O julgamento de Leandro Pinheiro Barros, acusado de matar a esposa Mônica Gomes Cavalcante Alves, de 26 anos, foi suspenso e não deve mais acontecer, por enquanto, em Arapiraca. O Tribunal do Júri, que estava marcado para o dia 18 de agosto, foi retirado da pauta após a defesa do réu apresentar um recurso de apelação no processo.

A decisão foi publicada no Diário da Justiça Eletrônico desta quinta-feira (21) e é assinada pelo juiz Rômulo Vasconcelos de Albuquerque, da 5ª Vara Criminal de Arapiraca.

Segundo o magistrado, a transferência do julgamento para Arapiraca ocorreu apenas para a realização da sessão do júri popular, devido à grande repercussão do caso. Com isso, questões processuais, como o recurso apresentado pela defesa, devem ser analisadas pela Vara do Único Ofício de São José da Tapera, comarca onde o crime aconteceu e onde o processo teve início.

Na decisão, o juiz destacou que a 5ª Vara Criminal não possui competência para analisar outros pedidos relacionados ao caso além da realização do júri.

Com a apresentação do recurso, o processo deixará temporariamente Arapiraca e retornará para São José da Tapera até que a nova etapa seja analisada pela Justiça. Após isso, o caso poderá voltar à fase de organização do julgamento.

O júri popular, inicialmente previsto para agosto, foi cancelado.

O caso

O feminicídio de Mônica Gomes Cavalcante Alves aconteceu em junho de 2023 e teve grande repercussão em Alagoas.

A jovem, de 26 anos, foi morta a tiros em via pública e teve o corpo abandonado em frente ao fórum de São José da Tapera. Antes do crime, Mônica gravou um vídeo relatando viver um relacionamento abusivo, marcado por agressões físicas e psicológicas.

Nas imagens, ela aparece caminhando sozinha e afirmando que estava tentando se esconder do companheiro. Em um dos trechos, disse que, caso aparecesse morta, o responsável seria o marido.

De acordo com as investigações, Mônica e Leandro haviam participado de uma festa no dia do crime. Após uma discussão, ele teria ido até a residência do casal, buscado uma arma de fogo e retornado para atirar contra a esposa.

Depois do feminicídio, o acusado fugiu do país e ficou foragido por cerca de dez meses. Ele foi localizado posteriormente em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, preso e transferido para Alagoas.