“Não foi um cochilo, não foi um equívoco. Ele assumiu total responsabilidade a partir do momento em que assumiu o volante após ter ingerido bebida. Na contramão, tirou a vida de dois pais de família e destruiu duas famílias.” A declaração é de Lídia Michele, filha de José Cícero da Silva, antes do início do julgamento de Sérgio Praxedes dos Santos Filho nesta segunda-feira (28), no Fórum do Barro Duro, em Maceió.
Parentes de José Cícero e Pedro Alves de Souza Júnior acompanharam o começo da sessão e cobraram uma resposta da Justiça pelas duas mortes. O caso ocorreu em julho de 2021, quando o carro conduzido pelo réu trafegou pela contramão da Avenida Fernandes Lima e atingiu duas motocicletas.
Lídia afirmou que o episódio não pode ser tratado como um simples erro ao volante. Para ela, o acusado assumiu o risco das consequências ao dirigir depois de consumir bebida alcoólica. “O que ele fez não tem comparação. Não tem como dizer que isso foi sem querer. Isso foi um assassinato”, declarou.
A filha da vítima também lembrou que Quitéria Gonçalves Amorim, que estava na motocicleta com José Cícero, sobreviveu à colisão, mas ficou com sequelas físicas permanentes.
“Eu tive o privilégio de saber o que é ter pai na minha fase adulta. Tive a bênção de apresentar o primeiro neto ao meu pai. Já as quatro crianças perderam o pai ainda pequenas. Minha madrasta, por um milagre, sobreviveu, porque poderia ter sido mais uma vítima dessa tragédia”, afirmou.
“Meu filho saiu para trabalhar e não voltou”
Maria Ângela, mãe de Pedro, também acompanhou o início do julgamento. Emocionada, ela contou que a rotina da família mudou desde a morte do filho. “O meu filho saiu para trabalhar e não voltou mais. Ele deixou quatro filhos. A dor que estou sentindo eu não desejo para ninguém”, disse.
A mãe afirmou que continua lembrando do filho todos os dias e espera que o julgamento resulte na responsabilização do réu. “Não tem um dia sequer em que eu não lembre do meu filho. Vim hoje por justiça. Que Deus faça com que ele vá para a cadeia e pague pelo que fez”, declarou.
Conselho de Sentença é formado
O Conselho de Sentença foi formado na manhã desta segunda-feira. Antes do prosseguimento da sessão, o juiz José Eduardo Nobre Carlos apresentou aos jurados um vídeo com explicações sobre o funcionamento do julgamento e os direitos e deveres dos participantes.
A sessão é conduzida pelo magistrado, titular da 8ª Vara Criminal da Capital. A acusação está a cargo do promotor de Justiça Thiago Riff, com a atuação dos assistentes Napoleão Ferreira Júnior e Wyllane Lessa.
Acidente ocorreu na contramão da Fernandes Lima
O caso aconteceu na manhã de 23 de julho de 2021, no bairro do Farol. Segundo o processo, Sérgio saiu de um posto de combustíveis e seguiu pela contramão da Avenida Fernandes Lima, em alta velocidade.
O carro atingiu frontalmente a motocicleta conduzida por Pedro Alves, que morreu no local antes de receber socorro.
Na sequência, o automóvel atingiu outra motocicleta, ocupada por José Cícero e Quitéria Gonçalves. Os dois foram encaminhados ao Hospital Geral do Estado (HGE), mas José Cícero não resistiu aos ferimentos. Quitéria sobreviveu e ficou com sequelas permanentes.
A denúncia do Ministério Público aponta que o réu foi filmado consumindo bebida alcoólica em uma festa horas antes do acidente. Ele também se recusou a fazer o teste do etilômetro. Policiais encontraram garrafas de cerveja vazias dentro do veículo e relataram sinais de embriaguez.
Em depoimento à Justiça, Sérgio afirmou ter ingerido pouca quantidade de álcool. Ele alegou que parou o carro para dormir antes de retomar o trajeto e que voltou a cochilar ao volante por acreditar que trafegava pela via correta.
