A Diretora Wanessa Vieira, da Escola Estadual Rosa Maria Paulino da Fonseca , em Marechal Deodoro escreve sobre os Diálogos Afro Pedagógicos:

"Na última segunda-feira, 25 de maio, o auditório da Escola Estadual Rosa Maria Paulino da Fonseca deixou de ser apenas um espaço de cadeiras enfileiradas e paredes institucionais. Tornou-se terreiro de memória, sala de aula invertida, trincheira de resistência. Realizamos, em parceria com o Instituto Raízes de África e sob a liderança potente da ativista negra Arísia Barros, o nosso Dia das Africanidades — e, com ele, tiramos do chão do esquecimento o nome de uma alagoana que a história oficial jamais quis que a gente pronunciasse: Almerinda Farias Gama.

Ela foi sufocada. Calaram sua voz, apagaram seus passos, negaram seu protagonismo. Mas Almerinda não estava ausente na segunda-feira. Ela ocupou cada fala, cada turbante, cada árvore plantada. Porque a potência de um evento como esse não está na formalidade ou na mera celebração folclórica — está na coragem de dizer não ao silenciamento estrutural que atravessa gerações de mulheres negras neste país, especialmente nas periferias e nos estados nordestinos como o nosso Alagoas.

Foi um evento lúcido porque não romantizou a dor. Foi crítico porque não aceitou migalhas de representação. Foi potente porque juntou gestores, coordenação, professores e, acima de tudo, alunos que debateram com qualidade rara diante das provocações certeiras da professora de filosofia Laeuza e da jornalista Mica Pereira. Não houve plateia passiva. Houve olhos vidrados, perguntas incisivas, incômodo fértil. E isso, sim, é fazer escola.

Agradecemos com o coração atravessado à professora Josenilda, que com empenho inegociável construiu a estética do espaço e conduziu o desfile Afro — não como um momento decorativo, mas como um ato político de reexistência estética. Agradecemos a Arisia Barros, que com sua condução generosa e precisa das dinâmicas nos ensinou que compartilhar saber é também cuidar do olhar do outro. E que momento foi a cerimônia do plantio do Baobá: árvore ancestral que agora tem raízes no Rosa Maria, tão profundas quanto as memórias que insistimos em enterrar para que floresçam.

Que nossa escola continue ativa no desejo de mudar as coisas!!!"

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