O réu Albino Santos de Lima, conhecido como serial killer de Maceió, negou nesta quinta-feira (5) ter assassinado Genilda Maria da Conceição, de 71 anos, morta a tiros em 2019, no bairro Chã da Jaqueira. Durante o interrogatório, afirmou que a confissão apresentada anteriormente ocorreu sob pressão e em razão das condições em que estava detido na delegacia.

O julgamento é conduzido pelo juiz Yulli Rotter, titular da 7ª Vara Criminal de Maceió, com acusação sustentada pelo promotor de Justiça Antônio Vilas Boas. Na sessão, Albino voltou a negar a autoria do crime e disse que assumiu a responsabilidade no passado por causa do ambiente em que se encontrava preso.

Ele também declarou que é inocente nesse caso específico, embora tenha admitido envolvimento em outros crimes atribuídos a ele, voltando a mencionar o que chama de influência do “Arcanjo Miguel”.

“Nesse caso sou inocente. Nos demais, infelizmente aconteceu e vocês sabem que foi o Miguel. A questão é estrutural, o doutor Antônio quer me condenar. Estão se aproveitando de um homem que adoeceu mentalmente de tanto trabalhar pelo Estado, acompanhando rebelião”, disse. 

O promotor Antônio Vilas Boas rebateu as declarações e afirmou que a decisão final cabe ao Conselho de Sentença, formado pelos jurados. Durante o interrogatório, também questionou a postura do acusado. “O senhor me trata por Antônio e diz que quero condená-lo. Primeiro, não sou eu quem condena, são os jurados. O senhor veio bem articulado hoje, mas todo psicopata é assim.”

Ao longo das perguntas, o representante do Ministério Público lembrou que laudos periciais indicam que Albino não possui transtornos mentais e que, no momento do crime, tinha plena capacidade de compreender seus atos.

Crime ocorreu na presença do neto

De acordo com a denúncia do Ministério Público, o crime ocorreu no dia 6 de fevereiro de 2019, por volta das 6h40, no Beco do Zé Miguel, nas proximidades do terminal rodoviário do bairro Chã da Jaqueira.

Genilda caminhava com o neto, de 11 anos, para levá-lo à escola quando foi surpreendida pelo atirador. A idosa foi atingida por disparos nas costas e morreu sem chance de defesa. O menino presenciou toda a ação.

Segundo os autos, o acusado utilizou um revólver — arma que teria sido a primeira empregada na sequência de crimes atribuídos a ele.

Filho da vítima evita falar por medo

Única testemunha arrolada pela acusação, o filho da vítima, Evilásio, chegou a ser chamado para depor, mas foi dispensado pelo juiz durante a sessão.

Ele preferiu não falar com a imprensa, alegando medo, mas comentou brevemente sobre a perda da mãe. “Não sei o que falar, o sentimento de um filho perder uma mãe todos devem saber, ainda mais dessa forma. Não posso falar o que gostaria, então prefiro silenciar.”

Condenações anteriores

Este é mais um dos julgamentos envolvendo Albino. Nos júris realizados anteriormente, ele já foi condenado por diferentes crimes registrados em Maceió.

Entre as decisões da Justiça estão:

 

  • Outubro de 2025 – 27 anos, um mês e 10 dias de prisão pela morte de Tâmara Vanessa dos Santos e por duas tentativas de homicídio;
  • Setembro de 2025 – 14 anos e sete meses por tentativa de homicídio duplamente qualificado contra Alan Vitor dos Santos Soares;
  • Julho de 2025 – 24 anos e seis meses pela morte da adolescente Ana Clara Lima Santos;
  • Junho de 2025 – 24 anos e seis meses pela morte da mulher trans Louise Gbyson Vieira de Melo;
  • Abril de 2025 – 37 anos pela morte do barbeiro Emerson Wagner da Silva e tentativa de homicídio contra outro jovem;
  • Novembro de 2025 – 24 anos, 11 meses e 8 dias pela morte de Beatriz Henrique da Silva e lesão corporal contra o filho dela, de apenas quatro anos.

 

Com o julgamento desta quinta-feira, a Justiça analisa mais um dos crimes atribuídos ao acusado na capital alagoana.