Dando continuidade ao top 5 dos filmes de comédia, incluo aqui, majoritariamente os filmes passados nos anos 80, em razão do apelo do quesito marcante no critério de seleção. Antes que esqueça, adotei como critério de exclusão não colocar mais de um filme do mesmo diretor. Senão teríamos Monty Python, Zucker e Mel Brooks repetidos ao menos uma vez. Vamos a lista. Aproveitando, por fim, acresço um requisito essencial: precisa ser engraçado o filme, por mais paradoxal que seja esta afirmação.
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05 – Auto da Compadecida – 2000 – Guel Arraes – Apesar de não ser muito fã do cinema nacional produzido desde meados dos anos 80. Prefiro, de longe, os filmes realizados nos anos 60 e 70. Nesta década sou fã de carteirinha das adaptações do maior dramaturgo brasileiro – Nelson Rodrigues. Só para citar alguns: “Toda Nudez Será Castigada”, “Bonitinha, mas Ordinária”, “Os Sete Gatinhos”, e tantos mais. Voltando ao filme, trata-se de uma obra prima sob todos os aspectos: Direção (sempre segura de Guel Arraes), Adaptação de roteiro do gênio Ariano Suassuna, Elenco (todos estão muito bem, sobretudo Matheus Naschtergale e Selton Melo). Uma ode ao cordel e ao jeito nordestino de encarar a vida, onde podemos sentir toda brasilidade e identidade de nosso povo. Engraçado, bem feito e autoral. Assistam, sem restrição.

04 – Picardias Estudantis – 1982 – Amy Heckerling – Se há um filme de comédia que marcou os anos 80, foi este aqui. Atração quase que constante da Sessão da Tarde da Rede Globo, fez a alegria de muitos jovens e adolescentes da minha geração. Um “Teen Movie”, feito com todos os estereótipos e exageros dos anos 80, marcou uma época. Um “Sean Pean” (já demonstrando talento) engraçadíssimo e caricato, como um surfista alienado, contrapondo com um professor que o persegue sem dar tréguas, rendendo várias situações cômicas. Temos ainda “Jennifer Jason Leigh”, “Judge Reinhold”, o personagem mais marcante do filme: “Mark Ramone”. Mas não tem como se esquecer da atriz “Phoebe Cates”, e sua icônica cena da piscina, homenageada pelo personagem de Judge Reinhold...Leve, divertido e marcante. Quem disse que Sessão da Tarde não pode ser nota dez? Detalhe, o roteirista foi “Cameron Crowe”. Pois é, o cara já era bom desde cedo.

03 – Harry e Sally – Feitos Um Para o Outro - 1989 – Rob Reiner – Muito embora não curta muito as “comédias românticas”, apesar de todo acerto do ponto de vista financeiro. O gênero existe desde os anos 40 e sempre funcionou. Eu acho saturado, até o Brasil desde o final dos anos 90 e início dos 2000, adotou o tema. Mas, em que pese tudo isso, o filme é simplesmente genial. Harry vivido pelo sempre em forma, Billy Cristal é sensacional, assim como a invariavelmente competente e carismática, Sally, interpretada por Meg Ryan. Uma direção primorosa do saudoso Reiner, que já havia brilhado com a deliciosa comédia “Spinal Tap” e o maravilhoso “Fica Comigo”, desta vez traz uma comédia romântica original e cômica. A clássica cena de Meg Ryan simulando um orgasmo num restaurante é dessas de pagar o ingresso do filme de tão perfeita (a cara de Billy Cristal e o comentário da mulher ao lado coroam a cena de forma magistral). A química presente do casal e a máxima: não importa o que aconteça, eles vão terminar juntos nos faz torcer pelos dois desde o início até o fim, por mais improvável que posso parecer no decorrer do filme. Mais uma Sessão da Tarde genial. Aliás, comédia boa não precisa viajar muito.

02 – A vida de Brian – 1979 – Terry Gilan – O que Mel Brooks é para o cinema norte americano, o grupo Monty Python é para o inglês. Um nível sutil de humor, muitas vezes ignorado pelo grande público, mas que para mim é genial. Mas não tenham dúvidas, muito do que se fez depois deles, bebeu da fonte. Dá pra vê-los em Adam Mackay, Zucker; até em obras tupiniquins como Tv Pirata. A história parte de uma premissa genial: um bebê comum é confundido com Jesus e daí em diante uma sequencia de várias situações do cara se urinar de rir, como por exemplo, um grupo de mulheres que se fantasiam de homens (colocando barba) para poderem ter direito de apedrejarem uma mulher adúltera, falseando as vozes. Genial. A falta, muitas vezes de recursos é compensada pela criatividade e improviso da trupe. Assistam essa turma genial da comédia.

01 – Corra que a Polícia Vem Aí – 1988 – David Zucker – Adotei, como critério, não colocar o mesmo diretor mais de uma vez, o que me trouxe bastante dificuldade na hora de bater o martelo. Fiquei na dúvida: “Aperte o Cinto o Piloto Sumiu” e “Top Gang”. Mas escolhi este, em razão de Leslie Nilsen estar simplesmente perfeito no papel de Frank Drebin. Quem está acostumado com os filmes dos irmãos Zucker e Jim Abrahms, percebe que o ritmo de comédia é do início ao fim, sem deixar os espectadores conseguirem sequer respirar. Nesta película, tudo é cômico: abertura, com uma tirada de Drebin desbancando vários ditadores, créditos, com direito a um carro policial que percorre os mais variados e improváveis lugares; quem é fã de comédia que faça rir, vai adorar. Lembro que assisti ao filme no cinema e sai com dor de barriga de tanto rir. Parece até piada, mas hoje em dia está difícil fazer isso. Uma obra prima da comédia que de tanto sucesso rendeu ainda duas continuações e um reboot, de gosto duvidoso (vá lá encare como homenagem) com Liam Neeson no papel do policial atrapalhado.
Filmes que quase entram: A História do Mundo Parte I; Jovem Frankstein; Cálice Sagrado; Aperte os Cintos o Piloto Sumiu; Quero ser Grande; Curtindo a Vida Adoidado; Clube Dos Cafajestes; Superbad, Os Safados; e Eu, Eu mesmo e Irene.
GODOY COMÉDIA
