Noite nos caminhos do Corredor Vera Arruda, bairro da Jatiúca, Maceió,AL, o menino, por volta dos 5 ou 6 anos, surge correndo, desembestado, à frente do pai, um sujeito jovem, que já impaciente pede ao menino:

-Sem correr, meu filho.

-Mais devagar, meu filho!

E já abusado:- Para, menino!

E como não foi ouvindo grita um comando de pet:

- Stop!

O menino nem-nem.

Quanto mais o pai pedia  vagareza , mais  o menino apressava o passo, com o vento assanhando seus cabelos, levantava o queixinho ( tão bonito!), erguia a cabeça projetando o horizonte e acelerava as perninhas.

Corria feliz.

Até que o pai ,em um gesto áspero de adulto, correu mais forte, até alcançar o garoto,  pegou-lhe pelo braço, fitou os olhos do filho e perguntou:

-Filho você não entendeu que te pedi para deixar de correr?

-Entendi pai, mas, com esse espaço tão grande ( apontou os caminhos do corredor), como posso ficar parado?

O pai olhou para o rostinho do menino, riu um riso envergonhado e viu as  asas planando n’alma do filho.

Construção do sentido infantil de liberdade.

E tuas asas,de adulto, ainda voam, ou foram sufocadas pelos caminhos estreitos da vida?

Stop!