino também alegou que não conhecia a vítima e negou ter investido contra a jovem antes do fato. O acusado disse ter tido conhecimento prévio dos autos e das provas anexadas ao processo apenas por meio de seu advogado de defesa.
A versão apresentada em plenário contrapõe a tese da acusação conduzida pela promotora de Justiça Adilza de Freitas, do Ministério Público de Alagoas (MPAL).
O órgão ministerial sustenta a autoria com base em laudos de confronto balístico que vinculam a arma apreendida com o réu aos projéteis retirados do corpo de Mikaele e do local do crime, ocorrido nas proximidades de um estabelecimento comercial no conjunto Joaquim Leão, no bairro do Vergel do Lago.
O MPAL também rebateu a tese de ininputabilidade, apresentando laudo do incidente de insanidade mental que atestou a plena capacidade de Albino de compreender o caráter ilícito de seus atos, apontando perfil compatível com psicopatia.
Custodiado desde 2024, o réu já soma condenações que ultrapassam 200 anos de reclusão em oito julgamentos anteriores relacionados a homicídios na Região Metropolitana de Maceió.