Tem chamado a atenção do entorno - e até dos seus colegas em Brasília - o comportamento do senador Renan Calheiros nos últimos dias.
Claro: ele está sob intensa pressão, em decorrência das eleições deste ano, quando ele tenta – e com grandes chances de sucesso – mais um mandato de senador.
Assim, é o que parece, o presidente do MDB de Alagoas tem feito e dito coisas que não lhe seriam comuns em outro momento histórico (só comparáveis agora ao episódio com a jornalista Dora Kramer).
Inicialmente, a distribuição de Pix feita por ele e pelo governador Paulo Dantas, em Rio Largo, no Dia das Mães.
Em outro instante, imagina-se, Calheiros não participaria de algo tão deplorável na atividade política, principalmente em um ano eleitoral (dar grana ao eleitor).
Na terça-feira, em uma mesma sessão da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, ele bateu boca com a senadora Leila Barros, do PDT do DF, que tentava explicar a ele algo que era cristalino para qualquer pessoa – e Calheiros é uma pessoa inteligente.
Foi necessária a intervenção de outros senadores para “acalmar” Calheiros.
Não parou por aí: ele também bateu boca com o presidente do Banco Central, que negou que tivesse dito o que Calheiros acusava.
A fala de Gabriel Galípolo, interrompida pelo emedebista de forma permanente e contundente, tem um arremate bastante irônico:
- O Banco Central não é palanque. O Banco Central toma a decisão correta, independente de quem está jogando pedra e fazendo barulho.
Imagina-se que a turma do “deixa disso” local vai intervir para tentar acalmar os ânimos. Até a eleição, eis o busílis, o caminho ainda parece longo demais.
O embate dele com Lira é de chamar “polícia e médico”, como na canção de Chico Buarque, apesar de lembrar mesmo um samba famoso de Zeca Pagodinho.
