Hoje, 9 de setembro, o Brasil comemora o Dia do Médico-Veterinário, profissão que, nas últimas décadas, passou por profundas transformações e ampliou significativamente seu papel na sociedade. Durante muito tempo, para grande parte da população, a imagem do médico-veterinário esteve associada principalmente ao profissional que cuidava dos animais quando eles adoeciam. 

Hoje, essa atuação é muito mais ampla. A Medicina Veterinária tornou-se cada vez mais preventiva, especializada e integrada a diferentes áreas da saúde.

A médica-veterinária Paula Jackelinne, proprietária da clínica Animal Amigo, localizada na Jatiúca, em Maceió, explica que, na clínica de cães e gatos, por exemplo, o aumento da expectativa de vida dos animais trouxe novos desafios. 

Se antes o objetivo principal era tratar doenças, hoje buscamos também preveni-las, diagnosticá-las precocemente e proporcionar longevidade com qualidade de vida. Check-ups periódicos, acompanhamento nutricional, cuidados odontológicos, exames de imagem e laboratoriais e o crescimento das diversas especialidades veterinárias fazem parte dessa nova realidade.

Também mudou profundamente a relação das famílias com seus animais. Cães e gatos passaram a ocupar um espaço afetivo muito maior dentro dos lares e, consequentemente, os tutores estão mais atentos à prevenção, ao bem-estar, ao controle da dor e à qualidade de vida em todas as fases — do nascimento à velhice.

Ao mesmo tempo, os avanços tecnológicos vêm transformando a profissão. Novos métodos diagnósticos, tratamentos, equipamentos e até ferramentas de inteligência artificial oferecem recursos que não estavam disponíveis há alguns anos. A tecnologia, entretanto, não substitui o médico-veterinário. Pelo contrário: quanto mais recursos temos disponíveis, maior é a necessidade de conhecimento técnico para interpretá-los e utilizá-los de maneira responsável.

E existe uma dimensão da profissão que muitas vezes ainda é desconhecida pela população: o médico-veterinário não cuida apenas da saúde dos animais. Ele também exerce papel fundamental na saúde pública, na prevenção e no controle de zoonoses, na segurança dos alimentos, na vigilância sanitária e epidemiológica e na proteção ambiental.

É justamente daí que surge um conceito cada vez mais importante: a Saúde Única, que reconhece que a saúde humana, a saúde animal e a saúde do meio ambiente estão profundamente interligadas. Prevenir uma zoonose, orientar corretamente o uso de antibióticos, manter animais vacinados ou garantir a segurança de alimentos de origem animal são exemplos de situações em que a atuação veterinária ultrapassa o cuidado individual e beneficia toda a sociedade.

Por isso, talvez a maior transformação da Medicina Veterinária nos últimos anos não esteja apenas nos novos exames, equipamentos ou especialidades, mas na própria compreensão da dimensão dessa profissão.

O médico-veterinário de hoje cuida do animal individualmente, orienta e acolhe as famílias, atua na prevenção de doenças e contribui diretamente para a saúde coletiva.

Neste 9 de setembro, celebrar o Dia do Médico-Veterinário é também uma oportunidade de lembrar que cuidar da saúde animal é, de muitas maneiras, cuidar da saúde de todos nós.

Paula Jackelinne e o pai, médico-veterinário Paulo Bezerra Nunes