Pela primeira vez, hoje, é a internet a protagonista da exibição de uma Copa do Mundo no país, e não mais a TV aberta. A sensação foi confirmada por meio de pesquisa realizada neste mês de junho, mostrando que o consumo de conteúdo esportivo no Brasil já é majoritariamente digital.
Segundo o levantamento, 73% dos brasileiros acompanham eventos esportivos por meio de plataformas de vídeo, streaming e redes sociais, contra 33% que acompanham pela TV aberta.
Os dados são da pesquisa da TIM Ads, que ouviu 30 mil brasileiros. Conforme o levantamento, há uma preferência por plataformas de vídeo — com destaque para o YouTube (30%) —, redes sociais (27%) e streaming (16%). Já a TV por assinatura representa 22% do consumo.
A migração para o digital é puxada principalmente pelos mais jovens: 65% dos entrevistados têm até 34 anos.
O exemplo mais evidente dessa mudança é a plataforma online CazéTV, que assumiu o protagonismo na cobertura da Copa do Mundo, sendo a única exibidora brasileira com direitos para transmitir os 104 jogos do campeonato, desbancando a TV aberta, com transmissão gratuita pelo YouTube.
Delay como único impedimento
Para o servidor público João Carlos, apaixonado por futebol desde a infância, acompanhar as partidas pelo Youtube já é uma rotina, menos agora, na Copa do Mundo, segundo ele, por uma só razão: o delay.
"Os jogos da Copa, especificamente, eu estou assistindo em TV aberta, por causa do delay. Esse é o único motivo, porque os jogos de streaming pelo YouTube, eu prefiro as transmissões, os narradores são melhores, os comentaristas são melhores, é outra dinâmica, um pessoal que está mais antenado com o que as pessoas gostam hoje em dia, querem ver e ouvir. É diferente da TV aberta, que ainda está engessada, ainda usa aquele modelo mais antigo... então o único motivo de estar assistindo a Copa, especificamente, pela TV aberta, é por conta do delay, porque ninguém merece estar assistindo um jogo e a vizinhança começar a gritar gol 10, 12 segundos antes, dependendo da transmissão", explicou.
João Carlos prosseguiu dizendo que já assiste a outros campeonatos e jogos amistosos majoritariamente pelo streaming, especificamente pelo Youtube, também porque alguns desses campeonatos não são mais exibidos na TV aberta.
"Não tem comparação. O nível de transmissão, de narração, de comentarista, as entrevistas pós-jogo... Hoje, o streaming e a internet são bem melhores que a TV aberta", concluiu o torcedor, seguro do veredicto.

Busca por cobertura completa
Fernando Flores e seu filho, Gabriel Flores, estão acompanhando a Copa do Mundo de 2026 pelo YouTube. "Sempre assistimos aos jogos de futebol juntos, e a Copa sempre foi um momento de lazer que compartilhamos. Este ano, optamos por acompanhar o torneio pela plataforma digital, e a experiência tem sido muito positiva, embora a gente lamente um pouco o delay na transmissão em relação à TV tradicional", explica Fernando.
A escolha foi motivada pela busca por uma cobertura completa. No YouTube, o acesso estende-se a todos os jogos da competição, ao vivo e na íntegra, permitindo assistir ao conteúdo de forma direta, sem a dependência de grades de programação engessadas.
A qualidade do conteúdo também surpreendeu positivamente. Para pai e filho, os comentaristas da plataforma trazem análises inteligentes e bem fundamentadas, oferecendo uma dinâmica excelente para quem gosta de acompanhar o esporte de perto. Com uma transmissão tão completa, o YouTube acabou se tornando a escolha principal de ambos para o torneio.
Natural da Argentina, Fernando é carinhosamente chamado de "Argentino" pelos colegas aqui em Maceió. Esse amor pelas raízes não ficou no passado: o filho, Gabriel, herdou a mesma paixão do pai pelo país vizinho.
A sintonia se confirma na hora do jogo. Uniformizados com a camisa da seleção argentina, pai e filho deixam claro que a torcida nesta Copa do Mundo tem cores bem definidas, uma tradição familiar que se mantém em solo alagoano.

