Celebrado em 22 de julho, o Dia Mundial do Cérebro chama a atenção para a importância da prevenção e dos cuidados contínuos com a saúde cerebral. Embora muitas pessoas associam o funcionamento do cérebro apenas a doenças neurológicas ou ao envelhecimento, fatores relacionados ao estilo de vida exercem influência direta sobre a capacidade de concentração, memória, disposição e desempenho cognitivo.
Alimentação inadequada, sedentarismo, sono insuficiente, obesidade, estresse e alterações da microbiota intestinal favorecem um estado conhecido como inflamação crônica de baixo grau. Diferentemente de uma inflamação aguda, que faz parte da resposta natural do organismo, esse processo é silencioso, persistente e pode comprometer diversos sistemas do corpo, incluindo o cérebro.
A médica nutróloga Eline Soriano explica que esse quadro inflamatório está associado à piora do funcionamento cerebral e pode contribuir para sintomas frequentemente atribuídos apenas ao excesso de trabalho ou à rotina acelerada.
"Esquecimentos frequentes, dificuldade de concentração, sensação constante de cansaço e queda no rendimento mental nem sempre são apenas consequência do estresse. Em muitos casos, existe um processo inflamatório associado ao estilo de vida que interfere diretamente no funcionamento do cérebro", afirma.
Segundo a especialista, a saúde cerebral depende de um organismo metabolicamente equilibrado. Alterações na alimentação, resistência à insulina, excesso de gordura corporal, privação do sono e desequilíbrios da microbiota intestinal favorecem a produção de substâncias inflamatórias capazes de afetar a comunicação entre os neurônios e comprometer funções cognitivas.
Nutrologia também atua na prevenção - Embora seja frequentemente relacionada ao emagrecimento, a nutrologia tem papel importante na promoção da saúde cerebral. A especialidade busca identificar fatores metabólicos, nutricionais e inflamatórios que podem impactar o organismo antes mesmo do surgimento de doenças.
"A nutrologia avalia o paciente de forma integrada. Muitas vezes conseguimos identificar deficiências nutricionais, alterações metabólicas e hábitos que favorecem a inflamação crônica. A partir desse diagnóstico, é possível orientar mudanças capazes de beneficiar não apenas o metabolismo, mas também a saúde do cérebro", explica Eline.
A médica destaca que a adoção de hábitos saudáveis representa uma das principais estratégias para reduzir processos inflamatórios e preservar as funções cognitivas ao longo da vida.
Entre as recomendações estão manter uma alimentação equilibrada, rica em alimentos in natura, praticar atividade física regularmente, dormir adequadamente, controlar o peso corporal, reduzir o estresse e cuidar da saúde intestinal.
"O cérebro responde diretamente ao modo como cuidamos do nosso corpo. Alimentação de qualidade, sono reparador, prática de exercícios físicos e equilíbrio da microbiota intestinal contribuem para reduzir a inflamação e preservar funções como memória, atenção e raciocínio", reforça a nutróloga.
No Dia Mundial do Cérebro, a especialista ressalta que cuidar da saúde cerebral vai muito além da prevenção de doenças neurológicas. Segundo ela, investir em hábitos saudáveis é uma forma de proteger a qualidade de vida, o desempenho cognitivo e o bem-estar em todas as fases da vida.
