A busca por justiça e a dor de uma família que convive com a ausência de uma criança de 12 anos marcaram o início do julgamento dos acusados pela morte de Ana Clara Firmino da Silva, na manhã desta quinta-feira (14). 

Familiares e amigos da vítima realizaram um protesto silencioso em frente ao Fórum de Maceió, onde os três réus enfrentam o júri popular.

Entre os presentes, o senhor José Neuton, avô de Ana Clara, expressou o sentimento de impunidade que ainda paira sobre a família após mais de um ano do crime. 

Em conversa com a imprensa, ele destacou que, independentemente da sentença, a perda é irreparável. 

“A gente espera uma justiça grande, porque é um caso que a gente nunca se conformou e nem vai se conformar. Minha neta não vai ser solta [do túmulo], mas a gente quer que a justiça seja feita”, desabafou.

O conselho de sentença analisa a participação de dois homens e uma mulher no crime ocorrido em janeiro de 2025, no município de Maravilha. 

O Ministério Público de Alagoas (MPAL) sustenta as teses de feminicídio e tentativa de homicídio triplamente qualificado, uma vez que outro adolescente também foi atacado durante a ação criminosa.

As investigações apontaram que a motivação do assassinato foi vingança, após um dos acusados se sentir rejeitado pela vítima. 

Ana Clara foi morta com golpes de faca, em um crime que chocou a região do Sertão alagoano pela brutalidade e pelo motivo fútil.

A sessão de julgamento deve se estender ao longo de todo o dia, com o depoimento de testemunhas, o interrogatório dos réus e os debates entre a acusação e a defesa.