O grupo de oposição ao governo de Alagoas quer definir as chapas completas de governador e vice, senadores e suplentes, deputado estadual e federal antes do início da Copa do Mundo.
Esse é, nos bastidores, o prazo que o prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa, terá para definir em qual das “três canoas” pretende seguir nas eleições de 2026.
Filiado ao MDB, Luciano apoia a reeleição do senador Renan Calheiros. Mas surpreendeu o meio político ao subir, neste fim de semana, no palanque de Renan Filho - pré-candidato ao governo que não apoiava, e tido como adversário político.
Antes, o prefeito fez movimentos que aproximaram sua família política do grupo de JHC (PSDB), pré-candidato ao governo. Lucas Barbosa ingressou no PSDB para concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa.
Esse alinhamento de apoio a pré-candidatura de JHC a governador rendeu espaço político na gestão de Maceió, com influência total sobre a Secretaria de Ação Social.
Já o deputado federal Daniel Barbosa foi filiado ao PP do deputado federal Arthur Lira para disputar a reeleição à Câmara Federal.
Mas, segundo interlocutores do MDB, a conhecida habilidade política de Luciano pode ter criado uma fragilidade: a tentativa de manter equilíbrio simultâneo entre grupos adversários.
A avaliação é que seus dois filhos dependem das composições para consolidar as candidaturas nas convenções. Sem entendimento com JHC, por exemplo, Lucas Barbosa teria dificuldades de ser candidato no PSDB.
Por outro lado, se houver uma composição entre JHC e Arthur Lira sem participação efetiva e integral de Luciano, o espaço de Daniel Barbosa também poderia ser afetado.
Embora o mandato dê a Daniel Barbosa garantias para disputar a reeleição, interlocutores observam que poderiam surgir questionamentos jurídicos e partidários em torno de apoios e eventual infidelidade, numa tentativa de dificultar ou até impedir sua candidatura.
Em política, às vezes, excesso de cálculo também cobra preço e sabedoria demais engole o dono.
