A esposa de um agente de polícia afastado cautelarmente pela Justiça Federal da Paraíba por suspeita de fraude em concursos públicos é alvo de investigação do Ministério Público de Alagoas (MPAL). 

O MP abriu procedimento preparatório para apurar a nomeação de A.P.F. para o cargo de Auxiliar de Perícia da Polícia Científica do Estado de Alagoas (POLC/AL).

A nomeação foi formalizada pelo Decreto nº 106.349, publicado no Diário Oficial do Estado em 19 de janeiro de 2026. 

A portaria de investigação da servidora foi assinada pelo promotor de Justiça Coaracy José Oliveira da Fonseca, da 17ª Promotoria de Justiça da Capital e publicada no Diário Oficial do órgão nesta sexta-feira (8).

Segundo o documento, investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal da Paraíba apontam indícios de que a prova do concurso atribuída à candidata teria sido realizada por outra pessoa, identificada como M.A.A.C., mediante uso de Carteira Nacional de Habilitação falsificada.

Os indícios levantados pelo MP vão além da fraude na prova. O procedimento aponta inconsistências no desempenho da candidata durante o curso de formação, possível alteração das regras do certame em benefício dela, convocação prioritária de candidatos com classificação inferior e falhas de transparência na divulgação das notas individuais por disciplina.

O marido de A.P.F., o agente da Polícia Civil de Alagoas, foi afastado cautelarmente pela Justiça Federal da Paraíba, assim como o ex-delegado geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento, em investigação correlata. 

O MP aponta ainda indícios de possível tráfico de influência envolvendo agente público de alta hierarquia em benefício da nomeada.

A Procuradoria-Geral do Estado (PGE/AL) havia sido consultada durante a investigação social da candidata e opinou pela inexistência de óbice à nomeação, mesmo diante de inquéritos policiais em tramitação na Justiça Federal da Paraíba. 

A PGE também se recusou a fornecer ao MP cópia do processo administrativo de nomeação, sob o argumento de que a matéria não se inseria no âmbito do controle externo da atividade policial — posição contestada pelo próprio MP.

O procedimento determinou o envio de ofícios aos órgãos competentes e a comunicação à Superintendência da Polícia Federal em Alagoas, tendo em vista que a investigação tem origem em instituições federais, inclusive com ação penal já oferecida pela Procuradoria da República da Paraíba.