B. é uma menina negra, 18 anos, adotada, cheia de argumentações profundas e , está garçonete em um restaurante da capital Maceió.

Quando ela atendeu nossa mesa, esta ativista foi  logo puxando conversa ( sabe como é, né, pretitude que dialoga).

Perguntei à B.  dos estudos, ( como professora é de praxe focar nessa questão),  relatou que deu um stop  no ensino médio para trabalhar.

Precisava de recursos para algumas necessidades pessoais. Para comprar minhas ‘coisinhas’- afirma  a menina.

A resposta de B. me desperta um gatilho atemporal , ou,  minha própria trajetória.

 Aos 17 anos, minha mãe alertou, que  já com o 2º grau concluído era necessário arrumar um emprego para ajudar no orçamento doméstico.

Na época, tudo que esta ativista , menos queria,  era abandonar a leitura preciosa dos livros para adentrar na escala de produção do mundo do trabalho.

- Por que nós, mulheres negras, sempre, temos que passar por isso?

Décadas separam a menina B. dos tempos vividos desta ativista, mas, o modus operandi da exclusão continua igualzinho.  

E,  o que causa mais inquietação é a sociedade naturalizar esse processo de excrescência para adolescentes pobres, afirmando ser ‘mimimi’, ou, o clássico ‘ pobre para sobreviver tem que trabalhar’  e aceitar, naturalmente, que um jovem branco, rico, que nunca, nunquinha deu um murro em uma broa, filho do papai-mandou-dizer, do Agronegócio' receba como presente o primeiro emprego, ( jovem aprendiz?), uma cadeira na Câmara Federal que   faz parte do Congresso Nacional ,elaborando leis e legislando por toda uma população, inclusive para   jovens pretos, pobres, periféricos, como B.

Pode isso?!