Mesmo com a redução dos homicídios registrada no Brasil em 2024, Alagoas continua entre os estados com os maiores índices de violência letal do país. Os dados fazem parte do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Segundo o levantamento, Alagoas aparece como o quarto estado mais violento do Brasil, com taxa de 35,9 homicídios por 100 mil habitantes, índice bem acima da média nacional, que ficou em 20,1 mortes por 100 mil habitantes. Apenas Amapá, Bahia e Pernambuco registraram números superiores aos de Alagoas.

País registra menor taxa de homicídios da série histórica

O Atlas mostra que o Brasil contabilizou oficialmente 42.590 homicídios em 2024, o menor número desde o início da série histórica, em 2014. A redução nacional foi de 7,4% em comparação com 2023.

Apesar da queda, os pesquisadores alertam para um aumento considerado preocupante nas chamadas Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI), quando não é possível identificar oficialmente a causa do óbito. O relatório aponta que isso pode esconder parte dos homicídios e comprometer a real dimensão da violência no país.

Nordeste concentra cidades mais violentas

O estudo também chama atenção para a concentração da violência na região Nordeste. Das 20 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes consideradas mais violentas, 17 estão no Nordeste. Já os municípios menos violentos estão concentrados exclusivamente nas regiões Sul e Sudeste.

De acordo com os pesquisadores, fatores como desigualdade social, presença do crime organizado, conflitos territoriais e fragilidade da estrutura de segurança pública ajudam a explicar os índices elevados registrados em estados nordestinos.

Sensação de insegurança continua alta

Embora os números oficiais indiquem redução dos homicídios, o Atlas destaca que a sensação de insegurança entre os brasileiros segue elevada. O relatório relaciona esse cenário ao crescimento dos crimes virtuais, à expansão das facções criminosas e à maior presença do tema da violência no debate público e nas redes sociais.

Outro ponto destacado pelo estudo é o aumento das mortes no trânsito, especialmente envolvendo motocicletas, realidade que também afeta estados do Nordeste, onde o uso da moto cresceu como ferramenta de trabalho e renda.

 

*Foto: Reprodução/ Divulgação