Dona Maria, mulher trabalhadeira, simples e honesta, moradora de uma periferia abarrotada de escassez, a Cidade Sorriso, no Benedito Bentes, parte alta da cidade é  mãe de Davi Silva, 17 anos, sequestrado, torturado, morto e o cadáver ocultado, por policiais militares, em  2014.

Por longos 12 anos, Dona Maria foi obstinada em confrontar o sistema, em sua  luta por justiça, em uma conexão profunda com o menino que pariu para o mundo.

Ela pariu e  a polícia matou.

Davi era um adolescente preto, pobre, periférico, e,descartável, socialmente.

-Quero justiça pelo meu menino- clamava  Maria. 

Em agosto de 2026, o peso da dor, a ausência do filho  e a indiferença social,exauriu-lhe a saúde.

 Maria morreu e nem viu a tal justiça sendo professada,  em um tribunal de homens.

Mas, foi uma dolorosa  espera de 12 anos!

O desaparecimento de Maria Clara Gomes da Silva ,05 anos, preta, pobre, periférica, autista,  desaparecida a tardinha do dia 19 de julho de 2021, da Favela Q 12, no bairro do Vergel do Lago, uma periferia desassociada às políticas públicas,em 2026  completa 5 anos e a menina, 10 anos de idade.

Na época, a polícia alagoana, sem apresentar provas concretas,  ou uma investigação responsável, entrou com a tese de que , Jéssica, a mãe , viciada pela miséria degradante e também autista, teria ‘negociado’ a filha. 

E como nenhuma linha de investigação avançou, cinco anos depois, sem corpo, ou outros vestígios, Maria é ‘dada’ como morta.

E se ela estiver viva?

Descartabilidade humana naturalizada.

-Tem dias, que me tranco no quarto e choro de saudades de Maria Clara. Sinto muito a falta dela. O médico passou um remédio para relaxar, aí um dia, eu tomei três de uma vez e dormi o dia inteiro-confessou Jéssica, a mãe da menina Maria Clara.

Dona Maria e Jéssica são  mulheres negras, pobres, periféricas  invisíveis, sem rede de apoio, com  filh@s suspensos  e feridas nunca cicatrizadas, alimentadas pela esperança, emoções desacreditadas , descartáveis e constantemente sufocadas pela pressão social, o autoritarismo de vozes institucionais, no  indiferenciar suas crias, afirmando-os  subcategoria humana.

Porque a  justiça brasileira, ainda falha em chegar a tempo para soprar o fôlego da liberdade n’alma das muitas mães de filh@s marginalizados, socialmente, pelo vazio de oportunidades.

Lembrar as mães de Davi e Maria Clara é uma forma de falar em justiça social, no icônico Dia das Mães.

É isso!

 Saiba mais: 

https://www.cadaminuto.com.br/noticia/2016/03/07/o-coracao-da-mulher-mae-de-davi-da-silva-nao-quer-flores-pede-justica

https://www.cadaminuto.com.br/noticia/2022/08/20/a-emocao-contida-de-jessica-por-maria-clara-a-filha-perdida-e-a-solidao-de-nara-ou-precisamos-falar-em-solidariedade-e-acolhimento

https://www.cadaminuto.com.br/noticia/2014/11/17/cade-o-davi

https://www.cadaminuto.com.br/noticia/2022/03/11/eu-so-quero-minha-filha-de-volta-disse-jessica-a-mae-da-menina-maria-clara-em-audiencia-sobre-desaparecid-s-na-camara-de-vereador-s-de-maceio