Através de uma série de documentos e um forte desabafo em vídeo, o defensor público Ricardo Melro denunciou, neste domingo (05), o controle exclusivo da Braskem sobre os dados do afundamento do solo em Maceió. 

O defensor apontou uma contradição: pesquisadores independentes da Alemanha e do Brasil estariam sendo impedidos de acessar a plataforma técnica da empresa para complementar estudos que foram criticados justamente por 'limitação de dados'.

Segundo Melro, órgãos oficiais e a própria Braskem rejeitaram um relatório independente produzido por pesquisadores da Alemanha e do Sul do Brasil sob a justificativa de "escassez de dados", mas, ao mesmo tempo, negam a esses mesmos especialistas o acesso à base completa de informações geológicas controlada pela mineradora.

O impasse dos dados

De acordo com o defensor, pesquisadores renomados e voluntários se colocaram à disposição para complementar o estudo, solicitando acesso à Plataforma Integrada de Monitoramento da Braskem — que detém o acervo mais completo de dados de GPS, InSAR e solo. 

No entanto, o pedido foi barrado sob o argumento de que a solicitação precisaria de "amadurecimento".

"Criticam a pesquisa por suposta limitação de dados. Os pesquisadores pedem acesso ao banco mais completo existente e negam o acesso. É uma esculhambação", desabafou Melro em vídeo.