Os Diálogos Afro-Pedagógicos aconteceram nesse dia 25 de maio, na Escola Estadual Rosa Maria Paulino da Fonseca, em Marechal Deodoro.
Estar ao lado de meninos e meninas expectantes, curiosos, que levam a palavra à boca para dizer de caminhos foi uma experiência sensível e encantadora.
Esta ativista, Arísia Barros, coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas, uma mulher velha, (uma velhice sem alcunhas depreciativas, com a força das revoluções),encantou-se com adolescentes que sentaram ao lado, em um diálogo cheio de argumentos e contra-argumentos.
Alguns traziam a trava do racismo guardada, como memória do escravismo.
Tipo críticas contra as cotas, etc-e-tal..
Quando foi que a senhora percebeu que sua voz tem poder? perguntou o menino.
E eu, sentada no batente do auditório da Escola Estadual Rosa Maria Paulino da Fonseca presenciei o movimento das histórias circulando, conceituando gerações, criando trilhas de respostas.
Havia afeto coletivo ali.
A jornalista, Mica Pereira falou sobre Almerinda Farias Gama.
Quão bom, mesmo com pontes extensas, entre as idades, os adolescentes se aproximaram escutando a palavra virar verbo, reconhecendo respeitosamente, o ativismo nosso.
Ao reconhecerem esta ativista, Arísia Barros, como aliada, validaram as possibilidades da construção social, no despertar das consciências, reexistir e falar em liberdades.
E nasceu a narrativa importante de construção do Coletivo Municipal Almerinda Farias Gama.
-Ô, tia e só participam as meninas? E nós os homens?
E, nem deu tempo de acontecer a guerra entre os sexos, porque o espaço se fez berço de oportunidades para práticas positivas, acúmulo, partilha de conhecimentos, acolher as multiplicidades das vozes, questões, quebrando padrões.
Foi uma experiência tão boa, singular dialogar com o alunado da Escola Estadual Rosa Maria Paulino da Fonseca, saberes transmitidos entre gerações, que as horas vestiram calças curtas e evaporaram.
Pluft!
-Vamos encerrar, Arísia, precisamos plantar o Baobá.- disseram, em uníssono, Luís Carlos e Wanessa Vieira, a direção da Escola Estadual Rosa Maria Paulino da Fonseca, apressando os segundos do relógio.
Já!- pensamos nós, querendo que o tempo virasse elástico, de tanto que a conversa estava boa.
-Tia, a senhora é babado!- falou o estudante..
-Obrigada.- disse eu.
E o menino nem escutou, que por dentro, havia um coro de risadas, altas, gargalhadas satisfeitas.
Plantamos o Baobá, em uma terreno enorme, na Escola, onde a Árvore Sagrada há de reinar majestosa.
Expurgando alguns navios negreiros esperançamos novas e tantas existências/vivências antirracistas, feministas, não homofóbicas.
A ação, iniciativa do Instituto Raízes de Áfricas, contou com o apoio da Secretaria de Estado da Mulher, Secretaria Municipal de Comunicação de Maceió, Deputado Paulão e Jó Pereira.
E o menino Richard, fechou com chave de ouro:- Hoje foi épico!
25 de maio é Dia de África!.
Salve!
