De vários interlocutores, ouvi que a presença do ex-prefeito de Maceió, JHC (PSDB), em municípios do Alto Sertão de Alagoas, no início deste mês, lembrava eleições passadas.

Segundo eles, havia um sentimento de mudança e de rejeição a grupos políticos tradicionais desgastados pelo longo tempo no poder.

O jovem Fernando Collor foi eleito governador, em 1986, derrotando Guilherme Palmeira, que tinha o apoio de outro nome histórico da política alagoana, Divaldo Suruagy.

Anos depois, em 1998, Ronaldo Lessa venceu no primeiro turno o então governador Manuel Gomes de Barros.

Mano assumira o governo após a renúncia de Suruagy, tragado por uma grave crise social e econômica no estado. A eleição ocorreu em um ambiente de forte rejeição à política tradicional.

O que esses interlocutores - simpáticos à pré-candidatura de JHC ao governo - afirmam é que existe hoje um sentimento de rejeição aos Calheiros, apesar do amplo apoio que o grupo político mantém entre prefeitos e deputados.

Collor e Lessa representavam o novo naquele momento. Para esses aliados, JHC tenta ocupar esse espaço. Eles destacam o desempenho do ex-prefeito nas redes sociais, meio de comunicação amplamente consumido por eleitores de até 50 anos.

Esses interlocutores avaliam ainda que Renan Filho (MDB), pré-candidato ao governo, “carrega uma bola de ferro da qual não pode se livrar: a candidatura à reeleição do pai, Renan Calheiros, ao Senado”.

O senador iniciou seu primeiro mandato como deputado estadual em 1979. Chegou à Câmara Federal em 1983. É senador desde 1994. Ao longo dessa trajetória, enfrentou diversas polêmicas.

Resta saber o quanto dessa percepção aparecerá nas pesquisas registradas na Justiça Eleitoral.