Dani , 17  anos, estudante de Guia de Turismo, é como o adolescente é chamado pelo povo da escola. Uma forma carinhosa, para falar de afetos.

É um menino muito carismático, com espírito natural de liderança. Movimenta conversas e elabora movimentos importantes, tipo modo-revolução..

Um dinâmico representante de turma, que representa mesmo.

Lembram dos vídeos, que ocuparam as redes sociais,  cobrando providências para a escola?

Pois, é!

Nesta terça-feira, 27 de maio, Dani enviou  um texto, muito bem escrito ,sobre a criação do Coletivo Municipal Jovem  Almerinda Farias Gama, durante a realização do Diálogos Afro Pedagógicos, que aconteceu, no de 25 de maio, Dia da África, na   Escola Estadual Rosa Maria da Fonseca, no município de Marechal Deodoro, Alagoas, sob a direção de Wanessa Vieira e Luís Carlos.

 E Dani escreve: ‘A ideia do Coletivo Almerinda Farias Gama vem de uma constatação simples: a escola não é neutra. Dentro dela, o racismo circula em piada, em currículo, em silêncios, e ausências. E contra isso não basta esperar que mude sozinho. Muda quando a gente se junta, fala alto e constrói outra referência. O coletivo pega o nome de Almerinda Farias Gama porque ela fez o que a gente quer fazer: ocupou espaços que não foram feitos pra gente e usou a palavra como ferramenta de luta. Advogada, jornalista e militante negra do início do século XX, Almerinda denunciou o racismo e a exclusão das mulheres no trabalho e na política quando quase ninguém falava disso publicamente. A gente resgata essa memória pra lembrar que resistência no ambiente escolar não começou hoje.

O coletivo se propõe a ser: Um espaço de resistência cotidiana:

Aqui a gente nomeia o que acontece na escola: Piada racista no corredor, conteúdo de história que apaga a presença negra, tratamento desigual na sala de aula. Não é pra varrer pra baixo do tapete nem pra aceitar como "coisa de criança". É pra dizer: isso tem nome, tem história, e não vai passar batido.

Não existe enfrentamento sem conversa. O coletivo vai organizar rodas, debates, exibições, encontros com professores, estudantes, famílias e quem mais quiser entrar. A ideia é estudar, ler autoras e autores negros, entender como o racismo se estrutura e pensar junto saídas práticas pro dia a dia da escola.’- diz, o menino.

A escrita do Dani é  bem legal, não é mesmo?

Antes de  encerrar a conversa, aproveita e manda recadinho para esta ativista:A senhora pode contar comigo para o que precisar, viu?!

Sim, Dani o projeto do Coletivo Municipal Jovem  Almerinda Farias Gama vai  precisar, demais, de você e de muito mais gente.

E por falar nosso. Sabe a Lei nº10.639/03?

Ninguém nem mais fala.

‘Simbora’, menino!