O empresário alagoano Alan Cavalcante do Nascimento, apontado como controlador de um grupo de mais de 60 mineradoras, foi preso preventivamente pela Polícia Federal nesta quinta-feira (18). 

Ele e a esposa, Tayná Vitória Cerqueira Gouveia, são acusados de contratar uma estrutura clandestina de espionagem privada para monitorar, coagir e tentar subornar magistrados federais e estaduais, além de testemunhas ligadas aos processos que investigam o esquema bilionário de mineração ilegal na Serra do Curral, em Minas Gerais.

As informações do Estado de Minas dão conta que a prisão ocorreu no âmbito das operações Rejeito II e Contrassabotagem, deflagradas pela PF com o cumprimento de seis mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte e Ibirité (MG). 

De acordo com a investigação federal, o grupo utilizava agências de investigação particular para realizar a quebra de sigilo, levantamento de dados fiscais, rastreamento físico de familiares e tentativas de cooptação de dois juízes federais responsáveis por julgar as ações penais e cíveis de interesse da organização criminosa.

Os dados colhidos em aplicativos de mensagens indicam que a rede criminosa obteve relatórios detalhados com informações sigilosas dos magistrados, incluindo dados de imposto de renda, telefones, e-mails e até o histórico residencial de parentes como pais, irmãos e tios. 

Além do monitoramento de autoridades, a estrutura paralela foi usada para vigiar de forma contínua e instalar rastreadores no veículo de testemunhas, incluindo a ex-esposa do empresário alagoano, que havia prestado depoimento incriminador à PF.

A Justiça Federal determinou, simultaneamente, a suspensão da atividade econômica das empresas de fachada utilizadas para operacionalizar as investigações ilícitas. 

Alan Cavalcante já havia sido preso na primeira fase da Operação Rejeito, em setembro de 2025, sob a acusação de liderar o esquema que movimentou mais de R$ 1,5 bilhão por meio de extração mineral predatória e fraudes documentais em áreas tombadas, mas respondia em liberdade desde dezembro por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

A análise dos celulares apreendidos com o empresário fundamentou as novas ordens de prisão preventiva emitidas pela 3ª Vara Federal Criminal de Belo Horizonte, após o STF devolver a competência do caso para a primeira instância. 

O investigado e os demais envolvidos no núcleo operacional da rede de espionagem permanecem à disposição do Poder Judiciário.