Fiquei sem acreditar quando ouvi de três experientes dirigentes partidários os custos surreais da campanha eleitoral já em curso em Alagoas.

A histórica disputa milionária do empresário João Lyra ao governo do Estado, em 2006, parece baratinha em comparação com a deste ano.

Um suplente de vereador em Maceió capaz de entregar mais de 250 votos e garantir o chamado direito de preferência para apoio poderá receber algo em torno de R$ 300 mil, sem contar despesas.

Ainda na capital, 3 mil votos valeriam aproximadamente R$ 1 milhão. Uma campanha competitiva para deputado estadual deve girar em torno de R$ 30 milhões.

A disputa para deputado federal poderia alcançar R$ 50 milhões - talvez com algum desconto para quem já exerce mandato e pavimentou o caminho com emendas secretas, emendas pix, emendas de bancada, obras, tratores, enfim.

Para o Senado, a conta chegaria a R$ 500 milhões. Já uma campanha ao governo do Estado poderia atingir estratosféricos R$ 800 milhões. Os interlocutores ressaltam que esses valores envolveriam recursos próprios, públicos, privados, contabilizados ou não.

O fundo eleitoral, por exemplo, soma R$ 4,9 bilhões. O fundo partidário ultrapassa R$ 1,4 bilhão. Já o orçamento reservado às emendas parlamentares de deputados e senadores alcança R$ 61 bilhões, sendo R$ 37 bilhões de execução obrigatória.

Nesse contexto, a ação promovida pelo senador Renan Calheiros e pelo governador Paulo Dantas, em Rio Largo, este mês - quando distribuíram 50 PIX de R$ 200 para mulheres como presente - pareceria irrelevante.

Os números assustam e são difíceis de acreditar. Talvez isso também ajude a explicar por que os orçamentos de municípios, estados e da União se tornaram peça central da disputa política.