Esta ativista, Arísia Barros, confessa , de antemão, que não conhece e nem acompanha a sua trajetória, performance, como homem político.
E, desculpe-me não sair por aqui, rasgando elogios, tipo isso ou aquilo, só porque você assumiu o cargo de chefe do executivo, em Maceió, esse tipo de atitude não faz parte do perfil desta ativista.
E adianto que a escrevinhação que segue, não tem nenhum interesse por cargos, como moeda de troca na administração municipal.
O assunto de interesse aqui é outro.
É sobre a Maceió negra, para além do batuque dos tambores, ecoando em praças públicas. A pirotecnia da festa plastificada, que agrada ao povo, mas, produz um fenômeno cada vez mais evidente: o esvaziamento das acuradas discussões políticas ( não festivas) das pautas raciais, que deixa de ser compromisso e passa a ser apenas mera performance artística.
Degustação para olhos alheios.
Maceió é uma capital entronizada no eurocentrismo conservador e naturalizado, que constrói praças nas periferias, sem , nem ao menos, promover a escuta acurada sobre identidade e pertencimentos, expõe as vísceras de um serviço público despreparado para a pauta do racismo estrutural.
A implementação das políticas antirracistas , um processo histórico, social, exige responsabilidade política.
Teremos?
Como você se autonomeia, prefeito, Rodrigo Cunha?
É pardo?
É preto?
É negro?
Ou branco?
Qual será a cara desse seu governo que promete cuidar da vida das pessoas, e, principalmente, cuidar da autoestima do 'nosso povo'.
Que povo é esse, que falas, prefeito Rodrigo Cunha?
Interpretar a diversidade e suas diferenças prioritárias é um desafio e, ao mesmo tempo, a ruptura com o lugar cômodo, confortável e político das gestões.
Está preparado, prefeito Rodrigo Cunha?.
Esta ativista, articuladora politica, espera que sim.
E boa sorte na nova caminhada.
