O câncer colorretal, historicamente mais associado a pessoas com idade avançada, tem sido diagnosticado com maior frequência em adultos jovens. O cenário chama a atenção dos especialistas e reforça a importância da prevenção, principalmente por meio de hábitos de vida saudáveis e da realização dos exames de rastreamento na idade recomendada.
Segundo o cirurgião e coloproctologista da Santa Casa de Maceió, Camilo Câmara, estudos internacionais mostram uma mudança importante no perfil dos pacientes. Na década de 1990, aproximadamente um em cada dez casos de câncer colorretal ocorria em pessoas com menos de 50 anos. Atualmente, essa proporção chega a quatro em cada dez.

“Realmente, a incidência do câncer colorretal tem aumentado muito. E, de uma maneira espantosa, a gente tem tratado isso como uma verdadeira epidemia”, afirma o especialista.
Entre os fatores relacionados a esse crescimento estão mudanças no estilo de vida e na alimentação. O consumo frequente de alimentos ultraprocessados, a redução da ingestão de frutas, fibras e verduras, o sedentarismo e o consumo de álcool estão entre os fatores apontados pelo médico. Alterações na microbiota intestinal também vêm sendo estudadas como parte desse processo.
Apesar do aumento dos casos, Camilo Câmara destaca uma característica importante do câncer colorretal: a possibilidade de prevenção antes mesmo do desenvolvimento do tumor. Isso ocorre porque essas neoplasias podem se desenvolver a partir de pólipos, pequenas lesões que podem ser identificadas e retiradas durante a colonoscopia, interrompendo o processo de transformação maligna.

A atenção aos sinais do organismo também é fundamental. Sangramento nas fezes, mudança persistente no formato das fezes, perda de peso sem explicação, anemia e indisposição estão entre os sintomas que devem levar à investigação médica. O especialista pondera, no entanto, que alguns desses sinais também aparecem em condições benignas, como hemorroidas e fissuras, e que um sintoma isolado não significa necessariamente a presença de câncer.
“Quando um paciente se apresenta com afilamento fecal, aquelas fezes achatadas, sangramento mais escuro e misturado às fezes, com coágulos, perda de peso, anemia e indisposição, são sinais de alerta de que alguma coisa não está bem sistemicamente”, explica Camilo Câmara.
Mudanças ocasionais no formato das fezes também podem ocorrer de acordo com a alimentação e o funcionamento intestinal. Segundo o coloproctologista, o que merece maior atenção é a persistência da alteração, principalmente quando acompanhada de outros sintomas.

Nesse contexto, a colonoscopia tem papel importante tanto no diagnóstico quanto na prevenção. O exame permite visualizar o interior do intestino grosso e identificar pequenas lesões, como os pólipos, que podem ser retiradas durante o próprio procedimento.
“Na medicina, poucos exames têm a capacidade de serem diagnósticos e terapêuticos. E a colonoscopia é um deles. Ela é capaz de detectar essas pequenas lesões chamadas pólipos e removê-las durante o próprio exame”, ressalta.
Para a realização da colonoscopia, é necessário fazer previamente o preparo intestinal, etapa fundamental para permitir a visualização adequada da região. O procedimento é realizado sob sedação ou anestesia e dura, em média, cerca de 20 minutos.
Com o aumento da incidência da doença entre pessoas mais jovens, a idade recomendada para o início do rastreamento também mudou. Atualmente, sociedades médicas recomendam a primeira colonoscopia de rastreio aos 45 anos para pessoas sem sintomas e sem fatores adicionais de risco. Quem possui histórico familiar de câncer colorretal ou condições predisponentes, como doenças inflamatórias intestinais crônicas, pode precisar iniciar a investigação mais cedo, de acordo com avaliação médica.
O diagnóstico precoce tem impacto direto nas possibilidades de tratamento. De acordo com Camilo Câmara, quando uma lesão cancerígena é identificada em estágio inicial, as taxas de cura ficam em torno de 90%. Quando a colonoscopia encontra apenas o pólipo e ele é retirado antes da transformação maligna, a chance de cura é próxima de 100%.
Para o especialista, a prevenção deve combinar acompanhamento médico e mudanças na rotina. Praticar atividade física, manter uma boa ingestão de água e aumentar o consumo de alimentos naturais são medidas que ajudam a reduzir os fatores de risco.
“Temos que começar a cair na real, adotar hábitos de vida saudáveis, praticar atividade física, ter uma boa ingestão hídrica, mudar nosso padrão de alimentação e realizar os exames no momento adequado. Assim, a gente consegue promover a nossa proteção”, reforça Camilo Câmara.
