Muito já se falou sobre o filme e resolvi meter o bedelho também. Afinal de contas não só sempre admirei o maior astro do pop de todos os tempos, como pude ser testemunha ocular da sua explosão de popularidade mundial ocorrida nos anos 80.

                        Assisti ao filme acompanhado de minha esposa Thaisa e dos nossos dois filhos – Gabriel e Rafael (21 e 20 anos). No caso deles já havia apresentado o ícone, quando eram bem pequenos e eles já haviam se encantado bastante, sobretudo nas performances exibidas nos vídeos clipes da época. O mais novo, Rafael, já ensaiava alguns passos imitando o artista multifacetado.

                        Entrando no filme, preciso afirmo que todos os quatro adoraram a película do início ao fim, exercendo aquela atenção e fascínio tão comuns quando o ritmo se mantém acelerado em todo o período de exibição.

                        Difícil, foi depois quando meus rebentos passaram a assistir tudo relacionado a Michael Jackson praticamente todas as noites (acompanhados dos pais, lógico!), num ritual que continha clipes de todas as fases e evidentemente coreografias repetidas, com direito ao famoso monnwalk dos clipes e apresentações. Nesse quesito, o filme cumpre com maestria seu papel ao despertar e renovar fãs a enfileirar-se na admiração do gênio do entretenimento.

É preciso destacar os dois atores que desempenharam o papel de Michael, tanto na fase de criança (muito bom e carismático) quanto na mais adulta, onde escalaram o próprio sobrinho do fenômeno – Jaafar Jackson, este merece um capítulo a parte, dado a assustadora semelhança entre o personagem e a pessoa. Não somente nas partes em que está devidamente paramentado de Michael Jackson, mas principalmente na forma de andar, falar, jeito e maneirismos do astro. Aí é que a coisa realmente ficou espetacular. Dêem um Oscar ao garoto.

                        As cenas dos clipes de “Beat it” e “Thiller”, são de jogar o cara direto num túnel do tempo aos inícios dos anos 80. Só de escrever já estou arrepiado aqui. Impressionante! Precisão, técnica, naturalidade e reconstituição da locação, aliás foram filmadas nos locais originais. Com certeza, o rei do pop aprovaria sem titubear.

                        A produção foi muito competente e trouxe a atmosfera e ambientação do período que se passa o filme de forma magistral. Ela abrangeu mais ou menos 20 anos, de 1966 a 1987. Tudo isso foi comprimido em apenas duas horas de filme. Daí a sensação (na minha ótica, acertada) de ritmo acelerado e frenético do filme. Destaco ainda o vilão, o próprio pai do ídolo mundial, interpretado pelo ator Colman Domingo. Exercendo um contraponto dramático verossímil ao enredo. Por mais que tenham dito que se dourou a pílula, o fato é que quem assistiu, percebeu todos os abusos cometidos pelo genitor ambicioso e inescrupuloso que ele era.

 

                        Boa parte da crítica achou o filme chapa branca. Pode até ter sido. Mas acho que o pessoal anda ansioso demais e já queria muita polêmica e treta logo nesta fase. Calma galera. Até porque, o filme se passa num momento mais tranqüilo do astro.  Mas para quem quiser treta, o que mais tem é documentário e entrevistas ao longo da sua carreira tratando disso. E quero fazer um registro aqui. Sem adentrar em polêmicas, mas já entrando. Existe uma ruma de cantores astros (Madonna e Lady Gaga, por exemplo) que parecem ter um salvo conduto para fazer qualquer doidice, coisa errada e o escambau e nada acontece, já o Michael, sempre teve a mídia no seu pé o difamando e jogando contra, por mais que ele provasse o contrário.

                        Para não dizer que só foram flores, faço duas ressalvas ao filme, na qualidade de fã e de cinéfilo. A fase do encontro com o produtor Quincy Jones eu esperava um pouco mais do que seria mostrado dos dois, e a outra foi a ausência do processo criativo da música “We Are the World”. Neste último caso penso que pode ter sido questões financeiras de direitos autorais envolvidas. Mas nada capaz de comprometer o acerto que foi esse filme.

 

                        A sensação que eu tive dentro da sala de cinema foi a mesma que tinha, quando freqüentava o “Cine Godoi”, em Viçosa, assistindo algum filme de karatê, por exemplo, e já ficava doido para lutar igual ao “artista”, antes do filme terminar. Durante a exibição do filme Michael, deu vontade de dançar e cantar a plenos pulmões os maiores clássicos do maior artista do mundo de todos os tempos. Vamos ao cinema!!! Esse vale a pena.

GODOY MICHAEL