O mês de julho é marcado pela campanha Julho Verde, uma mobilização nacional voltada para a conscientização e prevenção do câncer de boca e de cabeça e pescoço. Para entender a relevância desse movimento, os desafios do tratamento e a importância do diagnóstico precoce, conversamos com dois grandes especialistas da área em Alagoas:
- Dra. Sonia Maria Soares Ferreira Bastos: Graduada em Odontologia pela UFAL, especialista em Estomatologia (UFRJ) e professora da graduação e do Mestrado Profissional em Pesquisa em Saúde do Centro Universitário Cesmac.
- Dr. Matheus Henrique: Graduado em Odontologia pelo Cesmac, professor da graduação e do Mestrado no Cesmac, e cirurgião-dentista especialista em Estomatologia nos municípios de São Miguel dos Campos e Rio Largo.
A Força do Julho Verde e a Prevenção
A campanha é um chamado urgente para que a população olhe com mais atenção para a própria saúde. Os especialistas destacam que os principais fatores de risco para o câncer de boca continuam sendo o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, além da infecção pelo vírus HPV (relacionada ao câncer de orofaringe). Evitar esses hábitos e manter uma boa higiene bucal são os pilares da prevenção.
Sinais de Alerta e o Autoexame
Saber identificar os sinais precoces salva vidas. A população deve ficar atenta a:
- Feridas na boca ou lábios que não cicatrizam em até 15 dias;
- Manchas vermelhas ou esbranquiçadas na língua, gengiva ou bochechas;
- Nódulos no pescoço;
- Rouquidão persistente ou dificuldade para engolir.
Uma das ferramentas mais simples de prevenção é o autoexame da boca, que deve ser feito mensalmente diante do espelho, observando e apalpando lábios, língua, bochechas e o céu da boca.
O Fator Tempo: Diagnóstico e a "Lei dos 60 Dias"
Um dos pontos mais críticos abordados na entrevista foi o impacto do tempo no tratamento. O diagnóstico precoce não apenas eleva as chances de cura para mais de 90%, mas também reduz drasticamente as sequelas das cirurgias e da radioterapia.
Quando o diagnóstico atrasa, as consequências para o paciente são severas. Nesse cenário, a legislação brasileira conta com a Lei dos 60 Dias, que determina que o paciente do SUS deve iniciar o tratamento em até dois meses após o diagnóstico. No entanto, os especialistas apontam que o cumprimento dessa lei ainda enfrenta gargalos na rede pública, como a burocracia no fluxo de regulação e a necessidade de descentralizar os serviços de alta complexidade.
Rede de Apoio e o Papel do SUS
O cirurgião-dentista e o médico clínico da atenção básica são os primeiros profissionais a identificar lesões suspeitas. Pelo SUS, a população pode buscar as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e os Centros de Especialidades Odontológicas (CEO) para avaliação. Além disso, entidades como a Associação Brasileira de Câncer de Cabeça e Pescoço (ACBG) desempenham um papel fundamental no acolhimento de pacientes e na cobrança de políticas públicas mais ágeis.
Mensagem do Julho Verde: O câncer de boca tem cura, mas o tempo é o fator decisivo. Não negligencie pequenas alterações. Ao notar qualquer ferida que não cicatriza ou mancha persistente, procure imediatamente um profissional de saúde. Cuidar de você é o primeiro passo para o futuro.
Confira o vídeo abaixo: