O Ministério Público de Alagoas (MPAL) denunciou 16 pessoas por participação em uma suposta organização criminosa que atuaria dentro da Câmara de Maceió. Segundo a acusação, o grupo era liderado pelo vereador Siderlane Mendonça e estaria envolvido em práticas como “rachadinha”, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica eleitoral e uso irregular de recursos de campanha. 

A denúncia foi aceita pela Justiça Eleitoral, e os investigados passaram à condição de réus. De acordo com o processo, o esquema teria funcionado de forma estruturada, contínua e hierarquizada entre 2018 e 2025, com uso de cargos comissionados para desvio de salários e abastecimento de despesas privadas e eleitorais.

Em abril de 2025, no decorrer das investigações, o parlamentar foi afastado do cargo por decisão judicial diante das suspeitas. Na mesma decisão, a Justiça determinou o bloqueio de bens e valores que ultrapassavam R$ 200 mil.

Em 28 de julho de 2025, o vereador retornou ao cargo na Câmara Municipal de Maceió após decisão favorável do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL). O portal CadaMinuto teve acesso à íntegra da denúncia, que não apenas aponta o parlamentar, como também detalha os demais denunciados.

Como funcionava o esquema

As investigações, conduzidas pela Polícia Federal e baseadas em dados reunidos pelo MP, apontam o uso de contas bancárias de terceiros, saques em dinheiro fracionados e transferências direcionadas para ocultar a origem dos valores.

Segundo a denúncia, o grupo operava com divisão de funções. Havia um núcleo familiar, responsável por concentrar recursos; um núcleo financeiro, que executava movimentações e pagamentos; e um grupo de assessores que atuaria como “laranjas”, recebendo salários e devolvendo parte ou a totalidade dos valores.

O dinheiro, ainda conforme o processo, seria utilizado para custear despesas pessoais — como aluguel e veículos — além de financiar campanhas eleitorais com gastos não declarados.

O material reunido inclui quebras de sigilo bancário, análises financeiras, dados extraídos de celulares, documentos apreendidos e planilhas de pagamentos. O conjunto aponta movimentação superior a R$ 2,8 milhões, com registros de repasses, saques e despesas fora da contabilidade oficial.

As investigações também identificaram doações eleitorais consideradas incompatíveis com a renda de assessores, o que reforça a suspeita de que os valores eram, na prática, devoluções de salários desviados.

O  MP detalha que, somadas, as penas máximas previstas podem ultrapassar 7 mil anos de prisão, considerando todos os crimes atribuídos, as circunstâncias e a participação individual de cada acusado. As penas variam conforme o grau de envolvimento de cada réu.

A reportagem tentou contato com o vereador, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço segue aberto para manifestação.